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Pibinho

A economia não cresce? Tá difícil de arrumar emprego? Pode culpar Brasília

Índice de Atividade Econômica do Banco Central (BC) decepciona em abril, mas não deve fazer preço nos mercados. Quem manda nisso é a política

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária para votar as medidas provisórias 871/2019, que combate irregularidades em benefícios previdenciários. Em destaque, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). - Imagem: Roque de Sá/Agência Senado

Decepção com indicadores de atividade virou rotina e hoje não foi diferente. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou retração de 0,47% em abril, marcando o quarto mês seguido de leitura negativa, algo que não se via desde meados de 2015.

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Indo direto ao ponto e como já falamos outras vezes, isso tem pouca importância para o futuro dos nossos investimentos. O foco do mercado está aqui em Brasília, onde se aguardam os desdobramentos da reforma da Previdência.

A reforma não é a salvação da pátria, mas parece existir o consenso de que esse é o passo primordial para que outras medidas de governo e do setor privado sejam tomadas.

Como disse o ministro Paulo Guedes, ao comentar o pibinho do primeiro trimestre: “A economia não está respondendo. Respondendo a quê? Não fizeram nada ainda!”

Já passamos pela grande onda de revisões de crescimento e agora estamos vendo o pessimismo se retroalimentando no exato reverso do visto até o começo do ano. Após as eleições, tomados pela euforia de um governo de aspiração liberal, chegamos a ver projeções de crescimento de mais de 3% para esse 2019.

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Agora, o pessoal do mercado e consultorias começa a se conformar com algo perto de 1% e já tem gente achando que o PIB pode ficar próximo de zero ou até mesmo negativo.

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Quem vai ditar se isso é pessimista demais também é Brasília. Se a reforma passa na Câmara antes de agosto, podemos ver alguma reação do lado real começando na segunda metade do ano. Se ficar para setembro ou outubro, 2019 fica como mais um ano perdido de uma década perdida.

A decepção e a angústia com a falta de crescimento também esquentam os debates sobre o que o governo e o Banco Central (BC) deveriam fazer. Mas tanto Paulo Guedes, quanto Roberto Campos Neto já disseram que não têm vocação para “animador de PIB”, como foi Guido Mantega.

Guedes foi direto ao ponto e disse que é insanidade fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. Mesmas coisa aqui seria ceder aos pedidos por injeção de dinheiro, liberação de crédito via bancos públicos com juro subsidiado e programas pirotécnicos de investimento (lembram dos inúmeros PAC da mãe Dilma?).

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Campos Neto também não parece disposto a ceder à pressão do mercado que vem derrubando as taxas futura de juros. O BC vem reafirmando que não troca inflação controlada por crescimento de curto prazo e ponto final.

Segundo o BC, tivemos choques que afetaram a economia no passado e a incerteza quanto às reformas tem de ser dissipada para termos uma retomada consistente da atividade.

Em recente entrevista, Campos Neto usou uma alegoria para explicar o que está acontecendo na economia brasileira e que ainda não está sendo bem compreendido.

Ele usou o exemplo das turbinas de um avião. Uma turbina é o mundo privado e outra é o público. Estamos desligando a turbina do mundo público, “mas, com credibilidade” vamos ligar a turbina do setor privado e fazer uma transferência de energia de uma para outra.

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É essa mudança de modelo, que ainda está acontecendo, que ajuda a explicar, em boa parte, essa paradeira na atividade econômica. No entanto, quando ela acontecer com maior intensidade, poderemos ver uma retomada mais rápida, já que a turbina do setor privado tem maior produtividade que a do setor público.

O ponto crucial é a questão da credibilidade, que foi destacada por Campos Neto ao longo da já referida entrevista (foram 31 menções). O BC e o governo têm de sinalizar claramente ao setor privado que a turbina do setor público não será ligada novamente.

O que se pretende é uma saída da insanidade. Há um novo desenho de política econômica em marcha e, mantendo a alegoria do avião, não podemos abortar essa decolagem.

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