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Obra dos economistas Marcos Lisboa e Samuel Pessôa tenta colocar o diálogo racional entre divergentes como caminho para entender e superar o atual momento brasileiro
Lançado com um debate entre os autores, os economistas Marcos Lisboa e Samuel Pessôa, e os convidados Fernando Haddad e Renato Janine Ribeiro - ambos ex-ministros da Educação de governos do PT - o livro "O Valor das Ideias"(Companhia das Letras) tenta colocar o diálogo racional entre divergentes como caminho para entender e superar o atual momento brasileiro.
O volume reúne uma série de polêmicas entre os autores e personagens do meio acadêmico e econômico publicados na imprensa nos últimos anos, nas quais a argumentação substitui o debate da realpolitik que marcou as décadas de polarização entre PT e PSDB.
"O confronto partidário marcou o naufrágio do PSDB e do PT, partidos assemelhados na ideologia, porém rompidos pelas circunstância de suas escolhas. (...) Resta a constatação de que o debate furioso, que buscou a desqualificação em vez do diálogo e do entendimento das razões da divergência resultou na polarização desmedida, no confronto em vez da conversa", diz a introdução da obra.
"O País tem que dialogar. A polarização é sempre ruim. Essa disputa de grupelhos é parte do desastre brasileiro", disse Lisboa ao "Estado". "Se não conseguirmos construir uma agenda corremos o risco de a crise de 2015 ser apenas o prólogo."
A publicação é mais uma iniciativa entre outras surgidas desde a posse do presidente Jair Bolsonaro para a construção de uma unidade mínima entre velhos adversários.
Na semana passada todos os ex-ministros do Meio Ambiente do período democrático se reuniram, deixando as divergências de lado, para evitar o que chamam de retrocessos no setor.
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No debate de lançamento do livro, na terça-feira, 14, no Insper, em São Paulo, Janine Ribeiro sugeriu uma iniciativa semelhante entre os ex-ministros da Educação.
Horas antes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse em conversa com sindicalistas da Força Sindical que "ou se junta ou perde".
Parlamentares de partidos de esquerda, que até o ano passado disputavam protagonismo no Congresso, têm atuado em conjunto para derrubar as pautas do governo. Exemplos de tentativa de encontrar unidade não faltam.
Embora o tema do livro seja a economia, o debate de terça-feira foi mais político. Haddad, que foi derrotado por Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, fez uma revelação: "Torci muito para o (Geraldo) Alckmin (PSDB) ir comigo para o segundo turno para não corrermos riscos", admitiu. "É do jogo democrático. O PT ganhou quatro eleições. Tá na hora de perder? Perca para o Alckmin."
Haddad disse também que quando estava no ministério da Educação conversava com o também ex-ministro Paulo Renato Souza (1945-2011) sobre as (poucas) divergências na condução da pasta.
Para Janine Ribeiro, no entanto, é tarde para uma reaproximação com os tucanos. "Entre estes atores, não. O PSDB hoje tem 29 deputados."
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