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A impressão de que o governo Bolsonaro não tem muita noção da gravidade do quadro fiscal é o que tem deixado os investidores estrangeiros em modo de espera
Bom dia, investidor! A trégua na guerra comercial entre os EUA e a China já teve seu efeito, e os mercados, que passaram o dia em festa ontem, consideravam no fechamento que o acordo não será fácil. Outros fatores ajudam para que o fim do ano seja positivo, como os cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o Federal Reserve (Fed) mais amigo. O rali na B3 continua no horizonte, a dúvida é a força que terá. Hoje, volta à cena a cessão onerosa, enquanto o presidente eleito Jair Bolsonaro começa a conversar com os parlamentares.
A aproximação com o Congresso é vista como essencial por analistas políticos para a agenda de reformas. Para a consultoria Eurasia, a falta desse relacionamento é um dos grandes riscos para o governo Bolsonaro. Neste momento, a tendência dos parlamentares é a de não resistir a um apoio, diante da alta popularidade do presidente, que atinge taxas acima de 60% nas pesquisas feitas pela XP/Ipespe e pelo Instituto Ipsos.
O problema é a sensação de que o futuro governo, ou pelo menos o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, (Dem/RS), parece não se dar conta de que esse “timing” deve ser bem aproveitado. Ele tem sido um desastre na condução do processo. Para citar só um exemplo, na entrevista dada ontem para a Broadcast, em que jogou os genereais Hamilton Mourão e Santos Cruz para escanteio, negando que o ajudarão nas conversas com o Congresso, também jogou contra o futuro ministro da economia, Paulo Guedes.
Questionado sobre a reforma da Previdência, disse que o governo não pode ter pressa. “Temos quatro anos para garantir o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos. (...) Não dá para chegar aterrorizando”. Mas uma reforma nas regras de aposentadoria e pensão é considerada por economistas, inclusive por todo o time de Guedes, como prioridade zero para ajustar as contas públicas.
A impressão de que o restante do governo Bolsonaro, incluindo o próprio presidente, não tem muita noção da gravidade do quadro fiscal é o que tem deixado os investidores estrangeiros em modo de espera.
Ontem, a agência Fitch advertiu que a melhora da nota brasileira, fixada em BB‐, depende não só de o governo conseguir aprovar as reformas, especialmente a da Previdência, como também do modelo.
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Em outro trecho da entrevista, Onyx também não mostrou nenhuma preocupação se acaso o projeto da cessão onerosa não passar no Senado. “Se não tivermos acordo até a próxima semana, fica para o ano que vem”.
O projeto está na pauta da sessão de hoje, mas pelo que se sabe não houve avanços para que presidente do Senado e do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB-CE) coloque em votação, sem permitir que seja emendado pelos senadores. No fim de semana, o ministro da fazenda, Eduardo Guardia, que acompanhou o presidente Michel Temer no G‐20, disse que não concorda com o envio de uma MP para a partilha dos recursos do leilão do pré‐sal com os Estados e municípios. Esta seria a exigência dos senadores para votarem o PL 78/2018 sem emendas.
Embora o Ibovespa tenha fechado no topo histórico dos 89.820 pontos, em alta de 0,35%, terminou o dia longe do recorde "intraday" (91.242). Mas o mercado parece manter a confiança. Especialistas dizem que “alta assim (devagar) que é boa”, sem excessos de euforia, com a bolsa lentamente se consolidando no topo, em um movimento considerado mais consistente e sustentado.
Os mais otimistas acham que pode bater 100 mil ainda este mês, com o rali de Natal (fenômeno que acontece em vários mercados, quando muitos investidores entram ou retornam para a bolsa de valores, provocando uma alta nos ativos financeiros, geralmente alguns dias antes do Natal). Mas a força depende de o estrangeiro voltar. Ainda são os locais que estão segurando a onda positiva da bolsa, mas ontem eles partiram, na reta final do pregão, para uma realização de curto prazo, que pegou os bancos e poupou as ações das commodities.
A trégua na guerra comercial entre EUA e China, que representa alívio para a desaceleração global, além do acordo de Putin e com os sauditas para enxugar a oferta na reunião da Opep acionaram um rali. O mercado precifica um corte de produção entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia no encontro de quinta e sexta-feira. Dizem que o petróleo só não subiu mais ontem, porque o Catar (que esta focando mais em gás natural que no óleo) anunciou que vai deixar a Opep em janeiro. Após o tombo superior a 20% no mês passado no preço do barril, dezembro começou bem, com os preços disparando 5% no melhor momento. No fim do dia, o WTI subia 3,97% e o Brent, 3,75%.
O dólar fraco, que faz o petróleo mais barato, potencializou os ganhos. O diálogo entre Pequim e Washington reduziu o apelo por moedas com status de segurança, como o iene e a divisa americana.
Aqui, mesmo em dia de queda do dólar, o Banco Central voltou a agir, chamando para hoje mais dois leilões de linha, em um total de US$ 1 bilhão, para injetar liquidez ao sistema. As operações serão realizadas às 12h15 (contratos para vencimento em 04/02/19) e às 12h35 (06/03/19).
Os sucessivos leilões de linha intrigam alguns traders, que já especulam sobre a dificuldade de alguns fundos multimercados. O mais provável é que o BC esteja apenas suprindo demanda por remessas de fim de ano.
Na ofensiva para amortecer o fluxo negativo, o BC atua no câmbio desde a semana passada e distancia o dólar do pico de estresse recente (R$ 3,92). Na mínima, ontem, furou a faixa de R$ 3,82 (R$ 3,8169). Entrou na festa do cessar‐fogo EUA X China, mas foi desacelerando as perdas próximas de 1% ao longo da tarde. Chegou a renovar máximas perto do fechamento e terminou o dia em queda de 0,46%, a R$ 3,84.
Em Washington, mais tarde, a Casa Branca explicou que a China prometeu mudar barreiras e não cortar tarifas, como escreveu o presidente Donald Trump.
A sabatina de Jerome Powell, presidente do banco central americano, prevista para esta amanhã, foi cancelada devido ao luto a George Bush e não será reagendada pelo Congresso. Não esqueça que os mercados não funcionam amanhã em Nova York. Em evento ontem à noite, o presidente do Fed não falou de política monetária, mas comentou que há outros sinais de força da economia americana, para além do mercado de trabalho.
O Índice de Preços ao Consumidor‐Fipe de novembro (5h) deve desacelerar de 0,48% em outubro para 0,19%, em pesquisa Broadcast. Do lado da atividade, todas as estimativas apontam para expansão da produção industrial (9h), sustentada por fatores sazonais. O intervalo das apostas vai de 0,20% a 2,10% (mediana de 1,15%). Em setembro, caiu 1,8%.
Ainda na agenda do dia, presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, e Guardia participam de almoço da Federação Brasileira de Banco, em São Paulo, às 12h30.
Vale Day acontece hoje em Nova York, para apresentar plano estratégico de 2019 a investidores.
Eletrobras e BR Distribuidora assinaram novos acordos de dívida da Amazonas Energia.
Cielo: o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse não estar no radar fechar o capital da empresa.
Fleury fechou a aquisição de 100% da Lafe Serviços Médicos, pelo valor total de R$ 170 milhões.
*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br
Os convidados do Market Makers desta semana são Axel Blikstad, CFA e fundador da BLP Crypto, e Guilherme Giserman, manager de global equities no Itaú Asset
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