Guedes na Câmara será teste de insatisfação com o governo
Ministro da Economia encara deputados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em evento que pode dar boa medida se o novo lema “tudo pela paz” vai funcionar

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fará uma esperada participação em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Guedes será o primeiro representante de primeiro escalão do governo a sentir de perto o calor e a receptividade dos deputados à reforma da Previdência.
A sessão está prevista para as 14 horas e essa será a primeira vez que Guedes deverá encontrar oposição à sua excelente retórica. Até então, o ministro vinha pregando para convertidos, falando em eventos de empresários, gente do mercado ou da academia. Ontem, ouviu queixa dos prefeitos, mas de forma civilizada e não contra sua pessoa, mas sim contra a articulação do governo.
Na comissão, os deputados também terão direito ao uso da palavra e como a sessão será concorrida e terá ampla cobertura midiática, podemos esperar momentos de exaltação e saudáveis bate-bocas entre líderes do governo e da oposição, que aliás nem tem dado trabalho para o governo. Se ninguém defender o ministro dos inevitáveis ataques, será um péssimo sinal.
A sessão também será um teste para o novato presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), em comandar a comissão e colocar ordem no plenário quando necessário. Podemos dizer que o evento também é um teste para o próprio Guedes, que é visto por parte do antigos colegas como pouco paciente.
Pela ordem, sr. presidente!
Como Guedes não deve somar novidades a sua já conhecida e aguerrida defesa da reforma, será mais interessante observar a postura dos deputados presentes como uma tentativa de avaliar se a estratégia de “procurar a paz por meio da interlocução” com o Congresso tem chance de prosperar.
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Depois de rusgas com o presidente da Casa, Rodrigo Maia, em torno do que seria a nova e a velha política em termos de negociação com o Congresso, Bolsonaro, por meio de seu porta-voz, parece ter feito um breve recuo ou gesto de boa vontade ao se dizer disposto a dialogar com Maia e com o restante do parlamento.
Dialogar é sempre bom, mas ainda não está claro como o presidente vai atender às demandas legítimas, descartar barganhas pouco republicanas e, como disse o líder do PSL, delegado Waldir, assumir a paternidade da reforma, com seus ônus e bônus.
Discutimos aqui que Bolsonaro não parece disposto a ceder ao que chama de velha política, que levou dois ex-presidentes à cadeia. Ontem, o próprio Guedes falou que “não pode ter toma lá, dá cá. Mas tem que tem conversa”, depois de falar que Bolsonaro não quer dançar de rosto colado, mas que ele terá de dançar.
DANÇA DAS CADEIRAS
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