Sabe quem é a bola da vez no mercado americano? A boa e velha Microsoft
A Microsoft reportou resultados trimestrais fortes e, com isso, suas ações atingiram uma nova máxima histórica. E analistas veem mais espaço para as ações da empresa fundada por Bill Gates continuarem subindo

Numa noite do longínquo 1994, o jovem Victor Aguiar estava uma pilha de ansiedade. Meu pai estava a caminho de casa e trazia consigo uma máquina de última geração: um computador. Mais precisamente, um poderoso 486 equipado com o Microsoft Windows 3.11.
Era uma ocasião marcante: aquele seria o primeiro PC de nossa casa. E, numa época bem anterior à internet, o universo da computação ainda estava envolto numa aura de mistério e aventura — ao menos para o jovem Victor Aguiar, que não via a hora de explorar aquele mundo.
Passados 25 anos, é um pouco engraçado lembrar disso. Afinal, hoje os computadores ocupam um papel tão importante em nossas vidas que sequer paramos para pensar em sua presença — aqui na redação do Seu Dinheiro, por exemplo, há dezenas de computadores e sabe-se lá quantos smartphones. Muita coisa mudou de lá para cá.
Uma das poucas variáveis que permaneceram constantes nesse mundo é o papel da Microsoft. Apesar de outras gigantes terem emergido no setor de tecnologia nas últimas décadas — como a Apple, o Google ou o Facebook —, a empresa fundada por Bill Gates conseguiu se sustentar como um dos pilares desse universo.
Não é fácil se manter relevante por tanto tempo, ainda mais num segmento particularmente competitivo e inovador, como o de tecnologia. Mas a Microsoft dá sinais de que ainda permanecerá no topo por bastante tempo — e o mercado financeiro dá um voto de confiança à veterana.
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Nesta sexta-feira (19), as ações da Microsoft chegaram a subir 3,1% na máxima, a US$ 140,65 — uma nova máxima intradiária para os papéis. Ao fim do dia, os ativos perderam força e fecharam com leve ganho de 0,15%, a US$ 136,62 — o maior nível de fechamento é de US$ 138,90, no dia 15.

Mas, apesar de as ações terem encerrado longe das máximas, os ganhos desta sexta elevaram o valor de mercado da Microsoft para US$ 1,047 trilhão — na máxima, chegou ao nível de US$ 1,06 trilhão. Com isso, a empresa segue confortavelmente na liderança da tabela das companhias mais valiosas do mundo.
Essa nova dose de otimismo em relação à Microsoft está relacionada ao balanço trimestral da empresa, reportado na noite de ontem. Os agentes financeiros projetavam bons resultados para a gigante, mas foram surpreendidos pela força dos números.
Nas nuvens
Indo direto ao ponto: a Microsoft terminou o trimestre encerrado em 30 de junho com lucro líquido de US$ 13,1 bilhões, um crescimento de 48,6% em relação ao resultado obtido no mesmo intervalo do ano anterior, de US$ 8,8 bilhões. A receita líquida também melhorou: avanço foi de 12% na mesma base de comparação, para US$ 33,7 bilhões.
As cifras, por si só, dão um sinal da força da empresa fundada por Bill Gates. No entanto, um olhar mais detalhado a respeito dos resultados setoriais da Microsoft trouxe ainda mais otimismo aos mercados — em especial, no setor de computação em nuvem, ou seja, o gerenciamento e armazenamento remoto de dados.
Dos US$ 33,7 bilhões de receita, o segmento de computação em nuvem — considerado como fundamental para a empresa no médio e longo prazo — foi responsável por gerar US$ 11,4 bilhões, um aumento de 18,6% em um ano. A divisão de produtividade e processos corporativos respondeu por US$ 11 bilhões (+14,3%) e a área de computação pessoal obteve US$ 11,3 bilhões (+4,3%).
Com o fortalecimento da geração de receita em todas as suas divisões, em especial a de computação em nuvem, a Microsoft encerrou o trimestre com lucro operacional de US$ 12,4 bilhões, um crescimento de 19,5% na base anual.
Rumo aos céus
"A Microsoft superou as expectativas em todas as categorias e o segmento de computação nas nuvens continua sendo um forte catalisador de crescimento", escreve Daniel Ives, analista da Wedbush, em relatório publicado nesta manhã. A casa possui recomendação de compra para as ações da companhia, com preço-alvo de 12 meses em US$ 160.
Ives ressalta que os fortes resultados representam um ponto de inflexão para a Microsoft, uma vez que, a partir de agora, mais e mais empresas passarão a escolher a companhia para os serviços de nuvem — a Amazon e o Google também competem nesse setor. "Esse trimestre foi um completo estouro", diz o analista.
Quem também mostrou-se muito impressionado com o balanço da Microsoft foi o Raymond James. Em relatório, o analista Michael Turits diz que companhia fundada por Bill Gates estabeleceu uma forte vantagem competitiva como uma das principais fornecedora de serviços em nuvem em larga escala.
Com os resultados, o Raymond James elevou o preço-alvo para os papéis da Microsoft, de US$ 160 para US$ 163, e reiterou a recomendação de "forte compra" para os ativos.
Por fim, o analista Mark Murphy, do J.P. Morgan, também assume uma postura otimista em relação à Microsoft, citando as boas perspectivas para a empresa nos próximos anos. A instituição possui recomendação de compra para as ações e elevou o preço-alvo de US$ 145 para US$ 155.
No topo do ranking
Eu posso dizer que tenho uma coisa em comum com o bilionário Bill Gates: nós dois somos fãs fervorosos do tenista Roger Federer. E a Microsoft parece se espelhar no suíço, já que consegue se sustentar entre as líderes do ranking de companhias de maior valor de mercado há anos.
Veja só: Federer chegou à liderança do ranking mundial de tenistas em 2004 e, desde então, nunca se distanciou muito do topo — os outros jogadores que compunham o top 5 em 2004 já se aposentaram. A Microsoft tem uma trajetória semelhante.
Voltemos dez anos no tempo. Segundo o Financial Times, o top 5 de valor de mercado em junho de 2009 era composto por PetroChina, Exxon Mobil, ICBC, Microsoft e China Mobile, nesta ordem.
E em 19 de julho de 2019, como está a lista? Conforme já foi dito, a Microsoft é a número 1, com valor de mercado de US$ 1,047 trilhão, seguida por Amazon (US$ 967,2 bilhões), Apple (US$ 932,1 bilhões), Alphabet (US$ 784,9 bilhões) e Facebook (US$ 566,2 bilhões).
Ou seja: de lá para cá, apenas a empresa fundada por Bill Gates se sustentou entre os líderes. E, a depender da visão dos analistas, a Microsoft deve permanecer no alto por um bom tempo.
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