🔴 [NO AR] TOUROS E URSOS: QUEM FICOU EM BAIXA E QUAIS FORAM AS SURPRESAS DE 2025? – ASSISTA AGORA

Do trade ao currency war: o objetivo verde é destruir o exército vermelho

O banco central dos EUA está com o dedo no gatilho para cortar sua taxa básica de juro. E o que acontece quando o Fed relaxa o juros? As pessoas saem do dólar e começam a comprar todo o resto, porque a moeda norte-americana é a contraparte clássica de qualquer outra coisa

28 de junho de 2019
10:52
Moeda, dinheiro, currency war
Moedas de diversos países - Imagem: Shutterstock

“Sai que é suUúûa, Alisson!” Teste pra cardíaco mesmo é ouvir o Galvão Bueno. Gente, como ele está desafinado. Amo o Casa, mas quando ouço o Galvão, sinto uma saudade do Cleber Machado…

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E vice-versa. Basta ver o Cleber (não na Margherita, aos domingos, onde ambos enchemos a pança de pizza e a cara de vinho, mas nas transmissões da Globo) para sentir saudade do Galvão também. A sensação é parecida com as empresas aéreas. Ao viajar pela Gol, morro de inveja da Latam. E quando viajo pela Latam, acho a Gol o máximo. Deram até nome científico para a coisa: viés de disponibilidade. Na minha adaptação do Millôr, “como são boas aquelas empresas que não conhecemos de perto”. Agora, querem me convencer a comprar ações da Azul (há gente boa neste call), mas a verdade, para mim, é que ser melhor do que Gol e Latam é muito pouco, quase nada.

Conclusões a partir de análises relativas são sempre um tanto complicadas. A ação X é mais barata do que a Y. Logo, vamos comprar X? Ora, X se ajusta a Y ou Y se ajusta a X? Ok, espertinho, já sei a réplica (breve nota técnica, que o leitor menos técnico pode pular sem qualquer prejuízo à mensagem geral de hoje): na dúvida sobre a forma pela qual se dará o suposto ajuste, desistimos da postura “long only” e montamos um pair trade. Compramos X e shorteamos (apostamos na queda) de Y, passando a nos importar apenas com o desempenho relativo entre ambas. Ah, perfeito. Daí, além de incorrer numa barbaridade de custos de transação, o sujeito se depara com alguma quebra estrutural e o que era para ser um trade “market-neutral” (sem sensibilidade às condições de mercado, importando apenas o relativo entre ambos) vira um duplo alfa — ele erra nas duas pontas. Qual é a narrativa atual para impedir os fundos de long & short de entrarem em extinção? Não bastou a indústria ter quebrado três ou quatro vezes?

Mas não quero falar disso. Hoje é o último dia útil do semestre. E deu para ganhar um bom dinheiro se você seguiu as indicações de comprar bastante Bolsa e juro longo — a Carteira Empiricus, por exemplo, acumula alta em torno de 14 por cento em 2019. Confesso ser um motivo de satisfação, porque cuidamos desse troço feito um filho. Agora, porém, pouco importa. O passado não se muda; está lá, demarcado, ao menos supostamente — segundo o Malan, até ele (passado) insiste em ser incerto no Brasil. Queremos olhar para a frente. Qual será o grande tema para a segunda metade do ano?

Olha, internamente, você tem toda essa história de plataforma de reformas, re-rating dos ativos brasileiros, redução da Selic, retomada do crescimento e dos lucros corporativos, migração em direção a mais risco, financial deepening. Para mim, honestamente, tudo isso está dado. Aos trancos e barrancos, vai acontecer. Em paralelo, o valuation da Bolsa é bom e os prêmios dos juros longos me parecem pintados pelo Botero. Ótima notícia. A verdade é que tenho pouco a acrescentar sobre isso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cenário internacional

Já sobre o cenário internacional, a coisa é diferente. Esse, para mim, é o grande risco e deve ser o grande tema para o segundo semestre. Ainda que eu esteja muito otimista com Bolsa e juro longo por aqui (de fato, estou), não nos deixemos cair na tentação das esperanças ingênuas. Lá fora é um risco importante. E se cair por lá, vai cair aqui também, mesmo que seja para uma recuperação posterior.

Leia Também

Hoje, os PMIs (os indicadores da atividade manufatureira) mundo afora mostram desaceleração importante há cerca de cinco meses. A questão que se coloca é se entraremos numa recessão global ou se será apenas uma acomodação, um pouso suave.

Quando olho para a geração de caixa das empresas, para o nível de endividamento, para as taxas de juros bem baixas, me inclino mais à hipótese de apenas uma desaceleração.

Preciso também apontar a capacidade de reação dos bancos centrais — de maneira coordenada, eles já se dispuseram a agir. Poderia também citar algum espaço fiscal, sobretudo na China. Mas quero me ater à questão monetária, porque daqui devem surgir grandes impactos para o fluxo de capitais no segundo semestre.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O banco central dos EUA está com o dedo no gatilho para cortar sua taxa básica de juro. E o que acontece quando o Fed relaxa o juros? As pessoas saem do dólar e começam a comprar todo o resto, porque a moeda norte-americana, como grande reserva de valor e referência mundial, é a contraparte clássica de qualquer outra coisa. Quando você fala da taxa de câmbio no Brasil, por exemplo, há uma elipse aqui — tacitamente, sem que você precise dizer da taxa de câmbio do real contra o dólar, já se subentende tratar-se disso. As commodities também estão cotadas em dólar. As criptomoedas… Por aí, vai.

Então, esse pode ser um grande tema para o segundo semestre: o dólar fraco no mundo. Depois de uma sobrealocação em dólar no ano de 2018, agora poderemos começar a ver o contrário. As pessoas, físicas e jurídicas, saindo do verde e indo para alternativas. Com juros baixos nos EUA, você sai para comprar outros bonds, Bolsa, commodities, mercados emergentes.... qualquer coisa.

Há pouco tempo, um brilhante gestor brasileiro escreveu em carta aos seus cotistas que o dólar deveria se enfraquecer no mundo. E encerrava com uma pergunta em aberto: mas se enfraquecer contra quem?

Como são difíceis as questões relativas. E, por definição, uma taxa de câmbio é sempre uma questão relativa. É o dólar contra alguém. Poderia ser a taxa de câmbio do dólar contra esse monitor à minha frente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

À época, sabendo da minha insignificância cósmica e jamais me colocando na posição de, nem no meu maior sonho, estar à altura dos deuses do Olimpo, rabisquei aqui uma tentativa de resposta. Para mim, seria nosso real, essa moeda exótica e fraca, que estaria preparado para uma boa apreciação.

As coisas mudaram um pouco desde então. Primeiro pela questão do preço mesmo. Ali, o dólar estava na casa dos 4 reais, talvez até um pouquinho acima pelo que me lembro. Hoje, voltou para os 3,84. Depois pela questão do diferencial de juros. Desde então, ficou bem claro que o Copom deve reduzir nossa Selic no segundo semestre — e o mercado colocou isso nas cotações; para mim, o ciclo pode ir até 150 pontos-base. Ainda que o Fed venha também a cortar juro, o carrego do real já não é mais tão bom. É uma moeda ruim, que não paga mais tanto. Se a Selic for mesmo a 5 por cento, como eu acho que vai, então o juro real ex-ante vai ser de 2 ou 1 por cento, num país de déficit fiscal alto, baixa produtividade, crescimento pífio. Economia fraca tem moeda fraca. Não há razão para esperarmos um câmbio forte aqui.

Também seria de se esperar, num contexto de desaceleração global e guerra comercial, deterioração dos termos de troca (a diferença entre os preços do que a gente vende e o que a gente compra), com commodities caindo, o que é sempre ruim para moedas emergentes.

Então, por mais que anteveja algum espaço para apreciação adicional do real com a aprovação das reformas e com a bateria de privatizações a caminho tocada pelo brilhante Salim Mattar, não é óbvio mais, sabe?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Volto, portanto, à pergunta original: o dólar deve, sim, se enfraquecer no mundo; mas contra quem? Há uma questão grave aqui. É verdade que o Fed deve cortar juro e os EUA enfrentam problemas. Mas olhe para os outros países. Eles estão numa situação ainda pior — e é por isso que não vemos ainda o dólar se desvalorizando perante as demais moedas.

Segundo semestre

Um tema importante para o segundo semestre pode ser justamente essa questão das moedas, com a guerra comercial se transformando em guerra cambial. Se o Fed reduzir muito os juros e enfraquecer o dólar, ele mata a economia dos demais países desenvolvidos, que já está convalescendo. Europa simplesmente não aguenta o euro a 1,25. E a China, por mais que se esforce no desenvolvimento do mercado doméstico, ainda é muito pautada por um export-led growth (crescimento pautado em exportações). Então, você vai ter um mundo de juros muito baixos e BCs voltando a inundar os mercados com liquidez, em que nenhuma moeda presta. Não tem muito para onde correr. E o que você faz quando não há para onde correr no sistema financeiro? Ora, você compra a alternativa a tudo isso.

Estão todos (todos mesmo, até os gestores mais brilhantes do Brasil) tentando descobrir qual a moeda alternativa ao dólar. Alguns não acharam. Outros citam Noruega, Hong Kong; Inglaterra talvez. Eu estou com Paul Tudor Jones, para quem o ouro pode ser uma grande pedida para os próximos 12 meses. Esse é o hedge do dólar. Por que ninguém fala dele por estas bandas?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
GOLPE NO CHURRASCO

China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país

31 de dezembro de 2025 - 11:11

O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players

NOVO

CVM terá novo presidente interino; colegiado da autarquia abrirá 2026 com 3 cadeiras vagas

31 de dezembro de 2025 - 10:29

Sem uma indicação pelo presidente Lula para liderar a reguladora, a presidência interina passará, na virada do ano, para o diretor João Accioly, o mais antigo na casa

BRILHOU SOZINHA

Lotofácil 3575 faz 3 novos milionários na véspera da Mega da Virada

31 de dezembro de 2025 - 8:29

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na faixa principal na terça-feira, 31 de dezembro, véspera de ano-novo e da Mega da Virada de 2025.

BALANÇO DO ANO

O ouro brilhou, mas o Ibovespa também! Já o bitcoin (BTC) comeu poeira… veja a lista dos melhores e piores investimentos de 2025

30 de dezembro de 2025 - 19:01

Principal índice da B3 fechou ano em alta de 34%, acima dos 160 mil pontos, atrás apenas do metal dourado, que disparou

PRESSÃO PARA TODO LADO

Toffoli volta atrás e decisão da acareação em inquérito sobre o Banco Master fica nas mãos da PF; entenda o que está em jogo e como fica o processo agora

30 de dezembro de 2025 - 14:01

Nesta tarde, a Polícia Federal (PF) vai colher os depoimentos individuais dos envolvidos e, caso considere necessário, os participantes poderão passar por uma acareação

OCUPAÇÃO RECORDE

Desemprego até novembro cai para 5,2% e volta a atingir menor taxa da série histórica; renda média sobe

30 de dezembro de 2025 - 10:25

O indicador de desemprego tem registrado, sucessivamente, as menores taxas da série histórica desde o trimestre encerrado em junho de 2025

FINAL DE ANO

Bancos funcionam no Ano Novo? Veja o que abre e o que fecha

30 de dezembro de 2025 - 9:44

Bancos, B3, Correios e transporte público adotam horários especiais nas vésperas e nos feriados; veja o que abre, o que fecha e quando os serviços voltam ao normal

PIX NÃO SERÁ TAXADO

‘Imposto sobre Pix acima de R$ 5 mil’ é fake news, alerta Receita Federal

29 de dezembro de 2025 - 17:27

Órgão desmente alegações de taxação sobre transações financeiras a partir de R$ 5 mil

MUDANÇAS DE ROTA

Desta vez não foi o PIB: as previsões que os economistas erraram em 2025, segundo o Boletim Focus

29 de dezembro de 2025 - 16:48

Em anos anteriores, chamou atenção o fato de que os economistas de mercado vinham errando feio as projeções para o crescimento do PIB, mas desta vez os vilões das previsões foram a inflação e o câmbio

UM SONHO MAIS DISTANTE

Está mais caro comprar imóveis no Brasil: preços sobem 17,14% em 2025, mostra Abecip — mas há sinais de desaceleração

29 de dezembro de 2025 - 15:35

Considerando só o mês passado, na média, os preços subiram 1,15%, depois de terem registrado alta de 2,52% em outubro

O QUE ESPERAR PARA A ECONOMIA

Inflação, PIB, dólar e Selic: as previsões do mercado para 2025 e 2026 no último Boletim Focus do ano

29 de dezembro de 2025 - 12:30

Entre os destaques está a sétima queda seguida na expectativa para o IPCA para 2025, mas ainda acima do centro da meta, segundo o Boletim Focus

A CONTA NÃO FECHA

Novo salário mínimo começa a valer em poucos dias, mas deveria ser bem mais alto; veja o valor, segundo o Dieese

29 de dezembro de 2025 - 10:37

O salário mínimo vai subir para R$ 1.621 em janeiro, injetando bilhões na economia, mas ainda assim está longe do salário ideal para viver

SEM SENA

O que acontece se ninguém acertar as seis dezenas da Mega da Virada

29 de dezembro de 2025 - 7:07

Entenda por que a regra de não-acumulação passou a ser aplicada a partir de 2009, na segunda edição da Mega da Virada

CORRIDA DOURADA

China ajuda a levar o ouro às alturas em 2025 — mas gigante asiático aposta em outro segmento para mover a economia

28 de dezembro de 2025 - 11:55

Enquanto a demanda pelo metal cresce, governo tenta destravar consumo e reduzir dependência do setor imobiliário

MEGA TURBO

Como uma mudança na regra de distribuição de prêmios ajudou a Mega da Virada a alcançar R$ 1 bilhão em 2025

28 de dezembro de 2025 - 10:43

Nova regra de distribuição de prêmios não foi a única medida a contribuir para que a Mega da Virada alcançasse dez dígitos pela primeira vez na história; veja o que mais levou a valor histórico

ALEATORIEDADE ESTRATÉGICA

ChatGPT, DeepSeek, Llama e Gemini: os palpites de IAs mais usadas do mundo para a Mega da Virada de 2025

27 de dezembro de 2025 - 11:51

Inteligências artificiais mais populares da atualidade foram provocadas pelo Seu Dinheiro a deixar seus palpites para a Mega da Virada — e um número é unanimidade entre elas

MAIS E MAIS RICOS

Os bilionários da tecnologia ficaram ainda mais ricos em 2025 — e tudo graças à IA

26 de dezembro de 2025 - 15:52

Explosão dos investimentos em inteligência artificial impulsionou ações de tecnologia e adicionou cerca de US$ 500 bilhões às fortunas dos maiores bilionários do setor em 2025

CORRIDA FORA DA PISTA

Quanto ganha um piloto de Fórmula 1? Mesmo campeão, Lando Norris está longe de ser o mais bem pago

26 de dezembro de 2025 - 11:26

Mesmo com o título decidido por apenas dois pontos, o campeão de 2025 não liderou a corrida dos maiores salários da Fórmula 1, dominada por Max Verstappen, segundo a Forbes

NA MIRA

Caso Master: Toffoli rejeita solicitação da PGR e mantém acareação em inquérito com Vorcaro, ex-presidente do BRB e diretor do Banco Central

25 de dezembro de 2025 - 11:05

A diligência segue confirmada para a próxima terça-feira, dia 30

OTIMISMO NOS NEGÓCIOS

Bons resultados do fim de ano e calendário favorável reforçam confiança entre empresários de bares e restaurantes para 2026, aponta pesquisa

25 de dezembro de 2025 - 10:35

O próximo ano contará com dez feriados nacionais e deve estimular o consumo fora do lar

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar