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Ao longo do mês o não residente vendeu quase US$ 9 bilhões em contratos futuros, movimento que se acentuou nos últimos dias e ajuda a explicar a oscilação recente do câmbio
O mercado de dólar futuro passou por uma firme troca de posições envolvendo os investidores estrangeiros e os bancos nos últimos dias. A “aposta” do estrangeiro na alta da moeda americana, que abriu o mês em US$ 9,2 bilhões, caiu para apenas US$ 48 milhões ontem, no que pode ser considerada uma “zeragem” de posição. Os bancos atuaram na ponta oposta, praticamente dobrando a sua posição comprada em dólar futuro para US$ 10,9 bilhões.
São essas movimentações na B3 que determinam a formação de preço do dólar. É lá que comprados, que ganham com a alta do dólar, e vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.
Parte da compra de dólares pelos bancos pode ser creditada às operações que o Banco Central (BC) vem conduzindo no mercado à vista. Os leilões de linha feitos pelo BC para dar saída aos investidores no mercado físico são intermediados pelos bancos, que repassam os dólares aos seus clientes e precisam proteger essa exposição à vista no mercado futuro.
No mercado à vista, por exemplo, a posição vendida dos bancos está na casa dos US$ 20 bilhões, maior desde março.
No mercado de câmbio, a volatilidade da taxa tem sido grande e parte da variação de preço pode ser creditada a essa acomodação de apostas no mercado futuro. Ontem, por exemplo, o dólar comercial foi a R$ 3,94 antes de fechar o dia em queda de 0,84%, a R$ 3,8895.
Nesta sexta-feira, a cotação segue em baixa na casa de R$ 3,88, depois de testar mínimas a R$ 3,83. O pregão pode ter maior instabilidade em função da formação da Ptax do mês e do ano, taxa "oficial" de câmbio apurada pelo BC que vai liquidar contratos futuros e outros compromissos em moeda estrangeira.
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No mercado futuro, além dos contratos de dólar outra forma de exposição envolve o cupom cambial (DDI, juro em dólar no mercado local). Considerando esses contratos e os contratos de dólar, os estrangeiros seguem com uma posição líquida comprada de US$ 34,3 bilhões, sendo US$ 34,24 bilhões em cupom cambial e US$ 48,650 milhões em dólar futuro. Essa posição é a menor desde o começo de setembro e está US$ 7,4 bilhões menor que o recorde de US$ 41,7 bilhões do dia 10 de dezembro.
Já os bancos apresentam uma posição líquida vendida de US$ 8,89 bilhões, que reflete um estoque vendido de US$ 19,8 bilhões em cupom cambial descontado do estoque comprado de US$ 10,9 bilhões em dólar futuro.
Outro grande player desse mercado é o investidor institucional (fundos de investimento), que mantem firme posição vendida de US$ 27,3 bilhões, sendo US$ 15,7 bilhões em cupom cambial e US$ 11,6 bilhões em dólar futuro. Os fundos não mostraram grande variação de posição ao longo de dezembro.
A avaliação de ganhadores e perdedores nesse mercado é sempre feita em tese, pois não sabemos a que preço as posições foram montadas e se esses agentes possuem exposição ao dólar no mercado à vista e de balcão.
No mercado de índice futuro do Ibovespa, principal índice de ações da B3, a troca de posições é pouco expressiva. Desde meados de outubro temos o não residente vendido e os fundos de investimento comprados.
No pregão de quinta-feira, a posição vendida do gringo era de 147.971 contratos, contra 119.528 no fim de novembro. Os fundos estavam comprados em 134.735 contratos em comparação com 115.614 contratos em 30 de novembro.
Uma forma de ler as posições no Ibovespa futuro é como uma proteção (hedge) às oscilações no mercado à vista. Por exemplo. O investidor está comprado em bolsa no mercado à vista e vai proteger essa exposição no mercado futuro vendendo contratos de Ibovespa.
No entanto, o mercado também opera o Ibovespa futuro com um ativo em si. Podendo montar apostas de alta (comprado) ou de queda (vendido) no Ibovespa.
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