‘Vamos agir para aumentar a concorrência’, diz diretor do BC
Apelidado de "zap de pagamentos", vai permitir transferência online para quitação de contas, sem usar dinheiro e cartão

O Banco Central aposta na tecnologia para fazer com que o custo de crédito caia para o cliente. Em 2020, a instituição quer tirar do papel uma série de propostas, como o novo pagamento instantâneo. Apelidado de "zap de pagamentos", vai permitir transferência online para quitação de contas, sem usar dinheiro e cartão. O avanço das fintechs (startups que oferecem inovações de serviços financeiros) e o open banking (troca de informações de dados dos clientes entre as instituições, inclusive fintechs) também vão contribuir para baixar o chamado spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes), segundo o diretor do BC João Manoel Pinho de Mello.
Ele diz que não é possível estipular um prazo para que o custo fique menor para o consumidor, mas que vê pressão competitiva por "todos os lados". Os juros, porém, ainda seguem em nível elevado mesmo com a taxa básica (que baliza as outras operações) no menor nível da história. "Estamos enxergando e vamos enxergar cada vez mais os efeitos sobre as taxas no tomador na ponta e no spread", diz ao jornal O Estado de S. Paulo.
A guerra pelo cliente está mais intensa por qual razão?
Quando se vai resolvendo alguns problemas, outros vão ficando mais evidentes, mesmo que eles já existissem antes. Como estamos com a taxa de juros em níveis históricos, inflação baixa e sistema financeiro sólido, isso traz à tona o objetivo de eficiência. Estamos agindo para aumentar a concorrência para que a população tenha acesso a produtos a um preço melhor. É um conjunto. Vamos atacá-los todos. Não tem um grande vilão.
Mas a população vê os bancos como o maior vilão.
Os bancos prestam um serviço num ambiente historicamente de alto risco, que condicionou um tipo de estrutura no setor bancário. Tentar encontrar um vilão é uma maneira simplista de resolver problemas complicados. Temos, sim, de atacar as causas do problema, a inadimplência, fomentar a entrada de novos participantes, dar chance para todo mundo competir. A fórmula é meio conhecida: competição e segurança. Estamos empurrando essa fórmula já há alguns anos e agora, certamente, é uma agenda central.
Há resistências?
Pode haver resistências? Sempre pode. Nosso papel é fazer com que a tecnologia atinja seu potencial máximo de entregar produtos melhores. Credores terão mais informações sobre os devedores para diminuir o risco de fazer crédito e equalizar a informação dos clientes para fomentar a competição.
A pressão sobre os grandes bancos funciona?
Quem perde cliente tem de reagir melhorando seu produto ou baixando o preço. É fato que os bancos já estão sentindo. Esperamos que ocorra cada vez mais. Acreditamos que a entrada das fintechs, que hoje representam uma fração pequena, vai ampliar a gama de produtos disponíveis a preços bons, de modo que todo mundo sinta a pressão competitiva.
Leia Também
Quando vai resultar em juros mais baixos para o consumidor?
Vai acontecer ao longo do tempo. É difícil dar um prazo. Mas já estamos vendo pressão competitiva de todos os lados. Não é à toa que alguns (bancos) tradicionais estão sentindo incômodo. Vai aumentar o tamanho do bolo, vai dar mais negócio para todo mundo.
Como avançar na redução do custo do crédito?
Dá para melhorar em várias dimensões. Boa parte do spread é inadimplência. É arriscado emprestar porque em muitas linhas há muita chance de haver inadimplência. É difícil e custoso executar a garantia. Isso é custo de prover o serviço de crédito. É claro que ele acaba indo para preços. Boa parte da agenda do BC é voltada para dar segurança às garantias. A água não chega à nossa casa limpa. Tem todo um encanamento por trás e estamos trabalhando para desentupi-lo e criar mais tubos para que chegue mais rápido.
Como explicar que o spread não caiu na mesma velocidade da queda da taxa básica?
Se olharmos desde o começo do ciclo de queda da Selic, do segundo semestre de 2016 para cá, produto a produto, veremos, sim, uma queda relevante dos spreads em quase todas as modalidades.
Mas e os produtos mais problemáticos como cheque especial?
Essa impressão que o spread não cai é porque tem alguns produtos, especialmente os emergenciais, como o cheque especial, com spread muito alto. Precisamos entender um pouco esses produtos e ver o que dá para fazer para melhorar o preço. Como o contato da maioria das pessoas é com eles, se tem essa impressão. Mas está acontecendo a queda do spread. Ela está no ritmo que a gente gostaria? Eu diria que dá para melhorar.
De que forma?
Melhorando as garantias, fazendo intervenções como o open banking, que melhora a informação sobre o devedor e equaliza a informação do devedor entre os credores. Temos dois efeitos benéficos: cai o risco de prover o crédito e ajuda o banco, a fintech, que não é o seu banco, a saber sobre você de modo que consegue competir pelo negócio com o seu banco.
Que podemos esperar das mudanças no cheque especial?
Algo na linha do redesenho do cartão de crédito. Estamos estudando o produto. Precisamos tomar decisões com base em evidências e analisando o impacto regulatório. Estamos nesse processo agora. O cheque especial tem uma ineficiência grande. Muitas pessoas têm limite muito alto e não usam e esse limite consome capital do banco. É um custo do banco. Dá para redesenhar. Estamos olhando as opções.
Além das mudanças no cheque especial, o que tem mais na agenda?
Temos o open banking: uma fintech que entrar vai saber sobre mim tanto quanto o meu banco sabe. Precisamos aumentar a quantidade de informação disponível porque faz cair o risco de conceder o crédito e aumenta a competição. A Lei Geral de Proteção de Dados estabeleceu que o dado é de propriedade do indivíduo, e não do seu banco. Haverá vários aplicativos e entrantes oferecendo produtos com base em consentimento. O outro projeto estruturante que é o "pagamento instantâneo" vai permitir fazer transferências (TEDs) 24 horas por dia, sete dias da semana. A primeira fase do novo produto entra em novembro de 2020.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS
Volta ao presencial e ‘cheque gordo’ do Itaú (ITUB4) dão nova vida a escritórios de SP — mas nem todos os bairros ganham
22 de outubro de 2026 - 10:09Conteúdo Empiricus
Mercado de opções cresce 79% na B3 em 2026; confira como você também pode aproveitar oportunidades com esse tipo de operação na bolsa
22 de outubro de 2026 - 10:00PRECISA DE CONSERTO
Lotofácil, Quina e outras loterias acumulam e atenção se volta para prêmio de R$ 200 milhões em jogo na Mega-Sena
22 de outubro de 2026 - 5:53MAIS DINHEIRO NA MESA
Governo libera mais R$ 6,49 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA e por conflitos internacionais; veja quem pode acessar o crédito
21 de outubro de 2026 - 10:03NEM POR DECRETO
Mega-Sena acumula de novo e prêmio vai a R$ 200 milhões; Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha
21 de outubro de 2026 - 5:42FINANÇAS
Investimentos liberam mais limite nos cartões de crédito do BTG Pactual. Conheça os requisitos e benefícios das versões Gold, Platinum e Black
20 de outubro de 2026 - 16:00PRÉVIA DO RESULTADO
Receitas em alta e ações de lado: balanço da SpaceX (SPCX) finalmente decolou? Saiba o que esperar
20 de outubro de 2026 - 15:03DESTAQUE NA IMPRENSA
Repórteres do Seu Dinheiro são vencedoras do prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças
20 de outubro de 2026 - 14:58O MISTÉRIO CONTINUA
Universidade desembolsa R$ 4,5 milhões em nova etapa de busca por avião desaparecido de Amelia Earhart, mas encontra outra coisa
20 de outubro de 2026 - 14:02COMEÇOU BEM
Lotomania desencanta, paga R$ 14 milhões e ofusca prêmio milionário na Lotofácil; Mega-Sena acumulada promete R$ 185 milhões hoje
20 de outubro de 2026 - 5:55REAJUSTADO E ANTECIPADO
Governo antecipa pagamento do Bolsa Família reajustado a poucos dias do tira-teima entre Lula e Flávio Bolsonaro — e coloca a culpa no El Niño
19 de outubro de 2026 - 13:06ABRIU DISTÂNCIA
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 200 milhões; Quina pode pagar R$ 51 milhões hoje
19 de outubro de 2026 - 6:48ANOTE NA AGENDA
Temporada de balanços do 3T26 bate à porta: veja as datas das divulgações e das teleconferências
19 de outubro de 2026 - 6:04PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: pagamento da sétima parcela começa hoje; veja as datas de depósito
19 de outubro de 2026 - 5:02BENEFÍCIO NA CONTA