A Oi sairá do ‘Hotel California’?
O clássico dos Eagles traz uma balada gostosa, quase romântica, para apresentar um local “acolhedor” para quem viaja perdido no deserto: “Welcome to the Hotel California. Such a lovely place. Such a lovely face…”. Adorava essa música quando criança e me surpreendi com a tradução quando aprendi inglês. O Hotel California é uma espécie de […]

O clássico dos Eagles traz uma balada gostosa, quase romântica, para apresentar um local “acolhedor” para quem viaja perdido no deserto: “Welcome to the Hotel California. Such a lovely place. Such a lovely face…”. Adorava essa música quando criança e me surpreendi com a tradução quando aprendi inglês. O Hotel California é uma espécie de miragem que esconde um pesadelo. Um lugar que você entra, mas não consegue sair.
Lembro do Hotel California quando penso na lei de recuperação judicial brasileira. Olhando de longe, parece o paraíso para os desesperados. As empresas endividadas ganham um “fôlego” para se reerguer e pensar em um plano de salvamento. Nesse período, não precisam pagar os credores. É como se a seleção brasileira pudesse pedir “tempo” no jogo contra a Alemanha depois do terceiro gol em vez de levar mais quatro na sequência. Dificilmente o Brasil teria uma virada, mas dava para esfriar a cabeça.
Lá nos EUA, grandes empresas, como GM e American Airlines, já entraram e saíram do “Chapter 11”, a regra que inspirou a lei de recuperação judicial brasileira. Por aqui a situação se mostrou bem diferente. Em 2013, fiz uma reportagem sobre um levantamento de 4.000 empresas que tinham pedido RJ desde 2005. Só 45 saíram recuperadas do processo. Boa parte faliu e a maioria entrou em uma espécie de limbo jurídico. Faça as contas: é só “aquele 1%” que se salva.
Daí vem o meu ceticismo quando alguém aposta na recuperação de uma empresa quebrada. Eis a minha surpresa quando ninguém menos que o fundo de George Soros, o megainvestidor de Wall Street, mais que dobrou sua participação na Oi... Achei melhor investigar o que está acontecendo na empresa.
A repórter Daniele Madureira mergulhou a fundo no caso Oi - para quem não sabe, a empresa está em recuperação judicial desde 2016, com dívidas de R$ 65 bilhões. O drama virou um “novelão” com direito a briga de sócios, trocas sucessivas de presidente e registro de ameaças em atas de reuniões corporativas. O que Soros viu nessa empresa?
A Daniele descobriu que outros nomes importantes do mercado também apostam na recuperação da companhia, mas que o processo é para lá de arriscado. Se você quiser comprar ação da Oi, sugiro fortemente que você leia a reportagem da Dani para saber quais as chances de a tele sair desse “Hotel California” - e quanto você pode ganhar se isso de fato acontecer.
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Temperatura em Brasília
O tamanho do impacto do caso envolvendo o vazamento de conversas do ministro Sergio Moro ainda não tem consenso entre atores da política e do mercado. Mas um termômetro pode pode vir ainda hoje com a votação do projeto que autoriza o governo a captar até R$ 248,9 bilhões para arcar com despesas correntes. O Eduardo Campos está de olho no desenrolar do caso em Brasília e faz uma análise do panorama político.
Mais um ano de turbulência
Muitos investidores são avessos a ações de companhias aéreas. Há uma razão para isso: o setor é muito sensível a fatores alheios à gestão dos executivos, como câmbio, preço do petróleo, demanda, regulação e até mesmo o clima. 2018 foi mais um ano de prejuízo para as empresas. Segundo dados da Anac, as perdas somaram R$ 1,9 bilhão. Confira os números.
Água no saquê
Quem esperava um acordo comercial entre China e EUA na reunião do G20 no fim do mês no Japão pode se decepcionar. O Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, falou à emissora CNBC hoje que não há um acordo no radar. A declaração é água no chope (ou no saquê) dos mercados.
A Bula do Mercado: atenção aos três poderes

Com a história do vazamento das mensagens do ministro Sergio Moro, o mercado doméstico deve ter cautela e andar descolado do exterior. O temor é que o caso atrase votações importantes no Congresso, como a do crédito extra de R$ 248,9 bilhões, que o Executivo queria ver aprovado hoje.
Na Câmara, permanece o receio de diluição do texto original da reforma da Previdência, com o adiamento para quinta-feira da apresentação do parecer na comissão especial. No Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro se reúne hoje com Moro. As atenções em Brasília se voltam também para o STF. A Segunda Turma volta a discutir o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula.
Até que tudo seja resolvido, a cena política deve continuar mexendo com os preços dos ativos locais. Ontem, o Ibovespa fechou o dia em baixa de 0,36%, aos 97.466,69 pontos. O dólar subiu 0,18%, a R$ 3,8838. Consulte a Bula do Mercado para saber o que esperar de bolsa e dólar hoje.
Um grande abraço e ótima terça-feira!
Agenda
Índices
- Reino Unido divulga taxa de desemprego no país no trimestre até abril
- China anuncia resultado de inflação em maio
Mercados
- Cade realiza sessão ordinária em Brasília
Política
- Governadores fazem reunião em Brasília para debater inclusão dos Estados na reforma da Previdência
- Comissão Mista de Orçamento vota projeto sobre crédito suplementar ao governo
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