Em defesa de mais empresas “públicas”
Em dia azedo para a bolsa com o caso Bebianno, a Centauro decidiu emplacar o "tente outra vez" e fez novo pedido de IPO na CVM

Uma das primeiras entrevistas que fiz em inglês foi logo no começo da minha carreira, com um alto executivo de um banco gringo.
Ele participava de um evento sobre as perspectivas do mercado de ações no Brasil, quando o Novo Mercado da bolsa ainda não passava de um conjunto de boas intenções.
Sentamos para conversar logo depois da fala dele, e minha primeira pergunta foi relacionada a algo que ele falou sobre a falta de “public companies” no Brasil.
“Como assim, o que não falta no Brasil é empresa pública”, eu comentei.
Demorou um tempo até elucidarmos o mal-entendido. No mercado americano, toda empresa de capital aberto e com ações listadas em bolsa é considerada “pública”. Isso porque qualquer um pode se tornar “dono” de um pequeno pedaço de gigantes como Apple ou Google.
A diferença conceitual diz muito sobre o capitalismo que praticamos aqui e o de lá. No Brasil, temos hoje um total de 134 empresas estatais - ou “públicas”, na nossa definição.
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O time econômico de Jair Bolsonaro, liderado por Paulo Guedes, já revelou o desejo de privatizar a maior parte dessas companhias. A expectativa é que algumas delas se tornem públicas de verdade, ou seja, que venham a engrossar o time de ações listadas na B3, que hoje conta com menos de 400 nomes.
Enquanto as privatizações não acontecem, o mercado de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) enfim deu sinal de vida em 2019, com o pedido de registro da Centauro.
O repórter Fernando Pivetti traz todos os detalhes - pelo menos os conhecidos até o momento - da oferta da rede de varejo esportivo, que pode se tornar a primeira empresa “pública” na bolsa brasileira em 2019. E que venham outras!
[captacao]
A ferida “bebiânica”
Ela começou como um daqueles ralados na pele mas, em poucos dias, infeccionou e se tornou uma ferida aberta. A crise política envolvendo Bolsonaro e seu ministro Gustavo Bebianno, que foi exonerado no início da noite de hoje, voltou a causar estragos na bolsa. Em dia de feriado nos EUA, o Ibovespa caiu em meio aos temores de que as sequelas desse mal-estar atinjam a reforma da Previdência. Os detalhes você confere na nossa cobertura de mercados.

Lembra de mim?
Sem conseguir competir de igual para igual com os gigantes brasileiros, o Citi jogou a toalha e decidiu deixar o varejo bancário brasileiro em 2017, com a venda para o Itaú Unibanco. Mas o fato de você não enxergar mais a marca do Citi nas ruas não significa que o banco americano não esteja atuante no Brasil. Agora com foco em atendimento a empresas, a instituição tem planos ambiciosos para a unidade brasileira. E eles passam pelo governo Bolsonaro. Eu estive no encontro promovido pelos principais executivos com a imprensa hoje e te conto como (e quanto) o banco espera faturar por aqui.
Gafisa com novo conselho
Depois de se ver forçado a vender a maior parte de suas ações na Gafisa, o investidor Mu Hak You, da gestora GWI, deixou o conselho de administração da incorporadora. Quem vai assumir o comando do conselho é Augusto Marques da Cruz, que já foi diretor-presidente do grupo Pão de Açúcar. Mas a saída do investidor ainda não foi suficiente para impulsionar as ações da Gafisa. Leia mais esse capítulo na crise enfrentada pela empresa.
O óleo do vizinho
Ela não é propriamente uma grama invejável e está longe de ser mais verde que a nossa, mas o fato é que o jardim da Venezuela é riquíssimo e muito (ou nada) explorado. E é pensando nesse potencial que nosso colunista Ivan Sant’Anna lançou um alerta na coluna desta semana: com a saída iminente de Maduro, a Venezuela pode se tornar uma mina de ouro para os negócios brasileiros e, porque não, dos seus investimentos.
A hora da declaração
Investir lá fora é o desejo de muita gente e a realidade de outros tantos investidores do Brasil. Se você se encaixa no segundo grupo e possui aplicações lá fora, então deve ficar atento a esse recado do Edu Campos: o BC recebe até o dia 5 de abril a declaração anual de capitais no exterior, que basicamente é um prestar de contas de seus recursos lá fora. A apresentação é obrigatória e feita pela internet. Confira os detalhes nesta matéria e evite multas.
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