Investidor estrangeiro está em compasso de espera, diz presidente do braço de investimentos do BNP Paribas
Apesar de dizer que o Brasil está no caminho de um "círculo virtuoso na economia", Luiz Sorge enxerga riscos internos e externos no horizonte da renda variável

Ao renovar seu patamar máximo histórico por três vezes, a Bolsa retomou o protagonismo dos investimentos na semana passada, que também ficou marcada pela aprovação final da reforma da Previdência - um dos motivos do otimismo dos gestores. Mas, para o presidente do braço de investimentos do BNP Paribas, Luiz Sorge, o momento ainda é de cautela.
Apesar de dizer que o Brasil está no caminho de um "círculo virtuoso na economia", o executivo do banco enxerga riscos internos e externos no horizonte da renda variável e, por isso, evita projeções de curto prazo. "O investidor estrangeiro está em compasso de espera", diz ele, que tem R$ 60 bilhões sob gestão.
Como outra prova de moderação, destaca a prudência dos fundos de pensão, que ainda não viraram a chave da renda fixa. "Os institucionais estão com 10% a 20% na Bolsa", destaca. "A renda fixa continuará sendo o porto seguro do investidor."
A seguir, os principais trechos da entrevista.
O Ibovespa renovou níveis recordes. A aprovação da reforma da Previdência abriu alguma porta nova para os investidores?
Leia Também
Sem dúvida, e a tendência é de alta. Mas temos aí dois vetores: o do investidor local e o do global. No ano, a gente teve R$ 31 bilhões de saídas no mercado secundário e R$ 26 bilhões de entradas nos lançamentos, dois IPOs (sigla em inglês para oferta inicial de ações), o que dá um déficit líquido de R$ 5 bilhões. Isso significa que o investidor global está em compasso de espera. Sim, há uma redução na aversão a risco por parte do investidor local. Mas não dá para pensar que, somente com a animação do investidor local, a gente vá puxar de maneira mais consistente a Bolsa.
E como atrair esse investidor estrangeiro?
O Brasil precisa mostrar crescimento sustentável com controle de gastos (públicos). Além das reformas da Previdência e trabalhista, tem de ter um complemento com reformas micro, que já se iniciaram, com a Lei de Liberdade Econômica. Mas mesmo essa lei depende de regulamentações para ser implementada. Estava conversando sobre o Brasil com o pessoal das agências de risco. Para rebaixar ou promover a nota de um país, eles olham se o crescimento é sustentável, se a tendência de gastos do país versus o Produto Interno Bruto (PIB) está favorável. Isso tudo faz entrar em um círculo virtuoso e gera confiança nos investidores. O Brasil está tomando medidas para criar esse círculo virtuoso, mas ainda não começou a rodar, seja por inércia do crescimento, seja pela falta de confiança, seja por aspectos técnicos efetivos. Só o fato de dizer que o Brasil vai economizar R$ 800 bilhões com a reforma da Previdência não significa que vai mesmo economizar ou que o País entrou em uma tendência de queda da relação dívida/PIB.
Quando voltaremos a ver mais fluxo externo na Bolsa?
Infelizmente, o investidor deve voltar com a mesma velocidade do crescimento do Brasil, com uma inércia ainda pesada e olhando no detalhe o que está acontecendo no País. Espero uma volta para o médio prazo. Uma consistência maior em dois a três anos, mas com algum fluxo em 2020. Há dez anos, os fundos internacionais de países emergentes alocavam 16% do capital no Brasil. Hoje essa alocação é de 8%. China era 15%, hoje é 27%. O Brasil também foi ultrapassados pela Coreia do Sul, que hoje recebe 9% dos fundos, e por Taiwan, que tem 10%.
Nesta quarta, o Copom vai definir a taxa básica de juros, a Selic. O mercado espera um corte de 0,5 ponto porcentual. Qual a chance de o BC surpreender o mercado?
Chance sempre tem, mas não acredito. Todos os indicadores sugerem essa queda dos juros. O nível de atividade econômica está baixo, a inflação está baixa, tudo demanda ainda queda de juros, em linha com o que está acontecendo no mundo. Há espaço para queda e nossa visão é que (a Selic) chegue, até o fim do ano, a 4,5%.
Uma Selic a 5% ao ano coloca a caderneta de poupança e boa parte dos investimentos de renda fixa no zero a zero, quando descontada a inflação. O que vai acontecer com a renda fixa?
A renda fixa continuará sendo o porto seguro do investidor, mas talvez com a visão sofisticada, quer seja na poupança ou nos fundos, de um local para os recursos de curto prazo. Para o investidor ter uma rentabilidade destacada, vai ter de pensar em fundos de investimentos e outros elementos em um prazo um pouco mais alargado. Quanto mais novo o investidor e quanto mais de longo prazo for o seu objetivo, maior é o risco que ele vai ter de tomar.
E como ganhar mais na renda fixa?
Na renda fixa, há formas de gerar algum prêmio para o investidor com juros base baixos. As duas mais conhecidas são alongar a carteira (comprar títulos de longo prazo) e ficar mais suscetível a uma oscilação maior do valor dos títulos. Outra é alocar em fundos que investem em crédito corporativo, como as debêntures de empresas, ou as letras, emitidas pelos bancos. Mas é preciso que o investidor saiba no que está investindo, porque crédito tem risco de a empresa não pagar e tem marcação a mercado, o que pode fazer com que o investimento tenha, em um dia ou em um mês, um retorno negativo.
O sr. espera uma forte migração da renda fixa, que hoje é 86,5% dos investimentos locais, para a variável?
Isso vai depender do investidor institucional. Hoje, os fundos de pensão estão alocados em 10% a 20% em renda variável. No mundo, essa média é de 40% a 50% em aplicação em ações. Mas vamos supor que eles cheguem entre 30% e 40%, um aumento de 20 pontos porcentuais. Daí a gente está falando em um fluxo de R$ 200 bilhões só de fundos de pensão. Ou seja, acho que temos dois atores no mercado de ações que ainda não atuaram, o institucional e o internacional.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM
Ação da Marcopolo (POMO4) despenca 26% no ano e XP rebaixou para neutra; mas há 2 fatores que podem impulsionar a ação
17 de setembro de 2026 - 12:46ONDE APOSTAR NA BOLSA
Lula ou Flávio? Você não deve esperar as eleições para se posicionar nestas ações, segundo a Kinea
17 de setembro de 2026 - 9:01VISÃO DO GESTOR
Multimercados não morreram, mas o jogo mudou: XP Asset aposta em nova estratégia e até mudança nas taxas para voltar a dar retorno
17 de setembro de 2026 - 6:14FECHAMENTO DOS MERCADOS
Os 30 minutos que selaram o destino da bolsa em Nova York — e do Ibovespa — após a alta dos juros nos EUA
16 de setembro de 2026 - 17:15CONSOLIDAÇÃO DA CARTEIRA
Fundo imobiliário que rende IPCA+ 10%? Patria quer unir FIIs e criar gigante de crédito de R$ 4,5 bilhões
16 de setembro de 2026 - 13:01LATAM RETAIL SHOW 2026
FIIs são o ‘match perfeito’ para o setor de shopping centers, segundo gestores; saiba onde estão as melhores oportunidades
15 de setembro de 2026 - 21:19ESTRATÉGIA DOS ESTRANGEIROS
Os gringos estão de olho no Ibovespa, mas as eleições assustam; veja o que diz pesquisa com gestores que reúnem US$ 90 bi
15 de setembro de 2026 - 18:45RECOMENDAÇÃO DE COMPRA
Cyrela (CYRE3), Porto (PSSA3) e RD Saúde (RADL3): o que elas têm em comum e como podem saltar até 55%?
15 de setembro de 2026 - 16:40EM BUSCA DA ESTABILIDADE
Da Petrobras (PETR4) ao BTG (BPAC11) e Embraer (EMBJ3): as ações que o Citi escolheu para enfrentar a montanha-russa das eleições
15 de setembro de 2026 - 11:17INVESTIMENTO ESG
Energia limpa na Bolsa: novo ETF da Galapagos amplia aposta em empresas brasileiras e tem apoio do BNDES
14 de setembro de 2026 - 19:47PARA ONDE VAI A BOLSA
BofA está otimista e tem nova projeção para a Selic; banco já elegeu suas ações preferidas para investir em cenário mais positivo para juros
14 de setembro de 2026 - 19:07DÍVIDA NA CARTEIRA
FIIs de tijolo estão de olho na alavancagem e reduzem endividamento — mas um segmento vai na contramão; entenda o motivo
14 de setembro de 2026 - 17:10MERCADOS HOJE