XP mantém expectativa de redução da Selic mesmo com tensões geopolíticas e eleições; entenda os motivos
Corretora de investimentos espera um corte de 0,5 ponto percentual mesmo após o acirramento dos conflitos no Oriente Médio, que podem impactar o petróleo em ano de eleição no Brasil
O Banco Central (BC) deve mesmo iniciar o ciclo de redução dos juros em sua próxima reunião, nos dias 17 e 18 de março. Essa é a projeção da XP Investimentos, que acredita em um primeiro corte de 0,5 ponto percentual na Selic mesmo diante das tensões geopolíticas causadas pelos conflitos no Oriente Médio.
São projetados cinco cortes consecutivos do mesmo tamanho ao longo de 2026, fazendo com que a taxa básica de juros da economia brasileira chegue ao patamar de 12,50% ao ano.
Segundo o relatório produzido por Caio Megale, economista da casa, o cenário atual permite o início do processo de flexibilização. Apesar da alta de 0,84% registrada pelo IPCA-15 de fevereiro, a avaliação é de que a dinâmica inflacionária segue relativamente benigna no curto prazo, enquanto a atividade econômica, que perdeu força no segundo semestre de 2025, já apresenta sinais de recuperação gradual.
No entanto, Megale avalia que é esperado um freio nos cortes do segundo semestre, de olho, principalmente, no cenário político. A autoridade monetária deve manter um tom cauteloso diante do volume de estímulos fiscais previstos para este ano e das incertezas em torno da dinâmica da taxa de câmbio.
“Nosso cenário-base assume que o próximo governo implementará algumas medidas pelo lado das despesas, mas não em escala suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB. Nesse contexto, vemos espaço para o Banco Central retomar o ciclo de flexibilização no próximo ano, porém de forma limitada”, avalia.
E se o petróleo atrapalhar?
Além disso, um dos principais riscos no radar é o avanço do preço do petróleo em meio às tensões geopolíticas, especialmente após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
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De acordo com a XP, o barril chegou a ficar cerca de 30% acima da hipótese-base da casa, que considerava o petróleo a US$ 60, alcançando níveis próximos de US$ 80. Caso a alta persista, o BC poderia iniciar o ciclo de forma mais gradual, com um corte da Selic menor, de 0,25 ponto percentual.
O economista reforça que o balanço de riscos para a inflação tende a se tornar mais incerto no segundo semestre. A combinação de pressões climáticas sobre alimentos, maior volatilidade cambial em um ambiente de eleições presidenciais e estímulos fiscais pode dificultar a convergência da inflação no horizonte mais longo.
Mesmo assim, no cenário-base da XP, a taxa básica terminaria 2026 em 12,50%, e 2027 em 11%. Ainda assim, em termos reais, o juro permaneceria próximo de 8%, acima do nível considerado neutro pela casa, estimado em cerca de 5,5%, refletindo os desafios fiscais esperados para os próximos anos.
*Com informações do Money Times
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