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Concorrência promete esquentar com lançamentos no Rio e São Paulo, além de Balneário Camboriú (SC), onde se pode encontrar coberturas de mais de R$ 25 milhões
Donos de incorporadoras e corretoras especializadas em imóveis de luxo andam com a agenda atribulada neste verão. Tudo porque a concorrência promete esquentar neste ano e nos próximos, com lançamentos no Rio e São Paulo, além da expansão de um endereço já famoso nesse segmento: Balneário Camboriú (SC), onde se pode encontrar coberturas de mais de R$ 25 milhões.
A cidade do Sul do país é hoje a que concentra os projetos mais imponentes, tanto em relação aos diferenciais agregados quanto à, digamos, ousadia arquitetônica. Favorecida por um Plano Diretor que permite mega construções, Camboriú abrigará o maior empreendimento residencial de torres gêmeas da América Latina e o que pretende ser o mais alto edifício frente mar do Brasil.
Inspirado no universo náutico, um dos projetos terá duas torres de 81 andares, cada um com dois apartamentos de quatro suítes, sendo uma master, com closet e hidromassagem. O morador terá direito a três vagas na garagem, uma especial para veículo super esportivo. O prédio tem ainda dois helipontos e acesso exclusivo à Marina Tedesco, uma das maiores do Sul do país – que fica ao lado. O preço da unidade padrão, de 254 m2, parte atualmente de R$ 4,5 milhões.
O empreendimento já atingiu o andar 74 e tem entrega prevista para 2020, devendo alcançar 275 metros de altura. Para dar conta da altura, serão cinco elevadores por torre, com reconhecimento facial e biometria, capazes de avançar a uma velocidade de seis metros por segundo. Outros sete estarão distribuídos pelo condomínio, incluindo dois para acessar os helipontos.
O projeto tem a assinatura de um renomado escritório de design italiano, com paredes de vidro duplo e cantos arredondados, mas a referência na cidade é ser o prédio onde o jogador Neymar arrematou uma das coberturas duplex – avaliada nos dias de hoje em cerca de R$ 25 milhões. Outros famosos com unidades no prédio são os cantores Alexandre Pires, Gustavo Lima e Sorocaba.
Também situado na Barra Sul de Camboriú, está em construção um edifício de 71 andares, dez a menos que o vizinho de torres gêmeas, mas que tem a pretensão de superá-lo em altura, característica que virou quase uma obsessão do lugar. Com apartamentos avaliados na casa de R$ 6 milhões, com quatro suítes – duas de frente para o mar – e até quatro vagas na garagem, o site do empreendimento trazia no fim de fevereiro o aviso de que “o procedimento de registro da incorporação está em trâmite no órgão competente”.
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Algumas coberturas que, literalmente, alcançam as nuvens já estão esgotadas em Camboriú, mas existem atualmente outras opções, também na faixa de R$ 25 milhões. Assim como empreendimentos cuja unidade padrão tem piscina privativa e lareira, ao preço aproximado de R$ 16 milhões.
Além de apartamentos com infraestrutura recheada de lazer e serviços, incluindo banho turco, cinema, academias e bares diferenciados, com promessa de hotelaria de ponta, os projetos buscam seduzir os clientes de diferentes maneiras. Um deles, por exemplo, se apropriou do nome de uma danceteria que nos anos 80 e 90 foi o point mais badalado da cidade e busca simular uma casa noturna, com direito a salão de festas com vista para o mar e som diferenciado nos ambientes. “É um prédio do começo da orla, onde param os transatlânticos”, afirma Marcos Godoy, corretor especializado na região.
Outro empreendimento, cita Godoy, traz no pacote um serviço completo de marina, com colocação e retirada de embarcações no mar, limpeza e manutenção.
“Camboriú é um mercado muito específico, que nos últimos anos avançou fortemente no ramo de luxo”, diz Matheus Fabrício, diretor-executivo da Rede Lopes. “Existe na região uma força muito grande de empresários do agronegócio.”
Especialistas dizem que o segmento premium foi um dos que menos sofreu com a crise que atingiu o setor imobiliário nos últimos anos. “O mercado de imóveis voltados para o público de altíssima renda é muito resiliente”, afirma Luiz Antonio França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). “Em geral, são empreendimentos lançados em locais muito nobres, normalmente com escassez de terrenos, e que tem um mercado consumidor disposto a morar ali.”
Diante disso, da cobrança de clientes por segmentação e de um horizonte econômico mais favorável, a Lopes decidiu no fim de 2018 lançar um portal dedicado exclusivamente ao alto padrão. Fabrício conta que a plataforma estreou com aproximadamente 2,5 mil imóveis, está hoje na casa de 3 mil e a expectativa é atingir 5 mil ainda neste ano. “O nível de confiança (do consumidor) está hoje no melhor patamar em quatro anos.”
O diretor da Lopes comenta que existem peculiaridades nas diferentes regiões do país e lembra que o cliente do alto padrão em geral é muito exigente e bem assessorado, o que pode esticar o tempo de negociação.
“No Rio, por exemplo, são vendas mais demoradas”, afirma Fabrício. Em geral, explica ele, é um público que já mora bem e quer investir em um imóvel maior ou mais bem localizado. Por boa localização, leia-se zona Sul e Barra da Tijuca.

“O preço do metro quadrado para Leblon e Lagoa está na casa de R$ 30 mil, para um empreendimento novo. Na Barra, chega a R$ 20 mil o metro quadrado se for na avenida da praia, de frente para o mar”, diz o executivo. “Até agora, o pouco que se lançou na zona Sul teve alta liquidez, pois é uma região muito desejada.”
Atualmente, existe na Barra um lançamento de apartamentos de 266 a 648 m2 de área privativa, com quatro ou cinco suítes. As coberturas possuem de 556 a 1,3 mil m2, com cinco ou seis suítes. Vagas na garagem? De três a oito. A faixa de preço dos imóveis varia de R$ 4,2 milhões a R$ 10,4 milhões.
No bairro do Flamengo, um dos projetos tem parceria com um estúdio de design, possui vista para o Pão de Açúcar, três suítes e unidades de 150 a 181 m2, com valores que vão de R$ 2,6 milhões a R$ 2,9 milhões. Outra opção fica no Jardim Botânico, um empreendimento de apenas 24 unidades – ao preço de R$ 2,2 milhões a R$ 2,4 milhões –, com três ou quatro suítes e cobertura de até 234,4 m2, com piscina aquecida e vista para o Cristo Redentor.
A capital paulista não tem o atrativo da praia, mas ainda é o maior e mais importante mercado do país no segmento de alto padrão, diz Fabrício, da Lopes. De acordo com ele, houve nos últimos anos uma forte diminuição na oferta de apartamentos acima de 150 m2, o que gerou uma demanda reprimida e traz potencial para a retomada desses lançamentos.
Um dos imóveis bastante aguardados, aliás, veio a mercado em meados de fevereiro. Fica no Jardim América, a uma quadra da luxuosa rua Oscar Freire, com unidades de 263 a 585 m2, três a quatro suítes e quatro ou seis vagas na garagem. O valor médio para aquisição de uma unidade será de aproximadamente R$ 8 milhões.
No mesmo bairro, outro empreendimento já lançado tem apartamentos de 91 a 268 m2, com duas a quatro suítes e até três vagas na garagem, com valores entre R$ 1,7 milhão e R$ 6,7 milhões. Fabrício cita ainda um lançamento no Brooklin, situado a 600 metros do Shopping Morumbi e com apartamentos de 66 a 366 m2, duas a quatro suítes e igual número de vagas na garagem – com preços que oscilam de R$ 900 mil a R$ 3,4 milhões. Um dos diferenciais é um espaço verde com 40 mil m2, incluindo riacho e lago.
Segundo o executivo, a Lopes pretende anunciar parcerias internacionais ainda neste primeiro trimestre, para oferecer imóveis em Portugal e nos Estados Unidos – basicamente Orlando, Miami e Nova York –, mercados muito demandados por brasileiros.
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