Menu
2019-11-28T12:33:16-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
SÓCIO-TORCEDOR (LITERALMENTE)

Flamengo na bolsa? Projeto que permite time de futebol virar empresa e vender ações avança no Congresso

Segundo o texto, novas empresas serão responsáveis por dívidas trabalhistas e tributárias dos clubes, mas podem se dissociar de outras obrigações

28 de novembro de 2019
12:10 - atualizado às 12:33
shutterstock_1519933241
Rio de Janeiro. 15 de setembro de 2019. Gabriel Gabigol celebra gol durante partida do Flamengo contra o Internacional, no Maracanã. - Imagem: Shutterstock

Já imaginou ser dono de uma fração de um time como o Flamengo? A ideia está mais próxima de se tornar uma realidade. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) um projeto que prevê a criação do clube-empresa, abrindo caminho para que um time de futebol abra capital na bolsa.

O Brasil já possui clubes que são considerados empresas. É o caso do Figueirense. Mas, enquanto o time catarinense é uma Sociedade Limitada, o projeto aprovado na Câmara prevê que os clubes-empresa possam se tornar sociedades anônimas (S/A) - e, dessa forma, abrirem capital.

O texto, que segue para o Senado Federal, prevê que clubes possam optar por deixar de ser associação e virar empresa, com vantagens tributárias e renegociação de dívidas. A adoção do modelo empresarial seria optativa.

Está prevista para as empresas de modelo tributário simplificado nos moldes do aplicado às micro e pequenas empresas (o Simples-FUT), com renegociação de dívidas e até mesmo a possibilidade de recuperação judicial.

Para o relator, deputado Pedro Paulo, o modelo empresarial enfrenta o endividamento dos times, simplifica a tributação e incentiva os investimentos privados.

“O futebol deixou de ser apenas um esporte e passou também a ser uma indústria. Ele tem que ser visto como um setor econômico com enorme potencial e também com resultado social”, declarou.

O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) criticou o texto, já que o refinanciamento de dívidas e o modelo tributário novo só será aplicado aos clubes que virarem empresas.

“Se só vai poder estar no Simples a partir da adesão e retira a tributação especial para quem não fizer a adesão, não é uma liberalidade, é uma imposição”, disse.

Já o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) disse que o texto é um “gol de placa”, pois é um modelo mais adequado. “O projeto dá possibilidade de clubes se profissionalizarem. Todos irão aderir porque o sistema é muito bom”, afirmou.

Transparência

O texto cria regras de transparência, com publicação de dados sobre a empresa na internet, e proibição de que o clube-empresa seja dirigido pelos mesmos comandantes das associações de prática desportiva. As novas empresas são responsáveis por dívidas trabalhistas e tributárias dos clubes, mas podem se dissociar de outras obrigações.

O Simples-FUT é destinado a empresas que financiem programas de inclusão social por meio do esporte. Se aderirem ao sistema, terão tributação de 5% da receita mensal que corresponderá ao pagamento unificado de impostos federais, nos moldes do Simples Nacional (Supersimples).

O clube poderá deduzir do cálculo de impostos investimentos em projetos desportivos e na formação de atletas de futebol feminino, mas haverá cobrança de impostos sobre recursos captados por patrocínio, propaganda e direito de transmissão.

Dívidas

O projeto aprovado cria condições especiais para a quitação acelerada de débitos. O objetivo, segundo Pedro Paulo, é que as empresas tenham condições diferenciadas para quitar a dívida à medida que receberem investimentos.

“Não se trata de anistia, mas um processo de descontos de juros e mora em cinco modalidades: quatro de pagamentos em até 12 vezes e, a última modalidade, um financiamento de 60 meses nos moldes do Refis para os débitos com a União”, explicou.

O pagamento em parcela única terá desconto de 95% das multas, 65% dos juros e 100% dos encargos legais, inclusive honorários advocatícios. Para o pagamento em 12 vezes, os descontos serão de 90% das multas, 60% dos juros e 100% dos encargos legais.

Nos débitos com a União, o refinanciamento poderá ser em até 60 meses, com desconto em 70% das multas, 40% dos juros e 100% dos encargos. O descumprimento de regras do pagamento levará ao fim dos descontos.

Pedro Paulo disse que outros mecanismos de financiamento dos clubes, como o Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) e a loteria Timemania, não conseguiram diminuir o endividamento dos clubes.

Contratações

O texto altera a regra de contratação para atletas que têm salário superior ao dobro do teto previdenciário: R$ 11.600. Esses atletas terão condições diferentes no pagamento de direitos de imagem. “Segundo dados da CBF, são apenas 2,5% dos atletas que recebem mais do que isso”, disse Pedro Paulo.

Há o estabelecimento de um regime centralizado de execução da Justiça do Trabalho para os clubes que tenham mais de um processo trabalhista no tribunal e estejam com o funcionamento em risco pelos pedidos de penhora de bens. Esse sistema suspende os pedidos de bloqueio de valores e concentra no tribunal o pagamento das dívidas, mas os clubes se comprometem a priorizar o pagamento das obrigações em vez de contratar novos atletas a título oneroso.

No caso das rescisões de contrato, a multa de 100% é substituída pela compensação mitigada, em que a indenização será paga de forma parcelada. “É o modelo já indicado pela Fifa [Federação Internacional de Futebol]”, explicou o relator.

O texto aumenta de 5% para 10% o valor pago pelos clubes na transferência dos atletas para investimento em formação.

Ex-atletas

Uma emenda aprovada torna facultativo e de responsabilidade dos atletas o pagamento de recursos para a assistência social e educacional aos atletas profissionais, aos ex-atletas e aos atletas em formação. Hoje, os recursos são recolhidos obrigatoriamente pelas entidades de prática desportiva. Autor da emenda, o deputado Felipe Francischini (PSL-PR) afirmou que o caráter facultativo atende às regras da livre associação.

A emenda foi aprovada por 246 votos a 94. Atualmente, a Lei Pelé (Lei 9.615/98) prevê que, nas negociações de atletas entre os clubes, aquele que ceder o atleta paga 0,8% da transação para a Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP) e aquele que receber o jogador deve pagar 0,5%.

O clube que ceder o profissional tem de pagar também 0,2% para a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf).

Agora, com a emenda, o atleta envolvido nas transações de seu passe pagará os valores se quiser, pois a contribuição passa a ser voluntária.

*Com Agência Câmara 

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Ranking

Os 27 fundos multimercados que superaram o CDI com consistência no longo prazo

Fundos badalados como o Bahia AM Maraú, o SPX Nimitz e o Kapitalo Kappa aparecem no topo da lista divulgada pela consultoria Economatica, mas o fundo Verde ficou de fora.

Iniciativa do governo

Programa Brasil Mais terá R$ 1 bilhão e buscará otimizar 200 mil empresas

O “Programa Brasil Mais”, anunciado nesta terça-feira (18) pelo governo federal, receberá investimento de cerca de R$ 1 bilhão, afirmou o porta-voz da presidência da República, Otávio Rêgo Barros. Tendo como meta o aumento da eficiência das empresas, o programa foi dividido em quatro linhas: uma focada em otimização, envolvendo 200 mil empresas; outra, voltada […]

Tratos feitos

CVM aceita acordo com Morgan Stanley para encerrar processo envolvendo manipulações de ações da OGX, de Eike Batista

No total, o banco norte-americano se comprometeu a pagar a quantia de R$ 13,2 milhões

Página por página

Bolsonaro diz que vai avaliar texto da reforma administrativa esta noite

Há pouco, o presidente se reuniu com ministros para tratar da matéria

De olho nos números

EcoRodovias, Engie e Iguatemi: os balanços que movimentam os mercados nesta quarta-feira

Confira os resultados das empresas que divulgaram seus números na noite de ontem e na manhã de hoje

Seu Dinheiro na sua noite

Quando a vida real alcança a bolsa

Para quem acompanha de longe, o sobe e desce muitas vezes frenético da bolsa de valores pode parecer totalmente desconectado da realidade. É verdade que o tal mercado passa por vários momentos de “exuberância irracional” – para lembrar a famosa frase de Alan Greenspan. O contrário também acontece com frequência, ou seja, em momentos de […]

De nome em nome

Líderes já indicaram 34 parlamentares para a comissão mista da reforma tributária

No total, o grupo será formado por 25 deputados e 25 senadores

Dinheiro na mão

Energias do Brasil aprova JCP de R$ 0,39 por ação e dividendos de R$ 0,609 por ação

No total, a empresa desembolsará R$ 236 milhões para efetivar os pagamentos de JCP e R$ 368,8 milhões para os dividendos

Contando os dólares

Reservas internacionais caem US$ 12 milhões no dia 17 de fevereiro, para US$ 358,9 bilhões

Resultado reflete, entre outros pontos, a oscilação do valor de mercado dos ativos que compõem as reservas

R$ 4,3574

Impulsionado pelo ‘risco coronavírus’, dólar à vista voa alto e atinge um novo recorde nominal

A indicação de que a Apple não conseguirá cumprir as metas do terceiro trimestre por causa do surto de coronavírus deixou os mercados globais em alerta. Como resultado, o dólar à vista subiu e cravou mais uma máxima, enquanto o Ibovespa fechou em queda

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements