2019-06-07T18:41:36-03:00
Estadão Conteúdo
sem diversidade

Bolsonaro veta peça publicitária para o Banco do Brasil

Episódio também envolveu a saída do diretor de Comunicação e Marketing do banco, Delano Valentim

26 de abril de 2019
9:05 - atualizado às 18:41
Montagem do Bolsonaro e Banco do Brasil
Jair Bolsonaro e Banco do Brasil: peça de campanha foi vetadaImagem: Alan Santos/PR/Shutterstock

Uma campanha publicitária do Banco do Brasil dirigida para o público jovem, divulgando o serviço de abertura de conta corrente por aplicativo no celular, foi retirada do ar por recomendação do presidente Jair Bolsonaro. O episódio também envolveu a saída do diretor de Comunicação e Marketing do banco, Delano Valentim, que atualmente está de férias.

Estrelado por atores negros e brancos, numa representação da diversidade racial e sexual do País, a peça começou a ser veiculada no dia 1.º de abril e saiu do ar há cerca de duas semanas. Tinha 30 segundos, e podia ser vista em comerciais veiculados na TV e na internet. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada depois pela direção do Banco do Brasil.

Oficialmente, não foi apresentado um motivo para a retirada da propaganda. Bolsonaro procurou o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, para falar sobre a peça. Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, Novaes disse ter concordado com o pedido apresentado por Bolsonaro. Ainda segundo ele, a decisão para a saída do diretor de Comunicação e Marketing da instituição foi tomada de forma consensual.

"O presidente e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido. Saída do diretor em decisão de consenso, inclusive com aceitação do próprio", escreveu Novaes. O Palácio do Planalto disse que não faria comentários sobre o assunto.

Esta é a quarta vez que o governo Bolsonaro determina a retirada de peças de comunicação por discordar do seu conteúdo. A primeira medida ocorreu ainda no início de janeiro, quando o Ministério da Saúde determinou a suspensão da divulgação de uma cartilha voltada para população de mulheres trans, que estava no ar havia seis meses. De acordo com a pasta, o material publicitário trazia "incorreções técnicas".

Havia ali desenhos indicando como realizar o "pump", uma espécie de seringa invertida aplicada para aumentar o clitóris. A cartilha voltou a ser veiculada dias depois, mas já sem a ilustração. O esquema foi substituído pela descrição da prática e um alerta sobre riscos de lesões e infecções.

A retirada da cartilha provocou reação de especialistas em saúde e foi classificada por eles como retrocesso na política de prevenção do governo. Como no caso recente do Banco do Brasil, poucos dias depois da suspensão no site, a então diretora do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV/Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, foi exonerada do cargo.

Carnaval

No carnaval, houve o segundo veto. A campanha de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, ao contrário do que ocorria em anos anteriores, não fazia nenhuma referência a público gay. Como o jornal O Estado de S. Paulo mostrou, foram vetadas peças que mostravam casais do mesmo sexo. Em seu lugar, foi usado um material "genérico", uma atitude que também foi criticada por especialistas em prevenção de doenças. Em vez do clima festivo, a ideia foi reforçar a responsabilidade para a prevenção.

Em março, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que "mandaria recolher" uma caderneta voltada para adolescentes, com várias informações sobre saúde e calendário vacinal.

Também lançado no governo anterior, o material continha informações sobre sexualidade, mas, para o presidente, a leitura para crianças de 8 ou 9 anos "não ficava bem". O Ministério da Saúde, na ocasião, afirmou que a caderneta seria revista. Agora, a determinação é de que o modelo seja destinado apenas para adolescentes com mais de 14 anos. Para o público mais novo, será feito um novo material.

* Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

NOVO MODELO DE NEGÓCIOS

Varejo adota ‘loja-contêiner’ para fugir dos custos de shoppings e aluguéis; conheça o que são os estabelecimentos modulares

A estreante no formato é a Chilli Beans, de óculos de sol. “Acho que não teria uma Eco Chilli se não houvesse pandemia”, afirma o CEO, Caito Maia

NÃO MEXE NO MEU QUEIJO

Membros do mercado financeiro defendem Lei das Estatais em documento enviado ao ao Congresso; revogação seria ‘retrocesso’

O texto também cita o relatório de 2020 em que a OCDE afirma que a Lei das Estatais deixou os conselhos de empresas públicas mais independentes de interferências

NESTA SEGUNDA-FEIRA

Governador de São Paulo fará coletiva nesta segunda-feira após Bolsonaro aprovar isenção do ICMS sem garantia de compensação aos estados

O presidente da República vetou o fundo de ajuda aos estados após sancionar o teto do imposto estadual

SEU DOMINGO EM CRIPTO

‘Compre na baixa’ anima e bitcoin (BTC) busca os US$ 22 mil; criptomoedas aguardam semana de olho no Fed

Entre os destaques da próxima semana estão o avanço dos juros nos Estados Unidos e um possível default da Rússia

DE OLHO NO FUTURO

Goldman Sachs quer entrar no mundo da ‘renda fixa’ em criptomoedas e lidera grupo para comprar a Celsius por US$ 2 bilhões

O staking vem crescendo nos últimos meses e é motivo de certa preocupação após o caso da Celsius — e o banco de Wall Street quer um pedaço dele

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies