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As ideias de Guedes incluem as privatizações do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e da Eletrobras. Entre os aliados de Bolsonaro, há resistência em vender as ‘estatais estratégicas’. O salto do Ibovespa depende da visão que vai prevalecer no (provável) governo de Bolsonaro.
Por volta do segundo trimestre deste ano, se analisássemos as eleições presidenciais do próximo domingo, poderíamos supor que a semana que se inicia hoje seria composta de cinco dias de enorme volatilidade.
Pode até ser que isso aconteça, mas não pelos motivos imaginados naquela época.
Na ocasião, ainda não estava certo se Lula disputaria a presidência e se haveria um candidato liberal com chances de vencer e de fazer as reformas política, fiscal, previdenciária e administrativa, das quais o Brasil precisa desesperadamente.
Pois bem, a seis dias da votação, já se sabe que Jair Bolsonaro será o presidente. É este o único cenário que estou estudando.
Do lado perdedor, há dois tipos de eleitores: os petistas de carteirinha e os antibolsonaristas de fé. Este segundo grupo está encolhendo a olhos vistos.
Em várias comunidades de renda baixíssima, Bolsonaro já vence Haddad. Nas favelas do Rio de Janeiro, dominadas por traficantes ou milicianos, nem se fala.
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Só que o campo dos derrotados não interessa ao mercado, justamente porque será derrotado, após 16 anos de governo PT − não podemos nos esquecer que Michel Temer era vice na chapa de Dilma, tanto em 2010 como em 2014.
Vamos ao que importa: os vencedores.
Se há gente tão chata quanto os fanáticos petistas, estes são os fanáticos bolsonaristas (ou bolsonarianos; o vocábulo ainda não chegou aos dicionários). E não são eles que irão eleger o capitão. Este subirá a rampa do Planalto no dia 1º de janeiro de 2019 amparado pelos antipetistas, o maior segmento eleitoral do Brasil.
Sim, boa parte desse pessoal a quem o petismo causa urticária vota no capitão apenas para se livrar da turma do Mensalão, do Petrolão, dos invasores de terra, da anarquia e da gatunagem que tomou conta do Brasil nos últimos tempos.
Vejamos porque acho que esta semana não será decisiva. Isso só acontecerá quando ficar óbvio que o capitão fará as reformas necessárias, nelas incluídas o enxugamento do Estado, privatizações em massa, alteração nos sistemas previdenciário, trabalhista e fiscal.
Os civis e militares que apoiam Jair Bolsonaro estão sempre enviando mensagens conflitantes, muitas de um nacionalismo estilo Ernesto Geisel, o grande propulsor das estatais mastodônticas brasileiras.
Digamos que Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, consiga impor suas ideias na economia. Não podemos nos esquecer que elas incluem as privatizações do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras, da Eletrobras, entre outras.
Isso seria simplesmente a coisa mais bullish que poderia acontecer no mercado de ações brasileiro. Estou falando da entrada nos cofres do Tesouro de valores que poderiam chegar a R$ 1 trilhão.
Nessa hipótese de privatização das quatro grandes, elas, só em impostos, arrecadarão, além do trilhão acima mencionado, valores muito maiores do que pagavam em dividendos. Isso aconteceu com a Companhia Vale do Rio Doce, desestatizada em maio de 1997, durante o governo FHC.
Se Paulo Guedes prevalecer, 200 mil pontos são pouco para o Ibovespa.
Só que as coisas não são bem assim. Jair Bolsonaro tem dito e repetido diversas vezes que é contra a privatização de estatais estratégicas, conceito que, se interpretado de uma maneira muito abrangente, poderá deixar de fora as empresas que realmente têm valor.
Não há de ser o fechamento do escritório do trem-bala Campinas/São Paulo/Rio que irá sanear as finanças.
Vejamos as ideias de alguns generais que cercam o candidato do PSL. Nem vou mencionar o Hamilton Mourão, que será eleito vice-presidente. Ele só está ali porque o senador Magno Malta recusou a candidatura, assim como aconteceu com a advogada Janaina Paschoal. Fora o príncipe Luiz Phlippe de Orleans e Bragança, que atrasou duas horas para o registro de sua candidatura.
Bolsonaro olhou para o lado, viu Mourão e disse algo como: “Vai você”.
Mas não é difícil isolá-lo durante quatro anos no recôndito do Jaburu.
Augusto Heleno Ribeiro Pereira, 70 anos, coordenador do programa de governo e provável ministro da Defesa. Primeiro comandante das forças da ONU no Haiti, dificilmente ele causará problemas para o capitão.
A bronca do general Heleno é com os índios. Acha que as terras demarcadas para eles são extensas demais.
Certa ou errada, essa linha de pensamento não altera o ânimo do mercado nem pra cima nem pra baixo, embora vá deixar muito cacique zangado e pintado para a guerra.
O general Oswaldo Ferreira, provável ministro de Infraestrutura, tem como grande ambição o término das obras de Angra 3. “Mas com que dinheiro?”, pergunto eu.
A usina está com 60% de suas obras prontas, já recebeu 10 bilhões de investimentos. Só que faltam mais 17 bilhões para a conclusão do projeto, valor esse que, de acordo com o general Ferreira, poderia ser obtido através de uma parceria com a China.
Acontece que Bolsonaro tem bronca dos chineses (“eles querem comprar o Brasil”) e aí surgirá um impasse.
O terceiro general, cotado para ministro da Educação do novo governo, é Aléssio Ribeiro Souto. Entre outras ideias pouco convencionais, Souto acha que o criacionismo deve ser ensinado nas escolas.
A eleição de Jair Bolsonaro pode dar um impulso gigantesco ao mercado de ações. Mas, antes que esse avanço ocorra, é preciso saber se vamos ter o liberalismo de Paulo Guedes ou uma nova versão do governo Geisel que, entre outros pecados, ignorou por muito tempo o primeiro choque do petróleo, do mesmo modo como Lula chamou a crise do subprime de “marolinha”. E deu no que deu.
Nada disso será decidido nestes últimos cinco dias úteis antes do segundo turno das eleições.
Essa é a razão pela qual eu confio desconfiando nas mudanças da economia e na aprovação das reformas, sem as quais o Brasil não sairá do lugar.
Bobagem apostar na Bolsa Bolsonaro (com perdão pelo trocadilho) esta semana. Tudo de bom que ela contém já está embutido no preço das ações. Resta saber se teremos um avançado Paulo Guedes ou um retorno anacrônico de Adão e Eva aos livros escolares.
Nem o Papa Francisco defende mais essa lorota.
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