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entrevista

‘Falta aos EUA definirem o Brasil na OCDE’, diz secretário-geral da organização

Angel Gurría explica que não está em questão a existência de um apoio do governo Trump ao Brasil, mas sim a maneira como o suporte será sinalizado

Imagem: IFF / Youtube / Reprodução

"O Brasil já é da família", afirma o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, ao falar sobre o processo de entrada do País ao grupo. Como obstáculo à adesão do Brasil, no entanto, está a posição dos Estados Unidos, segundo o secretário-geral.

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Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, concedida durante sua viagem a Washington para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gurría explica que não está em questão a existência de um apoio do governo Trump ao Brasil, mas sim a maneira como o suporte será sinalizado.

Há 10 dias a Bloomberg revelou que, em agosto, o secretário de Estado, Mike Pompeo, enviou carta à OCDE na qual manifesta o apoio dos EUA à entrada da Argentina e da Romênia. Os EUA têm defendido um plano lento de expansão do órgão, contrário ao cronograma defendido pelos europeus que abarcaria previsões e plano de adesão dos seis candidatos atuais. A posição americana prejudica o Brasil.

Gurría disse que a menção à Argentina e à Romênia como primeiros no processo de adesão não deveria ser uma surpresa. A questão é a ausência de referência aos demais candidatos - o que implica em um impasse com os outros 35 membros da OCDE.

Ele também disse que, pela organização, não há limite à quantidade de membros que podem iniciar o processo de entrada.

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Leia os principais trechos da entrevista:

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Qual é o estado atual do processo de adesão do Brasil à OCDE, considerando a carta do secretário de Estado, Mike Pompeo, em agosto?

Primeiro, Argentina e Romênia estiveram na lista desde dezembro do ano passado. Isso não deveria ser uma surpresa. Segundo, mesmo depois de o presidente Bolsonaro se encontrar com o presidente Trump, era entendido que Argentina e Romênia iniciariam antes. Mas não se disse nada (na carta) sobre os outros países que aplicaram. Essa é a chave da questão. A questão é como vamos nos referir agora aos outros países para sinalizar que haverá alguma discussão posterior. Acho que todo mundo entende o que o presidente dos EUA afirmou a Bolsonaro em março, e eu pessoalmente fui uma testemunha em Osaka (durante encontro do G-20, em junho) que o presidente confirmou isso. Ele confirmou novamente (após a carta se tornar pública), assim como secretário de Estado. Mas a questão agora é como isso começa.

Se os EUA estão apoiando o Brasil, o que o sr. define como obstáculo em termos da posição americana?

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O que temos é o que você já sabe. Você teria que fazer essa pergunta para os Estados Unidos. Temos o número de candidatos colocado e diferentes formas de abordar. Não tenho uma resposta sobre qual é o problema. Pode inclusive não ser um problema, mas uma questão de quem vai primeiro.

A carta do Pompeo não foi uma surpresa então?

Os EUA têm sido bastante consistentes nisso. A questão que não está definida e que os países estão discutindo agora é como fazer essa referência aos outros candidatos. Isso é a chave de um próximo acordo.

Isso significa que um acordo que satisfaça os 36 países precisará incluir a referência aos seis candidatos?

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Quem vem depois e como vamos fazer? Como vamos lidar com isso? O que precisamos é de precisão para saber como vamos proceder com os outros quatro candidatos além de Argentina e Romênia.

Pela OCDE não há, portanto, algum tipo de limitação à quantidade de países que iniciam o processo de adesão?

Não, estamos falando de seis no total, dos quais dois estão nessa indicação dos EUA. Nós podemos administrar o processo de entrada de dois, três, quatro, cinco. Mas os membros desejam também um processo mais ou menos coordenado, sequencial.

O governo brasileiro afirma que o País é o candidato com maior número de requisitos cumpridos para acessar a OCDE.

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Sem dúvida, tem razão. O Brasil é o País que tem aderido a maior número de instrumentos da OCDE e que é membro de mais comitês. É muito inteligente da parte do Brasil, o Brasil já é da família. O final do processo vai avaliar todas essas condições e isso vai ajudar o País quando iniciar formalmente a adesão.

O que ainda falta ao Brasil na avaliação da OCDE?

Acredito que falta somente definir entre os membros, e particularmente os EUA, como será para fazer referência para os outros candidatos, incluindo o Brasil.

Como o sr. vislumbra a solução então para essa situação?

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Temos um bom consenso, estamos trabalhando para definir isso, mas acredito que não há dúvida. Todos os países estão avaliados pelo conselho. Independentemente do momento de começar com o processo formal, já estamos encurtando o processo futuro.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo 

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