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Depois de operar em baixa durante quase todo o dia, bolsa fecha em leve alta com boas notícias vindas do México

Depois de altos e baixos e de chegar a perder 1,86% na mínima do dia, o Ibovespa conseguiu nadar para a superfície e colocar só o nariz para fora da linha d'água. O índice fechou praticamente estável, subindo 0,02%, aos 85.641 pontos. Já o dólar à vista, que também passou o dia bastante instável, fechou em queda de 0,25%, a R$ 3,7385.
Assim como o restante da semana, o dia foi de noticiário local fraco, sem grandes novidades que pudessem motivar uma recuperação mais forte das perdas vistas nos últimos três pregões. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 3,14%.
As desejadas notícias sobre reforma da Previdência e os nomes para a equipe econômica do novo governo não vieram. E o mercado anda incomodado com a falta de novidades e de traquejo político do governo eleito.
Essa indefinição interna tem deixado a bolsa brasileira à mercê dos humores internacionais e também se refletiu na cotação do dólar, que na semana acumula alta de 1,10% perante o real.
Hoje, o Ibovespa operou em queda durante boa parte do dia, acompanhando as perdas nas bolsas de NY, que caíram durante todo o pregão.
O leve fôlego no fim do dia deveu-se à maior valorização das ações dos bancos, que têm grande peso no índice, devido a uma notícia vinda do México.
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O presidente eleito Andrés Manuel López Obrador negou que haverá mudanças nas operações bancárias por meio de uma modificação no marco legal econômico, financeiro e fiscal do país.
Com isso, as ações do BB (BBAS3) subiram 2,22%, os papéis do Itaú (ITUB4) avançaram 1,26%, e os do Santander (SANB11) ganharam 1,91%.
A instabilidade também foi vista nos juros futuros, que fecharam sem sinal único. Os de curto e médio prazos terminaram a sessão em queda, e os longos, em leve alta.
O DI para janeiro de 2021 caiu de 8,223% para 8,16%, e o DI para janeiro de 2023 subiu de 9,443% para 9,47%.
Para a baixa dos juros de prazo mais curto influenciou o maior otimismo com o cenário de inflação e taxa Selic. O Itaú divulgou hoje revisões para ambos os indicadores. Em 2018, a previsão para o IPCA passou de 4,50% para 4,20%; em 2019, caiu de 4,30% para 4,20%. Já a Selic de 2019 foi revisada de 8,00% para 6,50%.
Para profissionais da área de renda fixa, o recuo do dólar, dos preços da gasolina nas refinarias e a entrada em vigor da bandeira amarela nas tarifas de energia vão contribuir para a inflação vir menor neste ano, o que alivia os juros.
Já os juros de longo prazo refletem os temores dos investidores em relação à capacidade de o novo governo tocar as reformas necessárias para o nosso equilíbrio fiscal.
As ações da Vale (VALE3) e da Bradespar (BRAP4), holding que investe nos papéis da mineradora, tiveram dois dos maiores tombos do Ibovespa nesta sexta, fechando em queda de 4,16% e 4,45%, respectivamente.
A Vale recuou junto com suas concorrentes internacionais, em razão de novos temores em relação à economia chinesa, já que Pequim estaria "se esforçando demais" para manter o crescimento, com medidas como estabelecer cotas mínimas, para os bancos, de empréstimos para o setor privado.
A maior queda do índice foi a das ações da Kroton (KROT3), que fecharam com recuo de 4,61%, ampliando as perdas de ontem.
Apesar do lucro acima do esperado no terceiro trimestre, conforme divulgado nesta sexta, a empresa teve queda na receita líquida em razão de venda de ativos, redução no número de alunos e recuo no ticket médio no ensino presencial.
Outra queda significativa foi a das ações da JBS (JBSS3), que fecharam em baixa de 3,21% com a notícia da prisão de executivos da J&F, a holding que controla a companhia, incluindo o presidente Joesley Batista.
As ações da Natura (NATU3) tiveram a maior alta do Ibovespa nesta sexta, com a divulgação de resultados fortes para o terceiro trimestre pela companhia. Em relatório, o BTG Pactual destacou o crescimento das vendas e a expansão da margem no período. Os papéis fecharam com ganho de 8,81%.
Outra valorização significativa foi a das ações da Copel (CPLE6), que fecharam em alta de 4,04%, em reação aos resultados trimestrais, com lucro acima das previsões.
Fora do Ibovespa, as ações do Carrefour (CRFB3) fecharam em baixa de 6,69%. A Península, empresa de investimentos da família de Abilio Diniz, vendeu um bloco de 50,5 milhões de ações da companhia nesta sexta, arrecadando R$ 805 milhões com a operação.
Com isso, a empresa reduziu sua participação no Carrefour de 11,46% para 8,91%.
Segundo um profissional de mercado ouvido pelo "Broadcast", serviço de notícias em tempo real do "Estadão", a operação causa estranheza, principalmente por acontecer menos de 48 horas depois de a rede varejista divulgar resultados do terceiro trimestre considerados acima das expectativas.
As bolsas americanas operaram em baixa durante todo o pregão, o que contribuiu para o mau humor por aqui. O Dow Jones fechou em queda de 0,77%, aos 25.989 pontos; o S&P500 caiu 0,92%, aos 2.781 pontos; e a Nasdaq recuou 1,65%, aos 7.406 pontos.
No início do pregão, as bolsas de NY ainda ecoavam a reunião do Fed de ontem. Embora o comunicado do banco central americano tenha mantido um tom neutro, o mercado interpretou que pode haver uma nova alta de juros em dezembro e talvez um aperto monetário maior no ano que vem, o que sacrifica os ativos de risco.
A inflação ao produtor (PPI) dos EUA, divulgada hoje, foi de 0,6% em outubro, acima das expectativas de 0,3%. Foi a maior alta mensal desde setembro de 2012. O núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, veio em 0,5%, também acima das projeções de 0,2%.
Uma inflação acima do esperado sugere um aquecimento na economia americana que pode motivar o Fed a subir mais os juros.
No fim da tarde, declarações duras do diretor do Conselho de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, sobre as relações comerciais entre EUA e China pioraram ainda mais o humor das bolsas de Nova York.
Navarro afirmou que, se houver um acordo entre Washington e Pequim no comércio, será nos termos do presidente americano, Donald Trump.
"Se Wall Street estiver envolvida e continuar a se insinuar nessas negociações, haverá um cheiro podre em torno de qualquer acordo que seja consumado, porque terá o aval do Goldman Sachs e de Wall Street", afirmou Navarro.
O fato de ter citado especificamente o banco mostra ainda tensões internas em Washington, já que Gary Cohn, ex-diretor do Goldman, foi diretor do Conselho Econômico Nacional. A retórica inflamada de Navarro piorou o humor dos investidores.
As bolsas europeias também terminaram o dia em baixa, em razão do resultado da reunião do Fed e da questão fiscal na Itália, que pretende manter seu plano orçamentário deficitário para 2019, mesmo desagradando à União Europeia.
*Com Estadão Conteúdo
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