A saga de uma família que fez um empréstimo para buscar água e encontrou petróleo. Mas ela vai poder explorar?
Após investir R$ 15 mil em busca de água, família encontra petróleo e se vê no meio de uma burocracia que não resolve a questão do óleo e nem da água

No sertão cearense, em Tabuleiro do Norte, a família do agricultor Sidrônio Moreira viveu a vida inteira atrás do básico: a água. O sítio em que moram, localizado a cerca de 35 quilômetros do centro da cidade, não tem água encanada e depende de carregamentos caros de carros-pipa para manter a propriedade e os animais.
Determinado a mudar essa realidade, o agricultor decidiu fazer uma aposta alta. Para cavar um poço artesiano que garantisse a sobrevivência de todos, Moreira pediu um empréstimo de R$ 15 mil e investiu suas economias pessoais para contratar pessoase fazer a perfuração.
O objetivo era simples: encontrar água para o consumo dos animais a poucos metros de profundidade, dentro do perímetro do sítio. No entanto, o que o subsolo reservava para a família Moreira era algo completamente diferente de água.
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Não tinha água, tinha petróleo
Quando a broca atingiu cerca de 40 metros de profundidade, um jato de líquido escuro jorrou do solo, provocando uma comemoração imediata de Moreira e seus familiares, que acreditaram ter finalmente encontrado água para não depender mais carros-pipa.
A alegria, porém, durou pouco: assim que a máquina parou, a equipe percebeu que aquele fluido, de cheiro forte e cor densa, não servia para saciar a sede dos animais.
Após a decepção inicial e a tentativa frustrada de cavar um segundo poço mais raso, de 25 metros, a família começou a desconfiar da natureza daquele "óleo". O filho de Sidrônio, Sidney Moreira, retirou uma amostra do poço e riscou um fósforo para verificar se o líquido era inflamável. Ao ver pegar fogo, tiveram certeza que não era água.
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Foi então que Sidney procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE) para investigar o que era aquele óleo.
Testes laboratoriais indicaram que a substância possui características muito semelhantes ao petróleo extraído na Bacia Potiguar, região vizinha entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.
Entre o sonho da riqueza e a realidade da seca

Apesar do potencial geológico de ter petróleo no quintal de sua casa, a situação da família Moreira atualmente é marcada pela incerteza e pela burocracia.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi notificada em julho de 2025 sobre a descoberta, mas apenas em fevereiro de 2026 confirmou que iniciará um processo administrativo para investigar a área.
Enquanto não tem nenhuma resposta, Sidrônio e Sidney vivem um paradoxo: estão sobre o que pode ser uma jazida de petróleo, mas continuam sem água para as necessidades básicas.
O futuro da propriedade depende de análises técnicas rigorosas da ANP.
Para a família, a esperança é que, caso o petróleo seja confirmado e sua exploração se mostre viável, os recursos gerados possam financiar a infraestrutura necessária para levar água até o sítio.
Contudo, eles foram alertados de que não podem mais perfurar o solo antes de qualquer resposta, sob o risco de o óleo vazar e contaminar o lençol freático da região, o que tornaria a busca por água ainda mais difícil.
O que acontece agora?
O próximo passo cabe inteiramente ao governo. A ANP precisa realizar uma série de procedimentos para delimitar a jazida e verificar se a qualidade e a quantidade do óleo justificam o investimento de uma empresa exploradora.
No Brasil, o petróleo pertence à União, o que significa que, mesmo que a descoberta seja confirmada, a família não poderá vender o combustível por conta própria. O lucro viria por meio de participações ou indenizações previstas em lei após um leilão do bloco de exploração.
Por enquanto, o cenário em Tabuleiro do Norte é de espera.
Ao G1, Sidney Moreira afirmou que a família preferia ter encontrado água, mas espera que o processo seja resolvido o quanto antes para saber o que será feito com a propriedade.
*Com informações da agência IFCE e G1.
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