Lula e Trump: a “química excelente” que pode mudar a relação entre o Brasil e os EUA
Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia do Ibmec, analisa os efeitos políticos e econômicos de um possível encontro entre os dois presidentes

O breve encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU chamou atenção não apenas pelo inusitado, mas pelas consequências que pode trazer à relação Brasil-Estados Unidos. Em apenas 39 segundos, os dois presidentes falaram em uma “química excelente”, abrindo espaço para especulações sobre uma possível mudança no tom diplomático entre os países.
No entanto, as dificuldades para transformar esse gesto em uma agenda concreta expõem fragilidades da diplomacia brasileira. O governo hesita em assumir riscos e demora em marcar um encontro oficial com Trump, o que pode comprometer oportunidades de negociação.
Quem analisa o cenário no episódio do Touros e Ursos desta semana é Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia do Ibmec São Paulo. Ele destacou que a iniciativa do presidente norte-americano foi positiva, mas que o Brasil parece ter medo de encontros, e isso é um péssimo sinal para a diplomacia.
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“Quando vi o Mauro Vieira, que é o nosso chanceler, comentando que talvez esse encontro não devesse ser presencial, eu pensei: se o diplomata-chefe está receoso, esse encontro não vai acontecer como deveria. E isso tem se confirmado”, afirmou Pires.
O encontro entre Trump e Lula
Segundo o professor de RI, o gesto de Trump surpreendeu até sua própria equipe. “Foi de improviso, mas entrou no discurso oficial dele, com menções muito positivas”, afirmou. Pires avalia que esse aceno deveria ser aproveitado, ainda que em território considerado hostil, como o Salão Oval da Casa Branca.
Para ele, o governo brasileiro perdeu tempo. “Se a gente olhar bem, o Trump colocou até a data. Falou: "olha, na próxima semana. Nesse caso, a diplomacia podia tentar adiar a permanência em Nova York e costurar o encontro, mas teria que acontecer no Salão Oval”, disse.
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O professor lembrou ainda que, além de aliviar a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros, Lula poderia usar o encontro para mostrar liderança internacional. “É a primeira vez que um presidente brasileiro não controla a própria agenda. Essa é a oportunidade de retomar o protagonismo”, disse.
Questões judiciais no radar
Sobre as dificuldades da pauta desse encontro, a carta enviada por Trump em julho colocou temas delicados na mesa de negociação, entre eles a situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse ponto, Pires acredita que são termos que dificultam a tratativa, mas não inviabilizam. Na sua opinião, o Brasil teria que ceder mais economicamente para compensar a dimensão política.
Além disso, o professor afirma que os secretários de Trump, como Marco Rubio e Scott Bessent, dificultam mais essa tratativa do que o próprio presidente norte-americano.
“A família Bolsonaro pode até perder espaço, mas não dá para esperar pragmatismo total. Há um núcleo ideológico dentro do governo norte-americano que não deixaria passar”, afirmou.
Touros e Ursos da semana
No quadro que dá nome ao podcast — em que os “touros” são os destaques positivos e os “ursos” são os negativos —, a Braskem foi nomeada um urso após ver suas notas de crédito rebaixadas pela Fitch e pela S&P, refletindo o risco crescente de calote.
Nesse mesmo caminho, a Ambipar também entrou como urso, após pedir proteção contra credores e ver sua nota de crédito ser rebaixada para um nível equivalente ao de calote.
Entre os Touros, o Ibovespa brilhou novamente ao renovar a pontuação recorde e atrair fluxo estrangeiro.
O episódio também trouxe um touro fora da economia: o skatista Sandro Dias, o Mineirinho, que desceu uma mega rampa de 70 metros em Porto Alegre, atingindo 104 km/h e quebrando dois recordes mundiais.
Veja detalhes dos Touros e Ursos e o episódio completo no YouTube:
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