Menu
Gabriel Casonato
Cannabusiness
Gabriel Casonato
É editor da Empiricus e entusiasta do mercado de cannabis
2019-05-26T11:35:58-03:00
Cannabusiness

O dia não tão distante em que os supermercados americanos venderão produtos feitos com planta de maconha

Todos querem sua fatia de uma indústria que deve ultrapassar os US$ 2 bilhões nos EUA até o próximo ano, uma vez que pesquisas vêm mostrando que os consumidores estão dispostos a pagar preços mais altos pelos produtos

26 de maio de 2019
5:39 - atualizado às 11:35
Maconha e Canabidiol
Imagem: shutterstock

As maiores varejistas dos EUA ainda não estão podendo vender produtos à base do canabidiol (CBD), mas já estão ocupadas se preparando para o dia em que puderem. Como já disse outras vezes aqui, o CBD é o ingrediente da planta da cannabis que não dá barato, mas é usado para aliviar a dor e sintomas de stress, incluindo ansiedade e insônia.

Segundo o New York Post, os principais executivos de grandes redes como Walmart e Target têm se reunido silenciosamente com fabricantes de bebidas, produtos comestíveis, cremes e óleos de beleza infundidos com o canabidiol.

As cadeias, que também incluem grandes supermercados americanos como Kroger e Safeway, estão solicitando amostras de produtos junto com resultados de laboratório e informações sobre preços, disseram os fabricantes.

Vale lembrar que isso está acontecendo em um contexto em que o canabidiol ainda é ilegal nos EUA. Enquanto o cânhamo – a fibra da maconha – foi totalmente legalizado através da nova lei agrícola aprovada no final do ano passado, o canabidiol foi apenas colocado sob alçada do FDA (Food and Drug Administration).

O órgão análogo à Anvisa no Brasil prometeu realizar conversas sobre a legalização em breve, com o objetivo de encontrar caminhos que permitam às empresas adicionar o CBD a alimentos, bebidas e produtos para a saúde.

Por que esperar?

No entanto, muitas empresas, como as redes de farmácias CVS e Walgreens, resolveram não esperar e assumiram o risco de vender produtos que ainda transitam em uma área cinzenta no que diz respeito à legislação.

Não sei se será o caso das gigantes do varejo, que provavelmente só irão incluir itens com CBD em suas prateleiras quando houver uma definição regulatória.

De qualquer forma, acredito que uma decisão positiva do FDA não vai demorar, em linha com a tendência favorável à legalização que vem sendo observada na América do Norte.

“Estamos voando por todo o país e conversando com todos os grandes nomes do varejo americano”. A afirmação foi feita à imprensa internacional por Christian Graversen, gerente de marca da CBDfx, uma empresa de 6 anos que fabrica mais de 50 produtos com infusão de CBD, incluindo pacotes de US$ 10 de ursinhos de goma.

Todos querem sua fatia de uma indústria que deve ultrapassar os US$ 2 bilhões nos EUA até o próximo ano. As pesquisas vêm mostrando que os consumidores estão dispostos a pagar preços mais altos pelos produtos para tratar doenças que variam de artrite a esclerose múltipla.

“Como muitas empresas, sabemos que há interesse do consumidor em itens com canabidiol, e a conversa está evoluindo rapidamente”, disse um porta-voz da Target, que logo em seguida tratou de esfriar as expectativas ao afirmar que a rede está “acompanhando as discussões, mas sem planos imediatos para a área”.

Já o Walmart, negou que está se mobilizando para colocar produtos a base de maconha na prateleira. “Não temos planos de transportar e vender produtos com CBD neste momento”, disse o Walmart em comunicado, recusando-se a falar sobre sua estratégia para o segmento.

Possivelmente é mais um caso daqueles em que o discurso oficial mais polido não condiz com a realidade.

Segundo as fontes ouvidas pelo New York Post, tanto o Walmart como o Target não estão apenas fazendo a devida diligência nos produtos com CDB, mas também planejando como vendê-los.

Água de coco 'batizada'

“Os grandes varejistas já estão projetando as prateleiras, pensando no espaço onde os produtos à base de CBD ficarão em suas lojas. Eles só ainda não estão comprando”, disse Michael Kirban, executivo-chefe da Vita Coco à publicação.

A famosa marca de água de coco está planejando lançar neste verão uma versão de suas bebidas infundida com cânhamo, este sim já totalmente legal no país.

Mas o lançamento provavelmente será limitado a redes e lojas menores, na medida em que as maiores estão aguardando uma decisão permanente do FDA sobre o canabidiol, o que deve acontecer no segundo semestre.

Lucrando com o CDB

Sob a ótica do investidor, para aqueles que desejam se antecipar à chegada dos produtos com CBD nos corredores das grandes redes americanas, a hora é agora.

Uma boa alternativa neste sentido são os ETFs que reúnem em um único ativo dezenas de ações focadas no mercado de cannabis – por enquanto majoritariamente no segmento medicinal.

Tendo em vista que o mercado recreativo de maconha ainda está deixando a fase embrionária, faz sentido que eles adotem a estratégia de dar um peso maior às empresas que atuam focada no desenvolvimento de medicamentos e outros produtos voltados à saúde e qualidade de vida.

Na medida em que a legalização do consumo recreativo for avançando pelo mundo, esta relação tende a ficar mais equilibrada. Até porque os estudos mostram que este mercado possui potencial de movimentar muito mais dinheiro do que o medicinal.

Mas não é isso que você precisa ter em mente agora. O que eu quero que você entenda é que, daqui um tempo, a maconha será um produto cotidiano. A legalização em esfera global decorrente dos avanços nos países desenvolvidos é um caminho sem volta.

Compreender isso e se despir do preconceito é o primeiro passo para lucrar alto com um dos setores mais promissores da atualidade.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Milionários na mira

Biden quer dobrar impostos sobre ganhos de capital dos mais ricos para financiar educação infantil

O presidente dos EUA aposta no aumento das taxas para investidores que ganham acima de US$ 1 milhão para financiar sua nova proposta

Oferta de ações

Caixa Seguridade (CXSE3): reservas para o IPO terminam no dia 26; veja os detalhes e se vale a pena investir

Banco público pretende captar até R$ 6,5 bilhões com a venda de parte de suas ações na empresa que reúne suas participações em seguros

Fechando o bolso

Republicanos contrariam Biden e propõem pacote alternativo de US$ 568 bilhões para infraestrutura

O valor defendido pela oposição é muito inferior aos mais de US$ 2 trilhões propostos pelo presidente democrata

Aceno a Biden

Na Cúpula do Clima, Bolsonaro promete zerar emissões de gases de efeito estufa até 2050

No encontro, organizado por Joe Biden, o presidente do Brasil também se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030

Nem o agro se salva

Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) engrossa a lista de IPOs adiados em 2021

A empresa, que já havia interrompido a oferta por alguns dias em janeiro, citou a “deterioração” do mercado em seu segundo adiamento

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies