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Bolsa e dólar hoje

Ibovespa encerra mês com queda forte

Os fatores da baixa foram o exterior ruim, o PIB fraco, a Petrobras. Mas a cereja do bolo foi Bolsonaro dizendo que a idade mínima para aposentadoria de mulheres ser negociada

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28 de fevereiro de 2019
10:25 - atualizado às 9:56
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Castello Branco, da Petrobras, criticou a Lei das SA que obriga a empresa a pagar um mínimo de dividendos. - Imagem: Seu Dinheiro

No último dia de fevereiro, a Bolsa de Valores de São Paulo decidiu se jogar num poço de negatividade. Chegou a cair 2%. Fechou a 1,77% com 95.584 pontos. Com isso, a Bovespa terminou o mês com perda acumulada de 1,86%. O dólar acompanhou o fortalecimento da moeda americana frente a outras divisas emergentes e fechou o dia em alta de 0,62%, a R$ 3,75. Em fevereiro, o acumulado revela ganhos para a moeda de 2,58%.

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O dia teve um caldeirão de fatores ruins que puxaram o Ibovespa para baixo: primeiro, o noticiário internacional, com temores relacionados a questões geopolíticas e ao crescimento econômico. As trapalhadas com a reforma da Previdência também foram um fantasma soprando gelado na espinha do investidor. No começo da tarde, o temor virou paúra: em conversa com jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro falou que a idade mínima de 62 anos para as mulheres, proposta na reforma da Previdência, é um ponto passível de mudança. E isso não caiu bem no mercado. Denotou que ainda falta ao governo estratégia e coordenação para tratar do tema. Foi nessa hora que a Bolsa teve seu pico que queda.

Petrobras: também não ornou

Como se não bastasse tudo isso, o resultado do balanço da Petrobras, que saiu de prejuízo para lucro no quarto trimestre, poderia dar algum alento ao Ibovespa, porém, a queda do petróleo no exterior talvez limite essa expectativa. Com isso, a ON teve baixa de 2,64%, e a PN, 0,07%.

Para piorar ainda mais, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, em teleconferência com analistas de mercado para apresentar o resultado financeiro de 2018, criticou a Lei das SA que obriga a empresa a pagar um volume mínimo de dividendos. Isso pegou muito mal. "Nós não somos uma utility", disse ele, acrescentando em seguida que, apesar de discordar, a companhia cumprirá  a exigência legal.

"Uma empresa endividada como a Petrobras deveria pagar menos dividendo e criar valor. Mas somos obrigados a pagar dividendo mínimo e continuaremos assim", disse Castello Branco.

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Produto Interno Delicado

O PIB brasileiro, divulgado hoje, também não ajudou. Com crescimento de 1,1% em 2018, no piso do intervalo das estimativas dos analistas, deixou uma herança desfavorável para o dado de 2019, com instituições já cortando as previsões deste ano, entre elas JPMorgan e Rabobank. Alguns analistas ponderam que ainda que a Previdência seja aprovada, pode ser insuficiente para acelerar a economia.

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As ações da EDP Energias do Brasil recuaram 7,04%, apesar da alta de 161% no lucro líquido do quarto trimestre, para R$ 524 milhões. O avanço no lucro foi basicamente devido à venda de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), da ordem de R$ 340,58 milhões, e da Santa Fé, registrados no quarto trimestre do ano passado. Quando retiramos esse valor, o Ebitda ajustado ficou abaixo do consenso. Além disso, desde janeiro, a ação já subiu 26% e diante do resultado mais fraco, abre espaço para uma correção mais acentuada.

Ambev valendo menos

Destacando-se entre as maiores perdas do Ibovespa, com baixa de 6,15%, a Ambev divulgou queda de 17,3% no lucro líquido ajustado consolidado no quarto trimestre de 2018, de R$ 3,724 bilhões. A empresa perdeu tanto que seu valor de mercado encolheu R$ 74,8 bilhões em um ano. Há exatamente um ano, a cervejaria valia R$345,6 bilhões. Hoje está em R$270,8 bilhões.

O resultado divulgado foi impactado negativamente por despesas financeiras maiores, que afetaram o ritmo de crescimento do Ebitda orgânico. A Ambev segue com dificuldades em manter o domínio do mercado brasileiro de cervejas, mais concorrido agora. No quarto trimestre, o volume de vendas no País caiu 2,1%. "O resultado foi uma amostra de que a busca da Ambev para recuperar a participação de mercado e as margens perdidas no Brasil pode levar tempo", escreveram os analistas do UBS, em relatório a clientes.

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Eletrobras no STF

A Eletrobras teve um dos piores desempenhos do Ibovespa. Hoje, a companhia informou que o julgamento sobre a correção dos empréstimos compulsórios da companhia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi reiniciado ontem. Porém, logo em seguida, foi suspenso com votos de quatro ministros contra a tese da companhia, enquanto dois foram favoráveis. A discussão da ação da Eletrobras contra a União envolve o empréstimo compulsório cujos valores são estimados em R$ 18 bilhões.

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, disse ontem que a companhia planeja endereçar neste ano uma solução para o empréstimo compulsório. O tema atualmente é alvo de provisões que somam R$ 18 bilhões, lembrou o executivo. Eletrobras ON caiu 8,01% e PNB recuou 4,37%.

Bancos no cheque especial

Os bancos voltaram a cair em bloco nesta quinta-feira influenciados por uma pior perspectiva econômica e cautela com a reforma da Previdência. As Units do Santander tombaram 4,14, as ON de Bradesco caíram 2,63%, enquanto as PN perderam 1,17%, as ON de Banco do Brasil baixaram 2,50% e PN de Itaú Unibanco desvalorizavam 1,89%.

Marfrig: lucrou, subiu

As ações ON de Marfrig tiveram avanço de 2,23%, após a empresa registrar o primeiro lucro desde 2010, de R$ 2,2 bilhões no quarto trimestre ante igual período de 2017. Os resultados foram impulsionados pelo recebimento dos recursos com a venda da subsidiária Keystone, concretizada em novembro, e pelo desempenho operacional positivo nas operações da empresa na América do Norte e na América do Sul.

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Mas a BRF...

...caiu 4,77%. Pelos resultados divulgados, em 2018, a empresa teve prejuízo de R$ 4,46 bilhões, quatro vezes maior que o de 2017, de R$ 1,1 bilhão. As perdas de 2017 eram, até agora, as maiores da sua história. Segundo a empresa, o prejuízo reflete as vendas de ativos na Europa, Argentina e Tailândia, além de despesas de quase R$ 1 bilhão atreladas à Operação Carne Fraca/Trapaça e da reestruturação corporativa que está em curso.

CSN: 30% mais

Depois de cair quase 4% ontem, a ação da CSN voltou a subir praticamente recuperando o preço de fechamento de terça. Desde a divulgação do balanço referente ao quarto trimestre de 2018, o papel acumula alta de quase 30%. CSN ON teve avanço de 3,15%, maior alta do Ibovespa. Já as outras siderúrgicas tiveram queda, com Gerdau PN (1,88%) e Usiminas PNA (2,23%).

Uma bolada par a Oi

Fora do Ibovespa, as ações PN da Oi subiram 4,65%m 5,23%, enquanto as PN tiveram alta de 4,07%. A Oi anunciou hoje uma vitória dupla numa disputa societária travada há anos nos bastidores da Unitel, maior operadora móvel de Angola, na qual tem 25% das ações. Ao todo, a Oi receberá US$ 666,2 milhões (ou o equivalente a R$ 2,4 bilhões pelo câmbio atual) dos demais acionistas e o direito de indicar a maioria dos membros do conselho de administração da empresa.

O tribunal, que realizou a arbitragem do caso no âmbito da Câmara de Comércio Internacional, determinou que a Oi deve receber US$ 339,4 milhões por abusos praticados pelos demais acionistas. A corte avaliou que os sócios da Unitel violaram o acordo de acionistas ao negar o direito da Oi de nomear a maioria dos membros do conselho de administração desde junho de 2006; realizar transações em benefício próprio; deixar de informar questões corporativas relevantes; e tentar suspender os direitos da Oi como acionista. O tribunal arbitral também estabeleceu que os demais acionistas deverão pagar US$ 314,8 milhões à Oi por dividendos abaixo do devido nos últimos anos, bem como US$ 12 milhões de honorários e custos legais do processo.

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 *Com Estadão Conteúdo

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