Mercado em pausa reavalia cenário
Agenda econômica fraca do dia abre espaço para investidor reavaliar cenário, após fim das incertezas sobre guerra comercial e Brexit

O mercado financeiro deve aproveitar a pausa na agenda econômica hoje para recompor o fôlego, após a recente esticada nos ativos de risco, na esteira do fim das incertezas sobre a guerra comercial e o Brexit. Os investidores aproveitam para reavaliar o cenário para 2020, diante das perspectivas de melhora no crescimento econômico global.
A fase um do acordo entre Estados Unidos e China levou muitas instituições financeiras a revisarem marginalmente para cima suas estimativas para o PIB mundial no ano que vem. Contudo, os investidores ainda mostram cautela em relação ao progresso da negociação comercial em direção às próximas etapas, após o cessar-fogo recente.
Da mesma forma, as idas e vindas na novela britânica trazem dúvidas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) no fim de janeiro. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) ficou em cima do muro, dividido entre projeções ainda confortáveis para a inflação e uma postura mais cautelosa na condução da Selic - sem indicar se cabem novos cortes ou se o ciclo já chegou ao fim.
Tudo vai depender, então, do ritmo da atividade real, em meio aos sinais crescentes de acúmulo de pressão inflacionária - via o mercado de crédito e o choque de preços. Diante de um Copom menos afável, a curva a termo de juros futuros recompôs prêmios, ao passo que o dólar orbitou ao redor de R$ 4,05 e o Ibovespa cravou o 35º recorde histórico de fechamento do ano.
Hoje, os negócios locais podem até ensaiar uma correção, diante do sinal negativo que tenta prevalecer entre os índices futuros das bolsas de Nova York. Na Ásia, a sessão foi de leves baixas, sendo que Tóquio caiu um pouco mais (-0,55%). As principais bolsas europeias também amanheceram ligeiramente no vermelho.
Nos demais mercados, destaque para o yuan (renminbi), que cai após o Banco Central chinês (PBoC) injetar US$ 29 bilhões em liquidez no sistema financeiro no curto prazo e reduzir a taxa de recompra reversa de 14 dias de 2,70% para 2,65%. Já a taxa mais curta, de 7 dias, foi mantida em 2,5%.
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O dólar, por sua vez, ganha terreno em relação aos rivais, com a mais recente rodada de indicadores norte-americanos elevando a confiança sobre a saúde da economia dos EUA. A postura do Federal Reserve, de que deve manter os juros baixos por um tempo, também ajuda a estabilizar o dólar. Já o petróleo cai, mas o preço do barril segue acima de US$ 60.
Agenda faz uma pausa
A agenda econômica desta quarta-feira está sem grandes destaques. No Brasil, sai a segunda prévia de dezembro do IGP-M (8h) e os dados parciais sobre a entrada e saída de dólares do país, o chamado fluxo cambial (14h30).
Lá fora, o calendário norte-americano traz apenas os estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país (12h30). Pela manhã, na Europa, serão conhecidos vários índices de preços na Alemanha e no Reino Unido, além da leitura final da inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro em novembro e do índice alemão IFO sobre a confiança do empresariado.
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