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Stuhlberger reabriu o mitológico fundo Verde, topou entrar na plataforma de distribuição da XP e a aceitou falar com um veículo de comunicação recém-nascido. É como se ele se dispusesse, em algum grau, a um recomeço.
Os dois leitores desta newsletter talvez se lembrem de um desejo antigo: “Às vezes, tenho vontade de emprestar a Luciana Seabra a um grande veículo de comunicação só para que ela entreviste o Luis Stuhlberger e depois volte correndo para cá”.
Como leitor das longínquas entrevistas do Valor, na época do Paleolítico, percebia uma espécie de sincronicidade na dupla LS. Sentia falta.
Como é difícil encontrar algo verdadeiramente inteligente, fora da superfície e dos clichês travestidos de ideia pseudo-descolada. Onde moram as pessoas que pensam com as próprias cabeças? Será que Elon Musk pode construir um foguete para nos mandar direto para esse planeta? Eu toparia na hora, eu e ele, pontualmente às 4h20.
Quando me deparo com alguma coisa extraordinária — e me considero bom detector da diferença entre o muito bom e o extraordinário —, ouço sinos tocando e quase posso sentir o diafragma se expandindo, como se minha alma tentasse sair de dentro para avisar sua própria felicidade.
Bom, então está aí: o genial Luis Stuhlberger entrevistado pela genial Luciana Seabra. Há uma primeira matéria tratando de forma mais geral da cabeça do gestor, e uma segunda mais focada em suas principais posições no momento. O Seu Dinheiro é um sopro de inteligência no jornalismo econômico brasileiro — fica a recomendação de que você se cadastre em sua newsletter para ser agraciado com essa brisa todas as manhãs.
Existe muito simbolismo nesta entrevista. Exatamente hoje, o mitológico fundo Verde foi reaberto para captação na plataforma do Itaú — na semana passada, fora na XP, tudo em casa.
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Metaforicamente, pra mim, é como se Stuhlberger, ao reabrir o fundo, ao topar entrar na plataforma de distribuição da XP e ao aceitar falar com um veículo de comunicação recém-nascido, se dispusesse, em algum grau, a um recomeço.
Se existia alguma dúvida de que ele ainda tem fome, esse é um sinal emblemático. À minha cabeça, vem a imagem de Mick Jagger, meu maior ídolo, que está fazendo rock’n’roll há, sei lá, 50 anos. Reúne a ambivalência de ser “Sir" e completamente dionisíaco ao mesmo tempo.
Luciana, com seu brilhantismo, usou uma analogia melhor: Eric Clapton, o deus da guitarra, que aos 71 anos batizou seu novo disco de “I Still Do” (Eu ainda faço). Com efeito, não há mensagem mais apropriada.
Confesso ver outra metáfora, fora da música, mas ainda nos palcos: Casa de Bonecas 2. A peça de teatro, em cartaz no Tucarena com Marília Gabriela de protagonista, o que em si já seria um paralelo interessante, dá continuidade ao texto original de Henrik Ibsen, um dos criadores do teatro realista moderno, de 1879.
No original, Nora Helmer desafia todas as convenções do século 19 e abandona marido e filhos para viver uma vida livre, fora das amarras da sociedade, de acordo com seus próprios princípios e convicções. Na sequência, o texto do jovem escritor Lucas Hnath, que, com ousadia, se dispõe a cutucar um clássico, traz a volta de Nora Helmer para casa, 15 anos depois, para uma espécie de acerto de contas com a família. Tem de lidar com o rancor do cônjuge e o ressentimento dos filhos. Acima de qualquer coisa, porém, ela se mantém fiel a si mesma.
Não há como escapar da sua vocação. As almas têm seus próprios ancestrais. E cada vez que você se voltar contra sua alma, ela vai se vingar de você.
Pra mim, a vocação do fundo Verde está em gerar retornos excepcionais no longo prazo. Depois de dois anos de retornos medíocres — a verdade é que os últimos cinco anos não foram propriamente brilhantes —, o Verde reabre. Ao ler a entrevista para a Luciana, saí convencido: ainda é o velho Verde de sempre, com uma alma jovem, obedecendo à técnica e à intuição de um maestro clássico, genial e idiossincrático.
Chega a ser curiosa a publicação acontecer hoje, no dia da reabertura na plataforma do Itaú e em meio à ressaca dos mercados com a pesquisa Ibope, que apontou crescimento vigoroso das intenções de voto em Fernando Haddad.
Entre as partes mais interessantes da entrevista de Luis Stuhlberger está a crença de que o governo Haddad, em que pese uma provável correção negativa dos mercados num primeiro momento, pode não ser tão trágico assim. O PT sempre foi pragmático e sabe da necessidade de fazer reformas fiscais — ainda que vá negar até a morte qualquer alusão a isso neste momento.
Stuhlberger mantém 11% da carteira em Bolsa, o que é um patamar alto para seu histórico recente, indicando alguma confiança nas ações brasileiras, e tem nas NTN-Bs do meio da curva sua principal posição. O hedge está principalmente em cupom cambial — para pessoa física, um pouco complicado de imitar.
Para nós, podemos ficar com uma combinação de Bolsa, títulos indexados e dólar. É um bom cardápio para hoje.
Mercados iniciam o dia sob pressão, principalmente por conta da pesquisa eleitoral divulgada ontem. Segundo o Ibope, Bolsonaro estabilizou em 28% das intenções de voto, enquanto Haddad cresceu 3 pontos, para 22%. Talvez pese ainda mais o cenário para o segundo turno, com vitória projetada de Haddad contra Bolsonaro — 43% a 37%.
Agenda econômica destaca ata do Copom, que voltou a sugerir possibilidade de aumento de juros sem as necessárias reformas fiscais. IPC-Fipe apontou inflação de 0,36 por cento, um pouco acima das projeções.
Lá fora, começa reunião de dois dias do Fed, num momento em que o yield do Treasury volta a preocupar, beirando 3,10 por cento.
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