Kleber Bambam e o twitter de Bolsonaro: por que a economia não sai do paredão?
Para Adolfo Sachsida, secretário de política econômica do Ministério da Economia e fã do Big Brother Brasil, problema está no desajuste fiscal herdado das gestões petistas, e não nas polêmicas do Twitter

Kleber Bambam foi o vencedor da primeira edição do Big Brother Brasil, o reality show exibido na TV Globo. Para quem não se lembra ou não assistiu ao programa, Bambam ficou conhecido por passar quase todo o tempo confinado na casa do lado de uma boneca feita de sucata, batizada por ele de Maria Eugênia.
Quando a produção do programa tirou a boneca da casa, Bambam desatou a chorar em frente às câmeras, e não parou até que a devolvessem. O gesto comoveu os espectadores e até hoje é lembrado pelos fãs do BBB.
Um deles, quem diria, é Adolfo Sachsida, secretário de política econômica do Ministério da Economia. O economista com pós-doutorado na Universidade do Alabama fez a revelação durante uma palestra na quinta-feira em um evento para investidores em São Paulo.
[captacao]
Eu estava na plateia e confesso que fiquei surpreso com a referência ao reality show, ainda mais vinda de um dos liberais e acadêmicos mais graduados da equipe do ministro Paulo Guedes.
Questionado se faltou foco ao governo nos primeiros meses, Sachsida respondeu que o problema do país não é o Twitter, a rede social preferida de Bolsonaro e responsável por algumas das polêmicas nas quais o presidente se envolveu.
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“Será que a gente não está criando um estresse descomunal por um escovão?”, disse Sachsida, ao contar ao público a história da boneca do Bambam.
O secretário atribuiu o atual quadro de estagnação do país aos anos de desajuste fiscal dos governos petistas. “Foram adotadas medidas desastrosas do ponto de vista monetário e fiscal de 2007 a 2016.”
Ele citou como exemplo dessa política a reforma do estádio Mané Garrincha para a Copa de 2014, que além do custo bilionário ainda gera uma despesa de manutenção de R$ 60 milhões por ano. “Se o governo tivesse queimado dinheiro seria melhor.”
Com ou sem Twitter, um dos desafios da equipe que assumiu o comando da economia em janeiro é corrigir essa má alocação de recursos e tirar o Brasil do paredão. Ou, como disse Salim Mattar, responsável pelo programa de privatizações do governo, tirar a locomotiva do brejo e colocá-la de volta aos trilhos.
A gestão Bolsonaro é a primeira assumidamente liberal a assumir os destinos da economia brasileira. Mas quem ficou ansioso para ver logo algum resultado dessa mudança de direção deve ter ficado frustrado.
As fichas foram todas colocadas na (necessária e urgente) reforma da Previdência. Poderia ser diferente? Talvez, se em vez de enviar uma proposta nova e recomeçar a tramitação do zero o governo decidisse levar adiante o projeto da gestão Temer, que estava pronto para ser votado no plenário da Câmara.
O atraso pode até compensar no longo prazo se o saldo final for a aprovação do “R$ 1 trilhão do Guedes”. Mas seja qual for o resultado, o fato é que teremos mais um ano praticamente perdido. Para um país com 13,4 milhões de pessoas em busca de emprego, fico em dúvida se o governo podia se dar a esse luxo.
Com as atenções voltadas para a Previdência, as medidas da agenda liberal na economia devem ficar para depois. Até agora tivemos apenas uma “palhinha” com a Medida Provisória nº 881, a tal “MP da Liberdade Econômica”.
Com pouco menos de seis meses de governo, seria mesmo injusto cobrar resultados dos liberais de Paulo Guedes. É só lembrarmos que o time montado pelo então ministro Fernando Henrique Cardoso no governo Itamar Franco atuou um bom tempo nas sombras até tirar o Plano Real da cartola.
O problema é que mais de duas décadas separam os dois governos. De lá para cá, a sociedade se tornou muito mais imediatista. E, em tempos de Big Brother e redes sociais, é quase um dever cívico ficar o tempo todo de olho nas autoridades de Brasília.
E você, acha que já deu tempo para avaliar o desempenho da economia no governo Bolsonaro? Deixe seu comentário logo abaixo – ou no Twitter, é claro.
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