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Criticado por uns e idolatrado por outros, o magnata é um dos exemplos de sucesso do mercado internacional
Ele já foi muito criticado por sua postura democrata liberal e pela defesa de uma sociedade aberta. Mas foram exatamente essas características que deram impulso à escolha de George Soros para o título de Personalidade do Ano pelo Financial Times.
Isso porque a decisão do jornal britânico, que costuma ser um reflexo das conquistas do eleito, passou a considerar também os valores que o magnata representa.
Cercados por todos os lados de inimigos declarados, da Rússia de Vladimir Putin à América de Donald Trump, os pensamentos de Soros são constantemente vítimas de teorias de conspiração. São raros os dias em que não se tem uma declaração, um tuíte ou uma imagem que represente o megainvestidor como um mestre manipulador da política global.
A condição de alvo não poderia ser diferente já que, por mais de três décadas, Soros usou a filantropia para combater o autoritarismo, o racismo e a intolerância. Através de seu compromisso com a liberdade da mídia e os direitos humanos, ele causou a ira de regimes autoritários e dos populistas nacionais que vêm ganhando espaço mundo afora.
Trump é um ótimo exemplo de desafeto do magnata. Ressentido pelo apoio de Soros aos democratas, o presidente americano tem constantemente creditado ao investido fatos como o financiamento da caravana de migrantes da América Central para os Estados Unidos.
O primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, que inclusive se beneficiou de uma bolsa de educação Soros, foi mais um a compor o grupo de ataque. Em sua campanha eleitoral, Orban acusou falsamente Soros de planejar os planos da UE de inundar o continente com migrantes.
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No Reino Unido, onde Soros completou seus estudos e possui propriedades, ele é lembrado por ser o homem que “quebrou o Banco da Inglaterra” com sua aposta de 1992 contra a libra. Décadas depois, ele também a é difamado por sua oposição ao Brexit e pelo músculo financeiro que ele empresta ao Best of Britain, um grupo que faz campanha para um segundo referendo sobre a adesão à UE.
O Facebook também se juntou à campanha, comissionando pesquisas que tentaram desacreditar o bilionário. Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, suspeita que ele tenha vendido ações do Facebook depois que ele bateu na rede social em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos.
Críticos de Soros constantemente utilizam o argumento de que ele fez sua fortuna como um especulador implacável, com pouca consideração pelas consequências de suas mega apostas. Para eles, a filantropia retrata uma sensação de 'culpa reprimida'.
Mas a história do magnata é marcada por desafios. Nascido em uma família judia na Hungria, ele tinha 14 anos quando os nazistas invadiram o seu país. Soros sobreviveu a uma ocupação que custou a vida de 500 mil judeus, levando documentos falsos. Guiados por seu pai advogado e engenhoso, Tivadar, a família se separou e o jovem George foi enviado para morar com um oficial agrícola, fingindo ser seu afilhado.
Foi quando os comunistas consolidaram o poder na Hungria que Soros, então com 17 anos, decidiu abandonar sua terra natal. Fugiu para Londres, onde trabalhou como porteiro e garçom. Embora se sentisse indesejado no começo, foi na Grã-Bretanha que sua vida de fato teve início. Enquanto estudava na London School of Economics, Soros teve contato com Karl Popper e sua ideia de que apenas sociedades abertas e democráticas poderiam florescer, as mesmas ideias que, mais tarde, se tornariam a base de sua filantropia.
Impulsionado por uma tendência competitiva instilada por seu pai, que encorajou seus filhos a praticar esportes (ele ainda joga tênis), Soros foi para Wall Street na década de 1950 como operador de arbitragem, onde acabaria criando seu fundo Quantum e se tornaria um dos investidores mais bem sucedidos do mundo.
Mas ele só entrou de fato no cenário internacional após sua polêmica aposta de 1992 contra a libra britânica. A posição curta que ele construiu rendeu mais de US$ 1 bilhão em lucro.
Após a queda do Muro de Berlim, quando sua proposta de um Plano Marshall para a Europa Oriental foi ridicularizada, ele decidiu implementá-la em caráter privado. Em 1992, estabeleceu um programa de US$ 100 milhões para pagar os salários de cientistas dos países da antiga União Soviética e do Báltico e distribuir revistas acadêmicas para as bibliotecas.
Soros ramificou suas influências à medida que a Guerra Fria diminuía, apoiando questões que vão desde a migração à política de drogas e enfrentando a discriminação contra os ciganos na Europa e, mais recentemente, os Rohingya em Mianmar.
Ao Financial Times, Soros diz que nunca pensou em procurar um cargo eleito. No entanto, se inseriu em debates políticos que estão polarizando as sociedades ocidentais, deixando-o aberto à acusação de interferência política. Um bom exemplo dessa participação são suas doações para a campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016. Soros pisou na bolsa com a eleição de Trump, já que apostou erroneamente que o mercado de ações cairia após a vitória do republicano.
Já na eleição presidencial de 2020, Soros planeja ficar de fora das primárias e apoiar quem quer que seja o opositor democrata de Trump. Para o magnata, o mundo vive hoje um estado de fermentação revolucionária, mas diz que não perde a esperança. No Reino Unido, por exemplo, torce por um segundo referendo Brexit e pela permanência do país na União Europeia.
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