Menu
2018-09-29T14:31:58-03:00
Bancos públicos

A tesoura rolou solta no BB e na Caixa

Bancos públicos diminuíram a folha de pagamento em 21,2 mil empregados nos últimos dois anos para cortar custos

29 de setembro de 2018
12:50 - atualizado às 14:31
Agência do Banco do Brasil
Brasília - Agência do Banco do Brasil - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Bancos públicos diminuíram a folha de pagamento em 21,2 mil empregados nos últimos dois anos. O corte faz parte do esforço do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal em reduzir custos e tornar a estrutura mais parecida com a dos bancos privados. A saída dos empregados deve gerar economia de pelo menos R$ 2,5 bilhões por ano aos dois bancos.

Após operar com mais de 114 mil empregados no início da década, o BB que já foi símbolo de emprego estável começou a agir para reduzir o quadro de funcionários.

Ações como o incentivo à aposentadoria e mudança na estrutura de atendimento resultaram na saída de mais de 16 mil pessoas, sendo quase 12 mil apenas nos últimos dois anos, quando o quadro diminuiu em 10,9%. Na Caixa, um plano de demissão voluntária resultou na saída de 9,2 mil pessoas, queda de 9,7%.

Nesses dois anos, os concorrentes privados foram em sentido contrário. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander aumentaram a folha de pagamento em 11,3 mil empregados no mesmo período. Boa parte desse aumento se deve a aquisições, como a compra do HSBC pelo Bradesco.

Bancos públicos argumentam que a redução do quadro de funcionários é uma reação à transformação do setor. O BB diz que a medida busca "a sustentabilidade da empresa em um mercado em profunda transformação".

A Caixa diz que o objetivo é "ajustar a estrutura ao cenário competitivo e econômico atual, buscando mais eficiência do banco". Nesse esforço, sobrou até para o estagiário. No BB, o número despencou em 60% em dois anos com o desligamento de 2,8 mil estagiários. Na Caixa, o corte foi de 30%.

Lucro

A busca pela eficiência significa, na prática, aumentar o lucro. O BB estima que só o plano de aposentadoria incentivada, que teve adesão de 9,4 mil, gerou redução de custos em cerca de R$ 2,3 bilhões por ano. Na Caixa, onde 9,2 mil deixaram o banco, só a saída de 1,3 mil pessoas em 2018 gerará economia anual de R$ 248,5 milhões.

"Bancos privados já fizeram esse movimento e os públicos estão reagindo à concorrência", diz o analista da consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles, ao lembrar que o setor tem mudado radicalmente com o uso maciço dos canais eletrônicos. Salles nota ainda que o movimento responde a uma necessidade do principal acionista do BB e Caixa: o governo.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Juvandia Moreira, diz que o enxugamento de pessoal tem gerado impacto no funcionamento dos bancos. "Gera sobrecarga para os empregados que ficaram e queda da qualidade do serviço ao cliente", diz.

O ranking do Banco Central de reclamações é uma maneira de medir a qualidade do serviço bancário e, por esse critério, Caixa e BB pioraram. Em junho de 2016, a Caixa era o terceiro grande banco com mais reclamações e o Banco do Brasil ocupava a confortável sexta posição - era o melhor colocado entre os grandes.

Desde então, a Caixa chegou a liderar o ranking em alguns períodos e atualmente é o segundo pior avaliado. Já o BB passou de sexto a terceiro mais reclamado.

A insatisfação fica ainda clara com o detalhamento das reclamações recebidas pelo BC. Das 11,6 mil queixas do 2º trimestre contra a Caixa, mais de mil tratavam de "insatisfação com o atendimento prestado por agências".

No caso do BB, das 8,7 mil reclamações no BC, 919 citavam o mesmo problema. Nos concorrentes privados, outros temas são os mais reclamados, como irregularidade em operações e oferta ou prestação de informação inadequada.

Caixa e BB

A Caixa diz que a posição do banco no ranking do BC não tem qualquer relação com o enxugamento da folha de pagamento ou o número de funcionários das agências.

Em nota, o banco informou que tem adotado ações que "visam aumentar a eficiência operacional, por meio da otimização e automação de processos internos, melhorias em sistemas e serviços e equalização da força de trabalho".

O Banco do Brasil informou que "na maior parte dos períodos avaliados, ocupou posições melhores que seus principais pares no ranking do BC". "O BB não ocupou em nenhum dos dois trimestres (de 2018) as primeiras posições, ficando apenas no terceiro lugar entre seus principais pares", afirma a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Recuperação da estatal

Lucro da Petrobras salta 55,7% em 2019 e chega a R$ 40,1 bilhões, impulsionado pela venda de ativos

A Petrobras fechou 2019 com o maior lucro líquido anual de sua história, sustentada pelos fortes desinvestimentos e ganhos de eficiência na extração de petróleo — fatores que compensaram os menores preços da commodity no exterior

De olho no balanço

Marfrig reverte prejuízo e registra lucro líquido de R$ 27 milhões no 4º trimestre de 2019

No acumulado do ano, o lucro líquido caiu para R$ 218 milhões, ante R$ 1,4 bilhão no ano anterior

Confira os números

Petrobras, Ultrapar, Marfrig, RaiaDrogasil e GPA: os balanços que vão mexer com a bolsa nesta quinta-feira

O dia começa recheado de balanços anuais das companhias listadas no Ibovespa

Recurso da estatal

TRF-4 nega recurso da Petrobras e mantém Odebrecht fora de ação da Lava Jato

No recurso, a estatal buscava o prosseguimento dos réus na ação cível e a manutenção do bloqueio de bens dos executivos

Seu Dinheiro na sua noite

Guedes fora, alta do dólar

Você se lembra de quando o dólar a R$ 4,20 era o grande “patamar psicológico” da moeda americana? Não faz tanto tempo assim, mas esse nível de cotação ficou para trás, e agora parece até um pouco distante. Hoje, o dólar à vista bateu um novo recorde de fechamento. Eu sei que você já leu […]

Mais um recorde: dólar à vista sobe a R$ 4,36 e renova a máxima nominal de fechamento

O dólar à vista subiu mais um degrau nesta quarta-feira (19): pela primeira vez, terminou uma sessão acima dos R$ 4,36, cravando um novo recorde nominal. É a oitava vez em 2020 que a moeda renova as máximas de fechamento

Ainda na liderança

Vitor Hugo crê que permanece como líder do governo; Terra diz não receber convite

O deputado disse que não recebeu sinalizações do presidente Jair Bolsonaro de que poderá ser substituído pelo ex-ministro Osmar Terra

O impasse continua

Após TRT suspender demissões, Petrobras quer negociar desligamentos em fábrica

Encerramento da operação da Ansa é o principal motivo da greve dos petroleiros

Ponto polêmico

Relator mantém trabalho aos domingos na MP do contrato verde e amarelo

Deputado Áureo manteve a permissão para que todos os trabalhadores sejam convocados para trabalhar aos domingos e feriados

Novidade no IR

Programa do IR virá sem dedução da contribuição patronal sobre domésticos

Fim da dedução é a principal novidade para as declarações de IR em 2020

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements