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Nesta quinta-feira, 18 empresas, entre as mais relevantes do país, tornam públicos o comportamento de receitas, despesas, lucro ou prejuízo. O Banco do Brasil e a Vale estão entre elas
Tenho paixão por petróleo e navegação, o que não me torna letrada nessas áreas. Sou capaz de ouvir (por horas) alguém discorrer sobre exploração de óleo em águas profundas e logística, mas jamais arriscaria escrever dois parágrafos sobre assuntos tão técnicos e que exigem profundo conhecimento acadêmico. Mas não posso negar que esses interesses específicos me encorajaram a me candidatar ao programa de “trainee” da Gazeta Mercantil, no início da década de 1980.
Talvez você nem conheça essa publicação porque ela quebrou em 2004, mas veteranos como eu devem lembrar que a Gazeta foi o principal jornal do país especializado em economia. E por muito tempo. Deixei a redação 11 anos antes da falência.
Imagino que você deva estar pensando que sou sortuda pra caramba... e eu concordo!
Para não faltar com a verdade nem ser injusta, devo reconhecer que meu entusiasmo com o programa de trainee cresceu com um empurrão do jornalista Elio Gaspari, então diretor da revista Veja. Hoje, o Elio é colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.
Durante uma carona oferecida pelo meu marido (também editor da Veja na época), Elio notou minha indecisão quanto ao meu futuro profissional e me surpreendeu com a pergunta: “Em que jornal você não trabalhará aos domingos?”. Respondi: “Na Gazeta!”. Ao que ele acrescentou: “Então, sua decisão está tomada. Você é jovem, mas a vida vai te mostrar que o domingo é nosso. De nossa família, de nossos filhos...”
Elio tinha razão.
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Conto essa história porque, nesta semana de divulgação de dezenas de balanços de empresas, recordo o início da minha carreira: da penosa tarefa de acompanhar os dados, repercutir as informações na ponta do lápis (literalmente) e estar particularmente atenta às empresas estatais que dominavam o Ibovespa. Não havia computador nas Redações. E, quando os computadores chegaram, o Google não era acessível... a vida era dura.
Nesta quinta-feira, 18 empresas, entre as mais relevantes do país, tornam públicos o comportamento de receitas, despesas, lucro ou prejuízo. O Banco do Brasil e a Vale estão entre elas. O balanço trimestral da mineradora vai refletir provisões para indenizações de acidentes ambientais... O BB já anunciou cedinho um lucro líquido de 4,2 bilhões de reais, acima das projeções de mercado. Há dois dias, a Petrobras informou lucro líquido de 4 bilhões de reais, bem abaixo do observado em igual período do ano passado. Um ajuste do balanço a normas contáveis afetou o resultado da petroleira.
A divulgação do balanço de estatais em geral e da Petrobras em particular não deveria ser um evento, mas é! E nem pense que o lucro apurado (maior ou menor que o previsto) é o centro de todas as atenções. Claro que o desempenho da companhia importa. Afinal, ela tem mais de 600 mil acionistas e você pode ser um deles...
O editor Ruy Hungria, meu colega aqui na Empiricus, considerou positivo o fato de o resultado da Petrobras não surpreender, uma vez que a empresa teve sua produção interrompida. Os efeitos foram atenuados, porém, com a entrada em operação de sete novas plataformas.
O desempenho da petroleira não foi brilhante, como reconheceu o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, em entrevista para detalhar o resultado... o meu colega concorda e vê amplo espaço para melhorias com a ampliação de investimentos no pré-sal.
Confira também o papo divertido entre o especialista em Petrobras da Inversa Marink Martins e o colunista Ivan Sant'Anna, na série de podcasts especiais “E agora, Petrobras?”, em que eles reafirmam a importância da empresa para o Brasil em diferentes momentos da história da nossa economia.
Aprendi com esse podcast que os poços da Bacia de Campos estão envelhecendo e sendo substituídos pelo petróleo do pré-sal.
Se a divulgação do balanço da Petrobras é sempre um grande acontecimento, imagine você o que foi 2014, quando a empresa (por duas vezes) adiou a publicação do resultado do terceiro trimestre daquele ano. Eu e meus colegas especialistas em petróleo/gás e empresas sofremos e aprendemos muito. Aliás, não só a gente. Os adiamentos ocorreram em função da Operação Lava Jato, que apertava, naquele momento em particular, o cerco à empresa que se tornou protagonista das investigações sobre desvio e lavagem de dinheiro.
2014 caiu do calendário sem que a Petrobras divulgasse o resultado do terceiro trimestre porque ninguém (dentro e fora da empresa) sabia como contabilizar as perdas com atos de corrupção. Em meados de abril de 2015, (enfim!) saiu o balanço de 2014. E aprendemos (todos) que pagamento de propina a ex-diretores e obras superfaturadas eram novidades apresentadas pela Lava Jato (que começou em março de 2014).
Aos auditores coube o desafio de calcular e/ou conferir as perdas da Petrobras com o desvio de dinheiro público. As baixas contábeis do exercício de 2014 chegaram a 50,8 bilhões de reais. O prejuízo apurado em 2014 foi de 21,6 bilhões de reais, impactado pela perda de 44,6 bilhões de reais com desvalorização de ativos e 6,2 bilhões de reais de perda com as falcatruas escancaradas pela Polícia Federal e o Ministério Público.
“Pra não dizer que não falei das flores”, como Geraldo Vandré em 1979, ontem, às 6 da matina, a Lava Jato botou seu bloco na rua. E, em sua 61ª fase, cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão para apurar um esquema de lavagem de dinheiro no Banco Paulista.
Nesta quinta-feira, os mercados terão a comemorar os resultados de empresas que já publicaram os dados nesta manhã, como Banco do Brasil, Vale e Telefônica, aguardar os números de Suzano, Carrefour, Lojas Americanas, B2W, Lojas Marisa, Estácio e Qualicorp, entre outras, e repercutir a positiva audiência pública da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara com o ministro Paulo Guedes. A manutenção da taxa Selic em 6,5 por cento pelo Copom não foi surpresa, assim como a reafirmação feita pelo comando do Banco Central sobre a importância da aprovação das reformas para a estabilidade da inflação e a retomada da economia.
O Ibovespa Futuro abre os negócios em queda, o dólar sobe e os juros passam por leves ajustes. Nas Bolsas americanas, os índices futuros caem. As relações comerciais entre EUA e China seguem no foco dos analistas.
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