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Com os sinais conflitantes de Bolsonaro e sua equipe, é necessário pensar no período entre a eleição e a posse, no qual são definidos os principais nomes do governo, suas ideias e linhas de atuação
Com a eleição de Jair Bolsonaro já garantida e precificada nos mercados de ações e de dólar, acho bom o caro amigo leitor começar a pensar no terceiro turno. Refiro-me ao período entre a eleição e a posse, no qual são definidos os principais nomes do governo, suas ideias e linhas de atuação.
É lógico que fatores externos poderão influenciar as bolsas e o câmbio no Brasil, mas sobre esses fundamentos Bolsonaro e seus assessores não têm a menor ingerência.
Muitas coisas poderão agradar os eleitores do capitão, tal como a revogação do estatuto do desarmamento, mas terão pouca ou nenhuma influência nos mercados.
O que traders e investidores em geral querem saber é como será tratado o déficit público, qual será a política de privatizações, como e em que dimensão a máquina governamental será enxugada, qual será a política externa, que mudanças tributárias irão ocorrer, como atuará o Banco Central, enfim, aquilo que impactará o mercado de ações.
Desde que se tornou um fenômeno eleitoral, Jair Bolsonaro e seus principais assessores enviaram sinais conflitantes ao mercado. Paulo Guedes, que parece ser o indicado para ocupar o ministério da Economia (reunindo Fazenda e Planejamento), já declarou que gostaria de privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Eletrobras.
Bolsonaro descartou a ideia, dizendo que setores estratégicos continuarão sendo estatais. Disse que vai privatizar as empresas inúteis criadas pelos petistas para abrigar petistas. Isso é quase uma obrigação. Só que tem mais efeito psicológico do que prático.
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Outra definição importante será o relacionamento do Brasil com a China. Até agora, o capitão vem se mostrando pró-Estados Unidos e antichinês.
Uma de suas frases preferidas é que a China compre “no Brasil” mas não “o Brasil”. Essa declaração é meio ingênua. Querer exportar para a China todo mundo quis. E por todo mundo estou me referindo a Michel Temer, Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique, José Sarney e os militares.
Os chineses, ávidos por investir mundo afora, deveriam ser bem-vindos se quiserem construir portos, hidrovias, hidrelétricas, ferrovias, rodovias, obras de saneamento, etc. É o que estão fazendo na Ásia, por exemplo.
Entre as economias que mais crescem no mundo estão as do Vietnã, Camboja, Mianmar e Laos, todas acima de 6% ao ano. Com investimento chinês.
É até meio infantil da minha parte mencionar isso, mas a China jamais poderá pôr nas costas uma ferrovia ou porto que construiu no Brasil e levá-lo embora.
Foi um erro de Jair Bolsonaro dizer afobadamente, sem consultar os especialistas do Itamaraty, que irá mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
Os únicos países que fizeram isso até agora foram os Estados Unidos e a Guatemala. Deve ter alguma razão prática para que a União Europeia e a Grã-Bretanha, por exemplo, não tenham acompanhado os americanos.
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