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Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Bancos

Bradesco volta à briga pela rentabilidade com lucro acima das projeções

Banco não tira coelho da cartola, mas chega perto. Resultado deve superar os R$ 20 bilhões em 2018, enquanto retorno sobe para 19% no trimestre e encosta no Santander

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
1 de novembro de 2018
11:45 - atualizado às 18:20
Octavio de Lazari, presidente do Bradesco
Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, vê espaço para crédito crescer mais em 2019 - Imagem: Egberto Nogueira/divulgação

Ao escrever sobre o balanço do Santander ontem, eu disse que o Bradesco precisaria tirar um coelho da cartola para superar a rentabilidade do rival no trimestre.

Bem, o coelho não veio, mas da cartola do segundo maior banco privado brasileiro saiu um belo resultado. O Bradesco registrou lucro de R$ 5,471 bilhões no terceiro trimestre.

O lucro, que representa um aumento de 13,7% em relação ao mesmo período do ano passado, bateu com folga a média das projeções do mercado compilada pela Bloomberg, que apontava para um resultado de R$ 5,268 bilhões.

As ações do banco reagiram aos números em alta de 5,71%, entre as maiores altas do Ibovespa hoje.

No ano como um todo, o lucro do Bradesco deve superar os R$ 20 bilhões. De janeiro a setembro, o resultado foi de R$ 15,734 bilhões, alta de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Um indicador ainda mais importante foi a rentabilidade. O Bradesco chegou à marca de 19%, uma alta de 1 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Embora não tenha sido suficiente para superar o Santander, que teve um retorno de 19,5%, o resultado recolocou o banco na disputa pelo segundo lugar.

Qual a estratégia?

Desde que assumiu o comando do Bradesco, em março deste ano, Octavio de Lazari decidiu atacar em algumas frentes para recuperar o tempo em que o banco passou para digerir a aquisição do HSBC, um negócio de R$ 16 bilhões.

Uma delas foi a criação de uma área para atender os clientes que possuem outros produtos do Bradesco, mas não têm conta aberta. Trata-se de um contingente de 43 milhões de pessoas, para os quais o banco passou a olhar mais de perto para vender outros produtos.

O Bradesco também lançou plataforma para atender os microempreendedores individuais (MEI), não apenas com produtos bancários. Para isso, plugou no sistema serviços de outros portais, como o Sebrae. Criada em maio deste ano, a plataforma já possui 357 mil usuários.

O banco decidiu ainda usar sua musculatura para ajudar sua controlada Cielo no mercado de maquininhas de cartão, que enfrenta hoje uma forte concorrência. O número de terminais vendidos  pelo Bradesco já somam 208 mil unidades, segundo o banco.

Essas iniciativas se somam a outras que já vinham sendo adotadas como o banco digital Next, que deve encerrar o ano com 500 mil clientes e 4 mil contas abertas por dia.

O Bradesco comemora ainda a liderança na concessão de crédito imobiliário neste ano. Para o banco, o financiamento para a compra da casa própria cria um relacionamento de longo prazo e abre as portas para a venda de outros produtos aos clientes.

Crédito em alta

A carteira de crédito, aliás, foi um dos destaques do balanço. O saldo de financiamentos do banco saltou 7,5% nos últimos 12 meses e encerrou setembro em R$ 523,4 bilhões.  Mesmo sem considerar a variação cambial favorável, a alta teria sido de 5,6%. No trimestre, o avanço do crédito foi de 1,5%.

"Se as condições da economia se mantiverem favoráveis, há espaço para o crédito crescer mais em 2019 que neste ano", disse Lazari, em teleconferência com a imprensa.

A melhora no crédito e o resultado da Tesouraria contribuíram para a recuperação da margem financeira do Bradesco, que subiu 2,5% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. No acumulado do ano, porém, a margem ainda acumula queda.

Calotes em queda

O resultado do banco também se beneficiou da queda de 23,3% nas despesas de provisão para calotes em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 3,512 bilhões.

O índice de inadimplência do Bradesco encerrou setembro em 3,63%, queda de 0,29 ponto percentual no trimestre e de 1,17 ponto percentual em 12 meses.

"Pelas novas safras de crédito do banco, nós devemos continuar tendo melhoria nessa linha", disse Lazari.

Receita com HSBC

O balanço do Bradesco também vem incorporando com mais vigor as receitas com a incorporação do HSBC. Lazari disse que a rentabilidade com os clientes do antigo HSBC representam hoje 87% da obtida com os correntistas do Bradesco.

Esse número tem espaço para avançar no ano que vem, quando acaba o acordo fechado pelo banco com os reguladores para permitir a aprovação da aquisição, e que previa uma série de limitação nas cobranças aos clientes.

No terceiro trimestre, as receitas de prestação de serviços do banco aumentaram 3,2% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. As despesas tiveram desempenho ainda melhor, com alta de 2,4%. No ano até setembro, os gastos administrativos e com pessoal cresceram apenas 0,9%, ou seja, bem abaixo da inflação.

Bolsonaro

Questionado sobre as primeiras declarações na área econômica do governo Bolsonaro, o presidente do Bradesco elogiou as medidas, ainda que não tenha citado diretamente o presidente eleito.

"O que vem sendo falado sobre reforma da Previdência, independência do Banco Central e disciplina fiscal é uma retórica não do novo governo, mas do Brasil inteiro, inclusive da imprensa. Todos reconhecem que são medidas importantes para o crescimento do país", disse Lazari.

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