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Análise

Bolsonaro dá “canelada interna” em Paulo Guedes

Em conversa com jornalistas, presidente rifa modelo de capitalização na Previdência

Paulo Guedes
Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Enquanto em Campos do Jordão (SP), o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendia a reforma da Previdência e sua postura na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aqui em Brasília o presidente Jair Bolsonaro desferia uma “canelada interna” contra o ministro.

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Em conversa com jornalistas, segundo nos informa o “Estadão”, Bolsonaro disse que “vai ter reação. Eles vão tirar” a capitalização da proposta. Disse, ainda, que a adoção do modelo ficaria para um “segundo turno”, sugerindo deixar o projeto “menos complicado”.

A perplexidade com tal fala do presidente não é só minha, pois outras pessoas com quem conversei dentro e fora do governo também ficaram sem entender essas declarações. Ainda mais depois de Guedes ter ido literalmente para a pancadaria na CCJ defender o modelo de capitalização.

Todo o esforço de comunicação e convencimento de Guedes é para explicar que a reforma da Previdência ou Nova Previdência tem duas etapas. Uma para salvar o modelo atual, ou o avião cheio de bombas como Guedes costuma dizer.

A outra etapa é lançar um sistema previdenciário sem bombas-relógio e que poderia deixar o país uns 20 ou 30 anos sem se preocupar com a questão. Além disso, o novo modelo também revisaria encargos trabalhistas, impulsionando o mercado de trabalho.

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“Financiar a aposentaria do idoso desempregando trabalhadores é uma forma perversa de financiar. Cobrar encargos sobre a folha de pagamento é uma condenação. 40 milhões de brasileiros estão excluídos, expulsos do mercado formal. São bombas de destruição em massa”, disse Guedes na CCJ.

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Na PEC enviada ao Congresso não está a definição do modelo de capitalização. Guedes passou horas explicando isso. O que consta é a previsão legal, a autorização, para que o governo e o Congresso possam desenhar esse modelo, que seria regulamentado fora da Constituição, via projetos de lei. Os representantes eleitos não perderiam protagonismo.

Não é maldade de Guedes ou sanha dos bancos e rentistas, como diz a oposição, deixar essas regras fora da Constituição, mas sim permitir que o país possa reagir de forma mais célere às inevitáveis mudanças que vão ocorrer na demografia e no mercado de trabalho.

A forma mais simples de entender a capitalização, usando as palavras do próprio Guedes, é colocar o juro composto para trabalhar pelos trabalhadores. “Somos solidários, mas não podemos ser contra a aritmética, contra o juro composto”, disse o ministro.

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Guedes também já disse, mais de uma vez, que se o Congresso desidratar muito a proposta inicial, que prevê R$ 1 trilhão em economia em 10 anos, teremos uma reforma, mas não a capacidade de fazer uma Nova Previdência.

É aqui que Guedes fala da necessária coragem dos contemporâneos em não condenar o futuro de filhos e netos deixando-os embarcar em um avião que vai cair (modelo atual).

Ele compara o projeto ao lançamento de um foguete de dois estágios. A economia prevista seria o combustível necessário para lançar o segundo estágio, a capitalização, que tem um inerente custo de transição.

Ainda de acordo com o “Estadão”, Bolsonaro disse que já deu muitas "caneladas" na vida, mas não considera necessário viver se desculpando por isso, ao comentar os problemas enfrentados para obter apoio no Congresso.

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Seria interessante ele tentar se desculpar ou menos explicar o motivo dessa nova “canelada interna”. A primeira foi quando o presidente, também em conversa com jornalistas, disse que o projeto tinha gorduras e acenou redução da idade mínima.

Para encerrar, ainda sobre a ida de Guedes à CCJ, a líder no governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann, tuitou uma frase de Guedes durante o evento em São Paulo.

https://twitter.com/joicehasselmann/status/1114164546854322177

*Com Estadão Conteúdo

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