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2019-02-15T14:06:13-02:00
Estadão Conteúdo
Depois do pente fino

Impacto fiscal da reforma da Previdência deve recuar em até R$ 600 bilhões no Congresso

Previsão é de Christopher Garman, diretor da consultoria de risco político Eurasia. Para ele, negociações devem limitar o projeto

15 de fevereiro de 2019
14:06
Congresso Nacional
Expectativa da Eurasia é que a reforma da Previdência seja aprovada em julho deste ano - Imagem: Pedro França/Agência Senado

O cientista político Christopher Garman, diretor da consultoria de risco político Eurasia, reafirmou nesta sexta-feira, 15, que o impacto fiscal da reforma da Previdência deve ser reduzido para algo entre R$ 400 bilhões e R$ 600 bilhões, após as negociações que devem ocorrer no Congresso Nacional.

Em palestra para empresários em São Paulo, Garman ressaltou que a aprovação depende de qual vai ser a estratégia de comunicação do governo com a população e da estratégia de negociação com os parlamentares.

A expectativa da Eurasia é que a reforma da Previdência seja aprovada em julho deste ano, antes do recesso parlamentar.

Depois disso, com um capital político menor do presidente Jair Bolsonaro e a população demandando melhorias em suas vidas, o cenário estará mais desafiador para novas medidas amargas, acredita Garman.

Além disso, acrescenta, os efeitos econômicos positivos da reforma, que dariam um retorno político a Bolsonaro, vão demorar a serem sentidos pela população.

No Congresso, Garman apontou que as lideranças partidárias estão insatisfeitas com o foco do presidente nas bancadas temáticas e nos deputados do chamado baixo clero. Em relação à sociedade, reiterou que a vitória de Bolsonaro se deveu ao descontentamento dos eleitores com a classe política e com os serviços públicos de baixa qualidade.

O presidente, disse, será pressionado para que as demandas de serviços públicos sejam atendidas. "Essas demandas podem não chegar no primeiro semestre, mas chegam no segundo", afirmou.

Garman lembrou que todos líderes eleitos nos últimos anos em vários países já estão com aprovação inferior a 50%. Bolsonaro, que tem pouco mais de um mês de governo, é uma das exceções, disse. A outra é López Obrador, do México, que tem meses de governo.

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