O sonho acabou?
XP e Rico limitam investimentos em renda fixa no mesmo dia em que Gustavo Bebianno ganhou sobrevida no governo. De bônus, um vídeo sobre cervejas e maconha

Quando eu terminei a pós-graduação em finanças, a proposta do meu Trabalho de Conclusão de Curso foi investigar o que motivava os clientes das corretoras não ligadas a grandes bancos a investirem por essas instituições “independentes” e não pelo banco onde eles tinham conta.
Os principais motivos citados, lá em meados de 2016, eram os custos altos e a rentabilidade baixa dos produtos oferecidos pelos bancões, e a tendência dos gerentes a quererem “empurrar” produtos mais interessantes para eles do que para os clientes.
A questão do atendimento, aliás, foi muito citada pelos pesquisados. Eles não gostavam do fato de que, nos bancos, o pequeno investidor - aquele que não tem altas somas para investir - parecia ser menosprezado, tratado como “apenas mais um na multidão”, e acabava com investimentos ruins.
As corretoras menores, em contrapartida, eram descritas como instituições financeiras onde investidores de menor porte seriam bem tratados e teriam acesso a produtos rentáveis e de baixo custo.
A XP, que na época ainda não tinha vendido participação para o Itaú, e a Rico, que ainda não havia sido comprada pela XP, figuraram entre as corretoras preferidas dos entrevistados.
Há muito a XP se autointitula um supermercado financeiro, e não há dúvidas de que esse colosso do universo das corretoras tem contribuído, em muito, para a educação financeira do brasileiro e a democratização dos investimentos.
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Mas neste mês aconteceu uma coisa que deixou os pequenos investidores um tanto chateados e pode nos levar a questionar se, afinal, o sonho da democratização está chegando ao fim. XP e Rico aumentaram bastante o valor mínimo para investir em títulos de renda fixa, para a casa das dezenas de milhares de reais.
Nos grupos de investidores no Facebook, a reação foi de #revolta. A mudança ocorreu logo em alguns dos produtos favoritos da pessoa física. Vários clientes disseram que trocariam de corretora, que a XP e a Rico estavam tentando se livrar do investidor “pobre” ou forçar os clientes a migrarem para ações, fundos e COE, que seriam mais rentáveis para a instituição. Eu mesma fui choramingar para o meu consultor da XP, que por acaso também é meu amigo, só que de outros Carnavais.
O repórter Vinícius Pinheiro foi atrás desta história e também ouviu o outro lado. A XP alega que a mudança é uma medida de proteção ao pequeno investidor, e não de exclusão. Você acompanha todos os detalhes nesta reportagem do Vini.
A vida continua...
...e Gustavo Bebianno também. O presidente Bolsonaro resolveu colocar um fim às tensões políticas envolvendo o ministro e seu filho, Carlos Bolsonaro, e disse que manterá o secretário-geral da Presidência no cargo.
As desavenças e o suposto esquema de desvio de verbas eleitorais pelo PSL por meio de laranjas, na época em que Bebianno presidia o partido, causaram grande desconforto na base aliada do governo e trouxeram insegurança sobre o futuro da reforma da Previdência. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tentou amenizar o mal estar ao dizer que a crise não afetará o andamento da reforma no Congresso.
O mercado está de olho nessas negociações com o legislativo. A consultoria de risco Eurásia, por exemplo, acredita que o projeto elaborado pela equipe Bolsonaro deve sofrer uma boa desidratada conforme as discussões na Câmara e no Senado avançam. E até estimou quanto daquela economia de R$ 1,1 trilhão para os cofres públicos deve ir pro saco. Confira nesta matéria.
A bolsa das três pautas
Nos últimos dias, o mercado parece que só pensa em três coisas: a reforma da Previdência, a crise política do governo e o acordo China-EUA. Apesar do otimismo internacional com relação ao avanço das negociações entre as duas potências mundiais, o Ibovespa não conseguiu evitar a queda no último pregão da semana. A realização de lucros depois da alta de ontem predominou, e o clima azedou lá fora quando Trump afirmou ter assinado a declaração de emergência para conseguir construir o muro na fronteira com o México. Não deixe de conferir nossa cobertura de mercados, que traz os detalhes de todas essas histórias.
Uma coisa puxa a outra
Nosso colunista Gabriel Casonato, o analista Enzo Pacheco e a nossa editora-chefe, Marina Gazzoni, fizeram hoje um happy hour aqui no Seu Dinheiro, que foi transmitido ao vivo no site e nas redes sociais. O papo do dia foi o interesse das fabricantes de cerveja no mercado de maconha. Esse casamento (talvez não tão) inusitado ganhou fama e já movimenta muito dinheiro por aí. Se você perdeu a live, não tem problema. O vídeo gravado com os detalhes dessas novas parcerias você confere na íntegra aqui.
‘Brazuca’ no comando
E por falar em cerveja, o grupo Heineken anunciou hoje cedo que vai ter um brasileiro no comando da companhia no país pela primeira vez. O escolhido da vez foi o economista Mauricio Giamellaro, que deve assumir a gestão da empresa a partir de março. Leia mais detalhes sobre esta história no Seu Dinheiro.
Dia 46 de Bolsonaro - A tal crise do Palácio
Um dia depois de apresentadas as linhas principais da reforma da Presidência, o noticiário ficou muito concentrado no que se chama de “crise” no Palácio do Planalto, envolvendo o... (leia mais)
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