Menu
2018-10-29T18:05:14-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Mesmo com vitória de Bolsonaro, Ibovespa cai 2,24% e dólar volta a R$ 3,70

Rali de comemoração durou puco; realização de lucros e declaração de Onyx Lorenzoni se somaram a bolsas em queda e dólar em alta no exterior

29 de outubro de 2018
11:06 - atualizado às 18:05
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Mercado aguarda definição de equipe econômica e propostas de reformas - Imagem: Seu Dinheiro

No primeiro pregão depois da eleição de Jair Bolsonaro a presidente do Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 2,24%, aos 83.796 pontos, contra as expectativas de rali que pairavam sobre a bolsa nesta segunda-feira (29). O dólar fechou em alta de 1,36%, a R$ 3,7022, seguindo o movimento internacional de fortalecimento da moeda americana frente a outras divisas.

A bolsa começou o dia em alta, celebrando a vitória de Bolsonaro e a perspectiva de um governo mais liberal na economia nos próximos quatro anos. O bom desempenho das bolsas americanas, que se recuperavam das perdas do último pregão, também ajudou os mercados locais.

Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a ter alta de 3,10%, aos 88.377 pontos, esbarrando na máxima histórica de 88.400 pontos. Porém, na hora do almoço, o índice passou a cair, e o dólar, a subir. Depois de operar perto da estabilidade por algumas horas, a bolsa brasileira teve suas perdas acentuadas, junto com Wall Street.

Mesmo neste cenário, os juros futuros fecharam em queda, com a redução da percepção de risco em relação ao país e a antecipação da manutenção da Selic em 6,5% ao ano na reunião do Copom, na próxima quarta-feira.

O DI com vencimento em janeiro de 2021 caiu de 8,253% para 8,22%, e o DI com vencimento para janeiro de 2023 recuou de 9,353% para 9,33%.

Diversos fatores contribuíram para a bolsa brasileira virar o sinal. Lá fora, Nova York desacelerou os ganhos e passou a registrar perdas. Por aqui, vimos um movimento de realização dos lucros dos últimos dias.

Além disso, parece que as falas atrapalhadas da equipe de Bolsonaro continuam, e desta vez o mercado não vai perdoar.

Repercutiram mal declarações do deputado e futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni à agência "Reuters" sobre uma possível definição de metas de inflação e juros para o Banco Central. Lorenzoni também teria falado em dar maior previsibilidade à taxa de câmbio.

O BC opera com apenas uma meta, a de inflação, e um instrumento, a taxa de juros. Previsibilidade de câmbio e meta de juros não constam da agenda liberal defendida pela candidatura de Bolsonaro ao longo da campanha. O repórter especial Eduardo Campos conta melhor essa história da "canelada" de Lorenzoni aqui.

Ações afetadas por cenário político despencaram

Ações de companhias beneficiadas por uma perspectiva de crescimento econômico e/ou de uma intervenção governamental potencialmente menor nas suas atividades começaram o pregão subindo forte, mas também tiveram uma virada

A Petrobras fechou em queda de 3,60% (PETR3) e 4,28% (PETR4), prejudicada ainda pela queda nos preços do petróleo. Eletrobrás teve perdas de 5,53% (ELET3) e 3,46% (ELET6).

Os bancos começaram o dia muito bem, mas também fecharam em baixa: BB (BBAS3) perdeu 1,30%, Bradesco teve baixa de 2,05% (BBDC3) e 1,88% (BBDC4), Itaú (ITUB4) caiu 1,84% e Santander (SANB11) teve queda de 1,25%.

A Vale (VALE3) fechou em queda de 4,50% e Bradespar (BRAP4), que investe nas ações da Vale, recuou 4,20%. A mineradora foi afetada pelos sinais de enfraquecimento do setor industrial chinês, que divulgou números aquém do esperado no fim de semana.

A desaceleração chinesa afetou também as ações de outras exportadoras, como Fibria (FIBR3), Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), mesmo depois de essas companhias terem divulgado resultados considerados bons pelo mercado. Esses papéis fecharam em queda de 0,56%, 4,00% e 1,95%, respectivamente.

As ações da Gol (GOLL4) caíram 6,48% em razão da valorização da moeda americana, uma vez que boa parte de seus custos e dívida são denominados em dólar.

Poucas ações sobreviveram

Poucas foram as ações que tiveram alta no Ibovespa nesta segunda. Os papéis da Sabesp (SBSP3), por exemplo, subiram 1,80% com a eleição do tucano João Doria em São Paulo.

Já as ações da MRV (MRVE3) fecharam em alta de 1,63% após anúncio de reorganização societária, com a confirmação dos planos de levar a Log Commercial Properties ao Novo Mercado.

O processo foi aprovado pelo conselho de administração hoje e prevê um comitê especial independente para negociar os termos da operação.

Rali contido

A virada no sinal da bolsa não era de todo inesperada. Apesar de a maioria dos analistas ter previsto um rali mais forte, alguns já falavam em ajuste.

A verdade é que a vitória de Bolsonaro estava amplamente precificada já antes do segundo turno. A bolsa ainda pode ganhar com o resultado das urnas, mas agora depende em grande medida dos nomes anunciados para a equipe econômica do novo presidente e das propostas para as reformas.

Ontem à noite, o real caía a R$ 3,60 no mercado futuro de Chicago, ao mesmo tempo em que o ETF (fundo de índice) das ações brasileiras no Japão chegou a subir 14% no primeiro pregão da semana no país asiático.

Mas nem na primeira hora do pregão de hoje o desempenho dos mercados locais foi tão bom quanto antecipava a negociação de ativos brasileiros no exterior.

Em entrevista ao "Broadcast",  o principal economista do Brasil e América Latina do BBVA Research, Ernesto dos Santos, salientou que muitos pontos sobre o programa econômico do presidente eleito ainda são desconhecidos. "Vai ser necessário muita notícia favorável para manter esse rali nos mercados", disse.

A agência de classificação de risco Moody's divulgou hoje relatório dizendo que o apoio do Congresso ao novo governo para a aprovação de reformas "permanece incerto". Além disso, o relatório destaca que "detalhes da política econômica da nova administração ainda não estão claros".

Outro fator de atenção é o desempenho das bolsas lá fora, que ultimamente vêm sendo impactadas por uma série de complicações que têm, como pano de fundo, o temor de uma desaceleração da economia mundial, ao mesmo tempo em que os EUA crescem de maneira robusta e podem acelerar o movimento de alta nos juros.

Os analistas estão entusiasmados com o novo governo e preveem que, se tudo der certo, o Ibovespa possa chegar aos 100 mil pontos até o fim do ano. Já se fala também em dólar chegando a R$ 3,50. Os mais otimistas veem bolsa em 125 mil pontos e dólar entre R$ 3 e R$ 3,20.

O investidor ainda tem diversas oportunidades para ganhar dinheiro tanto na renda variável quanto na renda fixa. Nosso colunista Alexandre Mastrocinque indica algumas ações para surfar a onda Bolsonaro.

Bolsas no exterior atrapalharam

As bolsas de Nova York também abriram em alta nesta segunda-feira, se recuperando dos tombos do último pregão, o que dava uma ajudinha para os mercados locais.

Mas por lá as coisas também começaram a desacelerar no início da tarde, até passarem para o campo negativo novamente. O Dow Jones fechou em queda de 0,99%, aos 24.443 pontos; o S&P500 fechou com recuo de 0,66%, aos 2.641 pontos; e a Nasdaq terminou o pregão em baixa de 1,63%, aos 7.505 pontos.

Pesou sobretudo o mau desempenho das ações do setor de tecnologia, em razão de más notícias que pipocaram hoje.

O Departamento de Comércio americano restringiu negócios de empresas locais com uma fabricante estatal de chips chinesa, com o argumento da defesa da segurança nacional.

Além disso, o Reino Unido passará a taxar serviços digitais - como redes sociais, ferramentas de busca e marketplaces on-line - em 2% da sua receita ligada a usuários do país, a partir de abril de 2020.

Outro fator que abalou as bolsas americanas hoje foi a possibilidade de os EUA imporem nova rodada de tarifas a US$ 257 bilhões de dólares em importações chinesas no início de dezembro.

Na Europa, as bolsas fecharam em alta, com os investidores otimistas com a manutenção da nota de classificação de risco da Itália em BBB pela S&P, o que impulsionou as ações de bancos.

A Itália passa por uma crise fiscal e já foi rebaixada pela Moody's. O bom resultado trimestral do HSBC também ajudou as ações bancárias europeias.

O anúncio da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, de não concorrer à reeleição de seu cargo não chegou a influenciar os ativos de risco europeus, mas pesou sobre o euro.

Dos dois lados do Atlântico, o setor automotivo recebeu impulso depois de circular no mercado a informação de que a China reduziria o imposto sobre importações de veículos pela metade.

Dólar tem perdas limitadas ante o real

O otimismo em torno da vitória de Bolsonaro não foi suficiente para fazer o dólar recuar hoje. Embora tenha começado o dia em queda, a moeda americana teve as perdas limitadas por conta da espera dos mercados locais por uma maior definição nas diretrizes econômicas do novo governo, além de ter se fortalecido frente a outras moedas após a divulgação de dados de inflação acima do esperado em setembro.

Uma inflação mais alta pode levar a um aperto monetário mais forte, o que leva o dólar para cima.

O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos foi de 0,1% em setembro ante agosto e 2% em 12 meses. O PCE é a medida de inflação preferida do Fed, o banco central americano, que tem meta de inflação justamente de 2% neste ano.

O núcleo do PCE, que desconta variações sazonais, avançou 0,2% em setembro ante agosto, frente a uma expectativa de 0,1%. Na comparação anual, o avanço foi de 2%.

Além disso, os americanos gastaram 0,4% a mais com consumo em setembro, em relação ao mês anterior. Já a renda pessoal subiu 0,2% ante agosto, mas a projeção do mercado era de 0,3%.

*Com Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Check up dos investimentos

O que considerar na hora de avaliar o desempenho da sua carteira – e quais ferramentas podem te ajudar

Montei um guia para você saber tudo que precisa levar em consideração na hora de avaliar o desempenho da sua carteira de investimentos, principalmente se você investe por meio de diversas instituições financeiras. Também listei algumas ferramentas que podem te ajudar na empreitada.

DE OLHO NO NUBANK

Número de contas do Nubank cresce 485%, mas prejuízo também acelera e chega a R$ 312,7 milhões

Mas nem tudo foi ruim. De acordo com o documento apresentado pela fintech, o Nubank fechou o ano passado com 16 milhões de contas, sendo que 45 mil foram apenas contas voltadas para pessoas jurídicas (PJs)

AVERSÃO AO RISCO

‘Índice do medo’ dispara mais de 48% em meio a movimento de aversão ao risco no mundo

Seguindo na mesma direção, o ouro também apresentou alta na tarde desta segunda-feira por conta do movimento de busca por proteção

ECONOMIA

Carnaval 2020 deve movimentar R$ 8 bilhões na economia, diz CNC

Segundo a CNC, “a recuperação gradual da atividade econômica, combinada à inflação baixa” tendem a refletir na recuperação moderada dos serviços turísticos

AVIAÇÃO

Empresa americana ExpressJet Airlines compra 36 aviões da Embraer

A companhia anunciou também que vai diminuir gradualmente a sua frota de aeronaves E175 para acelerar o crescimento e se tornar uma companhia mais eficiente

PESQUISA

Avaliação do governo Bolsonaro fica estável em fevereiro, mostra pesquisa

A expectativa da população para o restante do mandato de Bolsonaro também não variou. Para 40%, a perspectiva é ótima ou boa e para outros 33% é ruim ou péssima

ECONOMIA

Bolsonaro diz que PIX do BC trará mais agilidade e menos custos ao cidadão

O PIX será disponibilizado pelas instituições financeiras a partir de 16 de novembro

Uns crescem, outros recuam

Desigual, recuperação do mercado imobiliário se concentra no Sudeste

Construtoras mantiveram a política de fechamento de postos de trabalho em 14 Estados em 2019

Incentivo à economia

China vai flexibilizar política monetária em resposta a coronavírus

Objetivo é auxiliar a economia do país a se fortalecer em meio aos impactos econômicos do surto da doença

Entrevista

Diretor do FGC: “sempre é melhor prevenir do que improvisar”

Daniel Lima defende as mudanças previstas no texto de Resolução Bancária enviado pelo governo

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements