As coisas podem dar errado, principalmente por algum tempo
Se você quiser ganhar dinheiro de verdade, você vai precisar aguentar a dor e passar pela hora ruim para chegar do outro lado. No pain, no gain.

Ao que tudo indica, as coisas voltaram ao normal. E o que vou escrever hoje só pode ser escrito sob essas condições. Caso contrário, questões relevantes podem ser interpretadas como desculpas para erros de gestão e maus desempenhos das carteiras.
Como já disse renomado gestor em carta a seus cotistas, “quem ganha, ganha; quem perde, explica”. Fica difícil falar com isenção sobre perdas na hora ruim, porque tudo o que vier a ser dito pode soar como tentativa vazia de explicação dos próprios equívocos. No fim do dia, só há uma linguagem que interessa neste nosso jogo: quem está ganhando dinheiro? As narrativas servem aos romancistas. Portanto, vamos falar de perdas no momento bom, para que, quando as perdas efetivamente vierem (e não se iluda, pois elas virão), possamos atravessar a tempestade já alertados das adversidades do caminho.
A questão central de hoje é a seguinte: as coisas podem dar errado, principalmente por algum tempo. É fundamental que estejamos alinhados sobre isso. Falo pelo meu próprio bem, reconheço, mas também pelo seu. Se você não entender que a caminhada é errática, sinuosa, não linear, complicada, em saltos súbitos, malcomportada, vai sair no meio do caminho, justamente na pior hora.
Eu poderia ser mais incisivo sobre o tema: as coisas precisam dar errado, principalmente por algum tempo. Se você quiser ganhar dinheiro de verdade, você vai precisar aguentar a dor e passar pela hora ruim para chegar do outro lado. No pain, no gain.
Veja, por exemplo, o que aconteceu no início de setembro. Subitamente, toda a dinâmica observada até então em 2019 foi invertida. Do dia para a noite, todos migraram do “growth” (casos de crescimento) para o “value” (casos de valor, mais depreciados em relação a seus resultados correntes e a seus ativos). Ninguém mais queria saber de consumo, farma, real estate e tecnologia; só se compravam bancos e commodities. O ouro passou a cair depois de um belo rali em 2019 e os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro interromperam a trajetória de queda para um pronunciado spike que deixou mortos e feridos pelo meio do caminho.
Leia Também
Perceba a dificuldade da coisa: se você estava ganhando dinheiro nos primeiros dez dias de setembro, isso significa que passara os oito primeiros meses do ano perdendo muita grana — a não ser, claro, que algum gênio da lâmpada lhe visitara no 31 de agosto para contar-lhe sobre a imperiosa necessidade de trocar todo seu portfólio.
Ao mesmo tempo, se você estava ganhando dinheiro até o final de agosto, amargou fortes perdas no início de setembro.
Nós, aqui representados sinteticamente pela Carteira Empiricus, estávamos (e estamos) no segundo grupo — o portfólio está pesado em Bolsa e juros longos, tendo dólar e ouro como proteção. Curiosamente, para desafiar as correlações históricas, Bolsa, juro longo, dólar e ouro estão subindo no ano, de tal modo que as estratégias montadas para servir de hedge, por simples atuação da sorte (venha sempre, querida amiga, ser uma companheira fiel), estão nos servindo de duplo alfa. Markowitz, devolva seu Nobel!
A pergunta que se coloca: o que você faz diante de uma situação dessa, em que vê, por dez dias, seu portfólio perdendo valor? Quando sua convicção é testada, você a abandona ou segue apegado àquilo? Você é capaz de tolerar a volatilidade e perdas momentâneas?
Questão de caráter
Não quero formar concepções sobre seu caráter prematuramente. Desculpe se isso lhe soa como uma espécie de preconceito de minha parte. Mas você abandona seus amigos e familiares à primeira dificuldade? Essa é a sua personalidade?
Gosto desse paralelo. O mercado vai testar a sua convicção todos os dias. Vai haver semanas, meses, trimestres talvez, em que você vai amargar prejuízos. Esteja preparado para isso, psicológica e materialmente.
Algumas questões de cunho prático aqui:
1. No curto prazo, o preço dos ativos obedece a comportamentos bastante randômicos e aleatórios. Performances de dias não têm qualquer significância estatística. Diante de uma flutuação de seu portfólio, pergunte se o que mudou foi o preço ou o fundamento. Se o preço caiu, mas o fundamento continua o mesmo, a hora é de comprar mais, não de vender. A gestão de ativos é a sutil arte de equilibrar teimosia e flexibilidade e separar ruído de sinal. É também uma tarefa ambivalente, como mera representação da realidade cotidiana, em que temos de equilibrar forças dionisíacas e apolíneas. Sejamos abertos o suficiente para mudar de ideia quando o fundamento tiver sido alterado, mas teimosos o bastante para nos mantermos numa sólida convicção.
2. Cada vez mais, estamos suscetíveis a movimentos bruscos derivados exclusivamente de questões técnicas, sem qualquer apego à concretude dos fundamentos econômicos. O volume dos fundos passivos é gigantesco e eles vão perseguir o maior giro financeiro. Soma-se a isso a atuação de algo traders, trend followers, momentum traders e outros robôs parecidos para termos verdadeiras hecatombes súbitas de preços, sem que absolutamente nada tenha mudado no mundo real. E aí então entram as gestões de risco balizadas por VaR (Value at Risk), em que um aumento de volatilidade pontual é lido como incremento do nível de risco, o que, por sua vez, cospe uma sugestão pragmática de alocação em favor de posições menos arriscadas, resultando em nova onda de vendas, num mecanismo retroalimentado.
3. Se você compra uma determinada tese, seja ela microeconômica ou sistêmica, entende que o atual preço de tela está em desconformidade com aquilo que deveria ser o preço de tela. Ou seja, você identifica uma divergência entre preço (a cotação atual) e o valor intrínseco (quanto deveria ser de acordo com os fundamentos) e decide investir naquilo — e investir é bem diferente de especular; a definição do ato de investir, de acordo com Aswath Damodaran, é justamente comprar algo por menos do que aquilo vale. Na sua interpretação, o consenso de mercado atribui um preço errado àquele respectivo ativo. Então, necessariamente, vai precisar de algum tempo para que o mercado, munido de novas informações, passe a reinterpretar o valor daquele ativo e vá o colocando mais alinhado com o valor intrínseco estimado por você. Você pode gostar de uma ação, mas ela não nutre sentimentos por você. É necessariamente uma relação platônica, amor não correspondido. Não é porque você comprou que, imediatamente, o mercado vai decidir corrigir a tal assimetria de informação capaz de hoje explicar a discrepância entre preço e valor intrínseco. Em outras palavras, você necessariamente vai passar um tempo errado. Sua tese não vai se provar certa imediatamente. Ciclos empresariais ou econômicos são diferentes dos ciclos do intraday e do daytrade.
O bom investimento
Resumidamente, o bom investimento requer tempo para se materializar e passa de forma inexorável por momentos de perdas — a rigor, os mercados passam dois terços do tempo em drawdowns (abaixo do pico), de tal sorte que é comum vermos portfólios no vermelho. Se você não estiver preparado para isso, vai sair na hora ruim, antes da materialização da tese de investimentos.
Para encerrar aqui o papo reto, se você vai seguir a Carteira Empiricus ou se prefere continuar por conta própria, minhas sugestões são as mesmas: i) entenda que as coisas demoram; ii) haverá momentos em que o portfólio estará no negativo sem que isso signifique algum erro de gestão ou no processo decisório, sendo resultado apenas da atuação das forças aleatórias; e, claro, iii) haverá os erros propriamente ditos — todo gestor, por mais competente que seja, tem suas próprias dúvidas, não goza de nenhum superpoder e está no mesmo ambiente de incerteza e incapacidade de prever o futuro que você. Eu me belisquei várias e várias vezes no começo de setembro, com o receio de que o fluxo, de fato, se voltasse para bancos e commodities, com escalada dos yields globais. No final, parece ter passado, pelo menos por enquanto — essa ressalva sempre insuportável que caracteriza a essência da vida de um investidor. É sempre um day one.
Mercados
Mercados iniciam a semana ponderando forças distintas, com predominância dos fatores negativos. Indicadores abaixo do esperado da atividade manufatureira na Europa alimentam preocupação com desaceleração da economia global e empurram investidores para fora do risco, muito embora a tensão seja controlada por uma dose de otimismo na relação comercial entre EUA e China — depois do susto na sexta-feira, notícias do fim de semana sugeriram retomada das discussões em prol de algum acordo.
Agenda local traz relatório Focus, IPC-S, sondagem do consumidor da FGV, sondagem industrial da CNI e nota do setor externo. Nos EUA, também saem indicadores da atividade manufatureira.
Ibovespa Futuro abre em baixa de 0,3 por cento, dólar e juros futuros sobem.
CAFEÍNA NA VEIA
Preço do café cai, consumo aumenta: brasileiros voltam a encher a xícara em 2026
24 de setembro de 2026 - 10:57ENGENHARIA FINANCEIRA
Banco Genial na mira: Operação Crédito Oculto investiga suposto esquema para esconder donos de distribuidora de combustíveis
24 de setembro de 2026 - 9:51NA TRAAAAAVE!
368 apostadores ficam no quase na Lotofácil 3787; Lotomania e +Milionária pagam mais de R$ 100 mil por bolas na trave
24 de setembro de 2026 - 6:53É HOJE
INSS e BPC/LOAS são pagos hoje; confira datas de setembro de 2026 e regras dos benefício
24 de setembro de 2026 - 5:05IRPF 2026
Receita Federal abre consulta a lote de restituição do Imposto de Renda para quem caiu na malha fina
23 de setembro de 2026 - 8:50ATENÇÕES DIVIDIDAS
Lotofácil 3786 e Dia de Sorte 1304 pagam prêmio principal; Mega-Sena 3061 acumula e agora promete R$ 38 milhões
23 de setembro de 2026 - 6:41BARGANHA GEOPOLÍTICA
Xi Jinping tem arma contra Trump que pode beneficiar uma empresa no Brasil, defende BTG
22 de setembro de 2026 - 16:35MUITO CUIDADO
Suzano (SUZB3) ou Klabin (KLBN11)? Bradesco BBI analisa setor de papel e celulose e apresenta sua “top pick”
22 de setembro de 2026 - 15:55ATÉ ONDE A SELIC VAI?
Copom vê a economia esfriar, mas não dá ao mercado a resposta que ele mais quer sobre os juros
22 de setembro de 2026 - 11:28ASSEMBLEIA VIRTUAL
Greve na Caixa: funcionários votam proposta do banco para o fim da paralisação; conheça a decisão
22 de setembro de 2026 - 7:10DEZENAS DE GANHADORES
Lotofácil 3785 premia aposta simples e bolão com 35 participantes; Mega-Sena promete R$ 32 milhões
22 de setembro de 2026 - 6:38ESTÁ NO PREÇO
O Brasil vai quebrar? Entenda por que o risco fiscal mexe com a renda fixa, as ações e até o dólar
22 de setembro de 2026 - 6:03DEPOIS DO ALERTA
Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
21 de setembro de 2026 - 19:30MAIS SELETIVO
Safra pisa no freio e corta preço-alvo de 5 ações do setor imobiliário — e uma destoa ainda mais das outras
21 de setembro de 2026 - 16:30A ORDEM IMPORTA
Como fazer um ajuste fiscal de R$ 80 bilhões em 4 passos antes mesmo de mexer no salário-mínimo, segundo Felipe Salto, da Warren
21 de setembro de 2026 - 7:08DANÇA DAS CADEIRAS
+Milionária promete o triplo da Mega-Sena e lidera ranking das loterias da Caixa com prêmio de quase R$ 100 milhões
21 de setembro de 2026 - 6:48ATENÇÃO ESTUDANTES
Pé-de-Meia tem sexta parcela paga hoje; confira valor e quem tem direito em setembro de 2026
21 de setembro de 2026 - 5:50TOUROS E URSOS #288
Isenção de LCIs e LCAs é ‘uma balela’, diz Felipe Salto, que defende a revisão do benefício no ajuste fiscal previsto para 2027
20 de setembro de 2026 - 15:01ANOTE NA AGENDA
Ata do Copom e diplomacia entre EUA e China comandam as atenções do mercado na semana — mas não é só isso
20 de setembro de 2026 - 11:59BOMBOU NO SD