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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Em busca de sócios

Na onda dos IPOs e follow-ons: entenda o que leva uma empresa a abrir capital e ofertar ações em bolsa

Segundo semestre de 2019 promete ser mais agitado em termos de ofertas de ações na bolsa, o que é bom para o investidor; mas você sabe o que leva uma empresa a abrir o capital?

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
14 de setembro de 2019
5:30 - atualizado às 9:41
Ilustração relaciona IPO a casamento
IPO: abertura de capital é como um casamento entre empresas e acionistas, com direito a celebração na bolsa de valores. - Imagem: Pomb

Na última semana, a incorporadora Trisul reabriu a temporada de ofertas de ações na bolsa de valores brasileira ao captar R$ 405 milhões junto a investidores. As próximas semanas reservam ofertas do Banco Pan e do Banrisul, que já têm ações negociadas na B3, além da abertura de capital de novas companhias, que devem fazer o chamado IPO, sigla em inglês para Oferta Pública Inicial.

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Ofertas de ações são boas notícias para os investidores, porque significam que a economia está se movimentando e que o volume e variedade de opções de ativos renda variável está aumentando.

Mas você sabe o que leva uma empresa a abrir o capital na bolsa e ofertar ações?

O que leva uma empresa à abertura de capital

A abertura de capital permite às empresas obter recursos para financiar suas atividades a um custo mais baixo, além de facilitar a saída de sócios com grande participação no negócio.

Companhias abertas têm mais visibilidade e estão obrigadas a seguir uma série de regras de transparência, além de pagar algumas taxas. Tudo isso contribui para reduzir o seu custo de capital, isto é, baratear seu acesso a financiamento.

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Lembrando que, dependendo do nível de governança da companhia, ela precisa cumprir mais ou menos exigências de transparência e organização. Quanto mais alta a governança, mais transparente é a companhia e mais atrativa ela se torna para os investidores.

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No vídeo a seguir eu falo um pouco mais sobre os níveis de governança corporativa da bolsa brasileira:

É importante deixar claro que nem toda abertura de capital implica oferta de ações. O processo também é exigido para a emissão de outros tipos de valores mobiliários, como as debêntures, que são os títulos de dívida das empresas.

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Assim, uma empresa aberta pode emitir ações e dívida ou apenas um tipo de ativo.

Ao emitir dívida, a empresa aberta está aumentando sua participação de capital de terceiros, isto é, está obtendo empréstimos junto a pessoas físicas e jurídicas sem ter, necessariamente, que recorrer a uma instituição financeira.

Ao emitir ações, no entanto, a companhia está aumentando a sua participação de capital próprio, isto é, abrindo o seu quadro acionário para o grande público de forma a permitir que outras pessoas físicas e jurídicas passem a fazer parte do seu quadro de sócios.

Ao fazer abertura de capital com oferta de ações na bolsa, portanto, a companhia está, na verdade, buscando novos sócios: gente que acredita no seu negócio e vai topar fazer aportes na companhia em troca de participação nos seus lucros. Os recursos captados serão usados pela empresa no seu próprio negócio.

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Tipos de ofertas

Existem dois tipos de ofertas de ações: as primárias e as secundárias.

Nas ofertas primárias, a própria empresa oferece as ações ao mercado e os recursos obtidos junto aos investidores vão para o caixa da companhia. É uma maneira de a empresa se financiar.

Já nas ofertas secundárias, grandes sócios vendem parte ou a totalidade da sua participação na bolsa. Os recursos vão, então, para o bolso dos sócios que realizaram a venda, e não para o caixa da companhia.

Vamos a alguns exemplos: a oferta de ações da Trisul, que eu mencionei no início desta matéria, foi uma oferta primária. Todos os R$ 405 milhões captados com a venda das ações na bolsa foram para o caixa da incorporadora.

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A oferta do Banco Pan, por sua vez, será primária e secundária. Metade dos recursos obtidos com a venda das ações vai para o caixa do banco, e a outra metade vai para a sócia que vai aproveitar o embalo para vender as suas ações, a Caixa Participações.

Finalmente, a oferta do Banrisul será totalmente secundária. O sócio principal - o governo do Estado do Rio Grande do Sul - venderá parte das suas ações e espera arrecadar, para os seus cofres, mais de R$ 2 bilhões.

Note que processos de privatização de estatais por meio da oferta de ações em bolsa são ofertas secundárias, em que o ente governamental é o sócio principal que deseja levantar recursos por meio da venda da sua parte.

Outro tipo de oferta secundária muito comum é no caso das empresas que receberam aportes de fundos de capital de risco quando ainda tinham capital fechado.

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Esses fundos em geral investem em empresas em estágio inicial ou que precisam passar por grandes mudanças. Depois que o negócio amadurece, geralmente eles vendem a sua participação na bolsa e realizam os lucros.

É por isso que quem gosta de investir em ações está sempre de olho nos aportes dos grandes fundos em startups, por exemplo.

IPO vs. follow-on

O IPO - sigla em inglês para Initial Public Offering - nada mais é que a Oferta Pública Inicial de ações, isto é, a primeira oferta de ações de uma companhia estreante na bolsa.

Em 2019, só duas companhias fizeram IPO na bolsa brasileira: a Centauro e a Neoenergia.

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Já o follow-on, também chamado de oferta subsequente, é uma nova oferta de ações feita por uma empresa que já tem ações negociadas em bolsa. É o caso, por exemplo, dessa última oferta da Trisul.

Repare que tanto IPOs como follow-ons podem incluir ofertas primárias ou secundárias. O fato de ser uma oferta primária ou não nada tem a ver com ser um IPO ou um follow-on.

A capitalização da Petrobras que ocorreu em 2010 é um bom exemplo de follow on em que ocorreu uma oferta primária.

Lembrando que é apenas no caso das ofertas primárias, sejam elas iniciais ou subsequentes, que a companhia de fato capta recursos para se financiar. Quaisquer negociações entre sócios, majoritários ou minoritários, não afetam o caixa da empresa.

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Uma companhia também pode recomprar os seus próprios papéis, num processo chamado de Oferta Pública de Aquisição (OPA), que pode ser parcial ou total. Caso decida fechar seu capital, a empresa deve recomprar todas as suas ações.

Foi o que ocorreu, por exemplo, com a adquirente Redecard, que fechou o capital em 2012 após uma OPA.

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