Trégua na guerra comercial traz alívio aos mercados
EUA adiam imposição de sobretaxa e negociações com a China devem ser retomadas em breve

Uma bem-vinda trégua na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China traz alívio aos mercados financeiros internacionais neste início de julho. No sábado, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping reuniram-se amistosamente às margens da reunião de cúpula do G-20 em Osaka.
Como resultado, o governo norte-americano anunciou o adiamento da imposição de uma tarifa de 25% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses que ainda não estão sobretaxados. Washington também autorizou a venda de componentes à gigante tecnológica chinesa Huawei.
As sobretaxas já em vigor, no entanto, seguem no lugar. Mesmo assim, a trégua entre Washington e Pequim alimenta agora a expectativa de que as negociações comerciais entre as duas maiores potências da atualidade sejam retomadas em breve e um acordo seja buscado.
O otimismo refletiu-se nos mercados de ações asiáticos. Com exceção da Bolsa de Valores de Seul, que fechou em queda de 0,04%, os principais índices acionários da região subiram. A Bolsa de Tóquio fechou em alta de 2,1%, enquanto Xangai avançou 2,2%. E enquanto na Europa os índices de ações abriram em alta, puxados pelo setor de tecnologia, os índices futuros de Nova York sinalizam que a semana - a ser abreviada pelo Dia da Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho - começará no azul.
Ainda que o fato de não ter havido uma escalada na guerra comercial traga alívio aos investidores, o comportamento muitas vezes errático de Trump na condução das disputas contra a China é motivo de sobra para que os investidores não percam de vista a cautela à espera de avanços palpáveis.
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Afinal, os Estados Unidos terão eleições presidenciais em 2020, a campanha se avizinha e o endurecimento do discurso contra a China é considerado um bom catalisador de votos para Trump.
Além disso, os sinais de desaceleração da economia global não param de pipocar. Desta vez, o chamado “tankan”, sondagem realizada pelo Banco Central do Japão, registrou o segundo trimestre consecutivo da queda na confiança entre os executivos das grandes indústrias do país. Na China, o índice dos gerentes de compra do setor manufatureiro encerrou junho estável, mas ainda em território contracionista.
Previdência entra em fase decisiva
O alívio vindo de fora permite aos investidores do mercado financeiro local concentrar o foco no andamento da reforma da previdência. A segunda-feira deve ser de atenção ao noticiário, uma vez que a leitura do parecer sobre as novas regras para aposentadoria é esperada para amanhã na comissão especial da Câmara dos Deputados. Caso a leitura do parecer ocorra conforme o previsto, a votação deve ocorrer no dia seguinte.
O avanço da reforma ainda depende de um consenso entre deputados e governadores em relação à inclusão de servidores públicos estaduais e municipais no projeto de lei da reforma. O prazo para um acordo é a terça-feira, o que não deve prejudicar eventuais ajustes no parecer a ser lido pelo relator.
Os esforços parlamentares pela aprovação da reforma da previdência levam em consideração o recesso no Congresso Nacional. Tanto o governo quanto os deputados favoráveis à reforma acreditam na possibilidade de o texto, depois de passar pela comissão especial, possa ser aprovado em dois turnos no plenário da Câmara até 18 de julho.
Se a reforma da previdência passar antes do recesso, será um ponto de partida para o avanço de outros projetos considerados importantes, como a reforma tributária, bem como para a retomada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central.
Entre os atores dos mercados financeiros, a expectativa é de que os atos realizados ontem em mais de 80 cidades brasileiras sirva para “estimular” um acordo político em favor da reforma.
Apesar do calendário apertado, o otimismo prevalece. O índice Ibovespa registrou leve alta de 0,24% na sexta-feira, com os investidores praticamente ignorando o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul depois de duas décadas de negociações.
Hoje, o Ibovespa tende a abrir em alta, acompanhando o avanço dos índices de ações estrangeiros com o alívio na guerra comercial, sem nada que indique uma iminente perda do nível de 100 mil pontos. Para o dólar, em contrapartida, o apetite por risco tende a fomentar a valorização do real. Enquanto isso, as taxas dos contratos futuros de juros seguem cortando gordura em meio à percepção de que um corte na taxa Selic pelo Banco Central é apenas uma questão de tempo.
Hoje, antes da abertura do mercado financeiro brasileiro, o Banco Central divulgará a pesquisa Focus em meio à expectativa de novas revisões nas estimativas do mercado, especialmente em relação às projeções referentes ao PIB, à inflação e aos juros diante da persistente ausência de sinais de recuperação da economia do País.
Em Viena, a reunião da Opep tem início em meio a sinais de que o cartel de produtores de petróleo e a Rússia estenderão por mais nove meses o acordo para limitar a produção da commodity.
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