Theresa May livra sua cabeça da degola e convoca nova negociação para um acordo do Brexit
Parlamento britânico salva novamente a cabeça da premiê um dia após uma derrota histórica do governo sobre o acordo do Brexit

Salva mais uma vez! Um dia depois de sofrer uma grande derrota no Parlamento do Reino Unido, a primeira-ministra britânica, Theresa May, venceu nesta quarta-feira, 16, a moção de desconfiança protocolada contra seu governo.
No total, foram 325 votos favoráveis a May e 306 contra. A vitória de hoje foi bem mais apertada do que o resultado da última moção protocolada contra a premiê, em dezembro do ano passado. Na ocasião, May venceu o processo por 200 votos a 117.
De acordo com a mídia local, a vitória da premiê foi movida mais pela estratégia do Partido Conservador em se garantir no governo do que propriamente uma iniciativa de proteção a May.
Seguindo em frente
Minutos depois o resultado, May afirmou que seu governo voltará ao Parlamento britânico na segunda-feira, 21, com uma nova proposta de acordo para o Brexit. A versão antiga, apresentada ontem por ela, foi rejeitada pelos parlamentares por uma margem histórica (432 votos contra e 202 a favor)
A chefe britânica também convidou líderes partidários a se reunirem com ela já na noite de hoje. O líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, também fez um pronunciamento após o resultado da moção, afirmando que o governo "deve remover a possibilidade de um Brexit sem acordo".
O principal entrave para o acordo do Brexit está no chamado backstop, uma cláusula de proteção em relação à fronteira irlandesa. Esse mecanismo funcionaria como uma salvaguarda para impedir a colocação de uma fronteira física entre a Irlanda - membro da União Europeia - e a Irlanda do Norte após o divórcio dos britânicos com a UE.
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Soft May?
Após a tempestade que durou 24 horas, a aposta agora é de que May deve baixar o tom nas negociações com o Parlamento. A avaliação é da equipe de analistas da Continuum Economics, que publicaram uma nota dizendo que "os comentários de May antes do voto de desconfiança não sugeriram muita flexibilidade, mas ela pode ter um pouco mais agora que sobreviveu".
Em seu discurso pós-moção, a premiê disse que quer conversar com os líderes dos outros partidos, que não apenas o seu Conservador, para preparar o Plano B para o Brexit. A principal aproximação deve se dar com o Partido Trabalhista, mas, para receber o apoio da oposição, ela provavelmente teria que concordar em permanecer na união aduaneira e abandonar uma grande parte do seu próprio partido.
Próximos passos
Pelo cronograma, o Brexit deve ser consumado às 23 horas de 29 de março deste ano. Faltam, portanto, apenas 10 semanas para se esgotar o prazo legal da retirada e uma série de incertezas e caminhos possíveis pela frente. Entre todas as possibilidades, há até mesmo a de a separação nem ocorrer. O que o mercado financeiro gostaria de ouvir é que um consenso de última hora poderá ser alcançado a qualquer instante.
*Com Estadão Conteúdo.
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