Menu
2019-10-17T09:35:54-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
entrevista

‘Temos de basear nossas previsões em políticas críveis’ , diz economista-chefe do FMI

Fundo não considera, para suas previsões, provável reforma tributária, avanço de investimentos em infraestrutura nem tampouco que será viabilizada a abertura comercial proposta pelo governo

17 de outubro de 2019
8:04 - atualizado às 9:35
fmi Gita Gopinath
Gita Gopinath, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) - Imagem: FMI/Youtube/Reprodução

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não considera que nos próximos anos o Brasil fará a reforma tributária, não terá avanço de investimentos em infraestrutura nem tampouco será viabilizada a abertura comercial proposta pelo governo. Tais fatores não estão contemplados nas previsões macroeconômicas do Fundo para o País, que estima que o PIB avançará 2,0% no próximo ano e manterá esse ritmo até 2024, quando o crescimento deverá atingir 2,3%.

"De fato, esses fatores não estão incluídos nas nossas projeções", destacou Gita Gopinath, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional. "É como fazemos para todos os países, não é somente para o Brasil. Temos de basear nossas projeções em políticas críveis e anúncios feitos e ainda não estamos nesse estágio."

Para ela, tais mudanças estruturais serão muito úteis para o Brasil elevar seu potencial de crescimento para uma marca superior a 3% ao ano. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O FMI estima que o Brasil crescerá 2% em 2020 e 2,3% em 2024. É justo avaliar que com esse nível de expansão, o País não fará a reforma fiscal nem abrirá a economia ou avançará em investimentos de infraestrutura?

O baixo crescimento do Brasil está relacionado a dois fatores: o aperto fiscal que o País precisa fazer para diminuir o alto nível da dívida e as incertezas de políticas relacionadas a reformas. Do lado positivo, a reforma da Previdência registrou muito progresso, o que é bom, mas há várias reformas necessárias.

Outra questão para o Brasil veio do setor externo, relacionada a seus parceiros comerciais. A Argentina está em recessão e o crescimento da China está desacelerando. A situação fiscal ainda requer muito trabalho para colocar as contas públicas em uma trajetória mais sustentável.

Por isso, avaliamos a importância da reforma tributária para ajudar o ambiente de negócios. Quando realizamos projeções macroeconômicas precisamos baseá-las em premissas sobre anúncios que os países fizeram, sobre o que vão realizar e que são críveis.

O FMI não considera que ocorrerá a reforma tributária, nem aumento substancial de investimentos em infraestrutura ou a abertura da economia até 2024?

De fato, estes fatores não estão nas nossas projeções.

Por quê?

É como fazemos para todos os países, não somente para o Brasil. Temos de basear nossas projeções em políticas críveis e anúncios feitos e ainda não estamos nesse estágio. E dado que o Brasil precisa lidar com questões importantes, inclusive na área fiscal, têm que ser avaliadas reformas e políticas críveis.

Essas mudanças estruturais na área fiscal são essenciais para que o Brasil tenha um patamar mais elevado de crescimento acima de 3% ao ano?

Sim, acredito que serão extremamente úteis para isso. E se a demanda global avançar também ajudará.

A sra. está otimista com o acordo "fase 1" firmado por EUA e China anunciado na sexta-feira?

É importante esperar os detalhes dessa "fase 1". Uma escalada das tensões comerciais ainda é um risco real para a perspectiva econômica mundial e não vou retirá-lo da mesa neste momento por múltiplas razões. Uma delas é que há possibilidade de que as tensões comerciais poderiam se estender à União Europeia, com tarifas sobre carros. Também há a possibilidade de que as disputas contemplem questões de tecnologia, não somente mercadorias.

Quais são os fatores que poderão levar o crescimento global para uma expansão acima dos 3,4% previstos para 2020 pelo FMI?

Penso que se conseguirmos a alta de 3,4% no próximo ano ficaremos muito felizes, pois hoje o crescimento global é precário. Essa previsão considera que não serão impostas mais tarifas nas disputas entre EUA e China, não ocorrerá escalada da tensão comercial e haverá recuperação de mercados emergentes, como Brasil, Índia e México.

Quais fatores poderiam deflagrar uma recessão nos EUA em 2020?

Para uma recessão nos EUA, que não está em nosso cenário, seria preciso um fator extremado, algo que levaria a economia global a uma forte desaceleração. Vamos avaliar o seguinte: suponha que ocorreria uma escalada das tensões comerciais, que superaria as relações EUA-China e chegaria à Europa, que atingiria questões de tecnologia, os mercados de capitais.

Então poderíamos ver as condições financeiras mundiais mudar muito rapidamente e poderiam afetar várias partes do mundo, inclusive países emergentes. Poderia haver correções nos mercados, com aperto de condições financeiras a empresas e poderiam surgir mais calotes corporativos. Esse seria o tipo de fenômeno que poderia levar a uma grave retração nos EUA.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo 

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Dados atualizados

Brasil tem 26.764 mil mortes por coronavírus; casos superam 438 mil

Nas últimas 24 horas, segundo o levantamento do portal G1, houve 1.156 novas mortes causadas pelo coronavírus

ajuste tarifário

Arsesp reduz em 12,1% tarifas de gás natural para clientes industriais da Comgás

O principal fator que provocou a queda das tarifas de gás foi a diminuição dos custos da molécula e do transporte, atrelados ao preço do petróleo e à variação da taxa de câmbio

seu dinheiro na sua noite

O Brasil visto da Antártida

Por esses dias, talvez você tenha lido por aí que cientistas de um projeto financiado pela NASA teriam descoberto indícios de um universo paralelo na Antártida onde o tempo passaria ao contrário. Apesar de ser um ótimo título “caça-clique”, infelizmente (ou felizmente) não é bem isso. Não ousarei entrar em detalhes aqui sobre a física […]

Politica monetária

BC só considera “imprimir dinheiro” se esgotar ferramentas contra a crise

Roberto Campos Neto disse só pretende abrir “caixa de ferramentas” do Banco Central quando não puder atuar mais via corte da taxa básica de juros (Selic)

Presidente da Câmara

Projeto de lei das fake news pode cumprir papel muito importante, diz Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu, nesta quinta-feira, 28, a tramitação célere do projeto de lei das fake news no Congresso, que, na visão dele, pode “cumprir um papel muito importante” para o País

Tensão em Brasília

Mourão diz que golpe está ‘fora de cogitação’, mas reconhece ‘estresse’

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, afirmou que uma eventual ruptura democrática está “fora de cogitação” e que “não existe espaço no mundo para ações dessa natureza”

Habilitação de maquininhas

Uso do auxílio em maquininhas começa com Cielo e GetNet; Rede é no dia 8

A Cielo informou que habilitou 1,5 milhão de maquininhas em todo o Brasil para aceitarem pagamentos dos beneficiários do auxílio emergencial

Devolvendo os ganhos

Risco político volta a aumentar e faz o dólar subir quase 2%; Ibovespa fecha em queda

O dólar à vista saltou mais de 10 centavos em relação ao fechamento de ontem, pressionado pelas tensões entre governo e STF. O Ibovespa caiu mais de 1% hoje, mas ainda acumula ganhos de 8% desde o começo de maio

Taxa de participação em queda

Desemprego seria de 16% com procura por vagas nos níveis de fevereiro, diz Itaú

Medidas de quarentena diminuíram nível de procura por trabalho e aumento do desemprego foi menor que o esperado, diz o banco

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements