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2020-11-11T17:29:52-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
mercados hoje

Ibovespa se mantém em queda e dólar fecha em alta após fala de Bolsonaro criar temor fiscal

Presidente questiona condição de brasileiros se auxílio emergencial acabar, levantando incertezas sobre a extensão da ajuda e agravando risco fiscal. Principal índice acionário da bolsa brasileira tem sessão volátil, após acumular 12% de alta nas primeiras sessões do mês

11 de novembro de 2020
10:55 - atualizado às 17:29
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(Piranhas - AL, 05/11/2020) Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR -

Os mercados locais operam sob instabilidade nesta quarta-feira (11), com o Ibovespa destoando das bolsas americanas, que marcam ganhos percentuais neste momento, e o dólar terminou a sessão apontando para cima em leve alta.

Por volta das 17h30, o principal índice acionário da B3 opera em queda de 0,5%, cotado aos 104.545 pontos, na esteira de um novo ruído político interno, interrompendo uma sequência de seis altas seguidas em que acumulou alta de 12%.

Mais cedo, na mínima, o índice chegou a cair 0,9%, para 104.140 pontos — mas também frequentou o campo positivo, chegando a avançar 0,38% para 105.462,33 pontos.

No radar dos investidores, a grande novidade é a declaração de ontem do presidente Jair Bolsonaro, que sugeriu a possibilidade da manutenção do auxílio emergencial para o ano que vem, o que agrava o risco fiscal.

"Se acaba o auxílio, como ficam quase 40 milhões de invisíveis, que perderam tudo?", disse o presidente, em discurso ontem à noite.

Além disso, uma resposta do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também contribui para o desconforto político no cenário doméstico.

O deputado reagiu a outras falas do presidente, segundo as quais o Brasil tem que "deixar de ser um país de maricas", em relação ao coronavírus, e outra em que disse "quando acaba a saliva, tem que ter pólvora" ao se referir a possíveis sanções relacionadas à Amazônia, sem citar o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

Maia também fez menção a uma fala do ministro Paulo Guedes de ontem sobre o risco de hiperinflação, levantando o receio dos investidores com vistas para a relação do governo com ele:

Em meio a um estado de paralisia na apreciação de reformas econômica, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, afirmou que, após o primeiro turno das eleições, haverá votações na casa. "Maia receberá pauta e espero que possamos superar obstrução", diz Barros.

No cenário macroeconômico, uma decepção para atividade brasileira também gera certa cautela nos investidores.

As vendas no comércio varejista subiram 0,6% em setembro, abaixo do esperado pelos analistas, cuja estimativa média era de avanço de 1,4%.

Em 2020, o varejo acumula queda de 3,6%. Nos últimos doze meses, o recuo é de 1,4%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Top 5

Entre os destaques positivos da sessão de hoje, as ações penalizadas recentemente do setor de e-commerce avançam — Via Varejo ON (VVAR3) e B2W ON (BTOW3) estão entre os principais ganhos —, acompanhando o desempenho positivo de hoje do índice Nasdaq, que reúne ações de tecnologia.

Os papéis Magazine Luiza ON (MGLU3) também sobem, com a recuperação de preços do setor.

Veja as principais altas percentuais agora:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
VVAR3Via Varejo ON             18,76 5,16%
BPAC11BTG Pactual units             79,69 4,92%
BTOW3B2W ON             74,88 2,48%
B3SA3B3 ON             55,40 2,40%
MRFG3Marfrig ON             14,83 2,13%

Papel que esteve entre as maiores altas ontem, Ultrapar ON (UGPA3) devolve alguns desses ganhos com os investidores optando pela realização de lucros e tem a segunda maior perda do índice. Confira também as principais quedas:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
UGPA3Ultrapar ON             20,28 -6,54%
BRKM5Braskem PNA             23,97 -5,70%
HGTX3Cia Hering ON             18,09 -4,74%
EQTL3Equatorial ON             21,15 -3,82%
HYPE3Hypera ON             29,92 -3,70%

Bolsas americanas e europeias registram alta

Os índices acionários americanos prosseguem, no geral, se mantendo no azul. O Dow Jones, índice que reúne ações do setor industrial e de serviços, é o que tem comportamento mais volátil hoje.

Em meio a uma recuperação de preços das ações de tecnologia, que sofreu perdas recentemente, o índice Nasdaq tem forte alta.

Recentemente, papéis das empresas do setor caíram forte com a perspectiva de uma vacina contra o coronavírus, após essas ações saírem como as grandes vencedores da pandemia no mundo corporativo.

Os principais índices acionários da Europa, em Londres, Paris e Frankfurt, fecharam em alta de no mínimo 0,4%.

No âmbito político, a equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declinou de realizar um apontamento técnico e rotineiro que permitiria ao presidente eleito Joe Biden o acesso a informações secretas.

Sem o aval, não é possível que Biden ordene o envio de seus representantes para se incorporar às agências governamentais nem ter acesso ao Departamento de Estado para que facilite ligações com líderes estrangeiros.

O democrata, no entanto, não está parado: Biden deverá escolher ao menos dois nomes para a composição de seu gabinete até o feriado de Ação de Graças.

Dólar sobe; juros fecham em alta

O dólar terminou avançando 0,4%, cotado a R$ 5,4164. Na máxima, a moeda subiu forte, em alta de 1,2%, para R$ 5,4560 — na mínima, caiu 0,21%, para R$ 5,3817.

A performance da divisa incorpora tanto a piora do cenário político como a força do dólar no exterior.

O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de moedas como euro, libra e iene, aponta valorização de 0,3% neste momento.

Os juros futuros, por sua vez, prosseguiram em um movimento de alta durante toda a sessão, em meio ao pior cenário interno, e fecharam para cima.

A percepção dos investidores a respeito do risco fiscal e a deterioração das condições políticas se agravou, elevando as taxas futuras uma vez mais. Veja os principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,926% para 1,932%
  • Janeiro/2022: de 3,32% para 3,41%
  • Janeiro/2023: de 4,87% para 4,95%
  • Janeiro/2025: de 6,58% para 6,68%
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