Inflação garante Selic estável por mais tempo. Trabalho agora está com Paulo Guedes
Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana e deve acenar juro em 6,5% a perder de vista. A grande dúvida é o ajuste fiscal

Do lado do Banco Central (BC) as condições estão dadas para um longo período de estabilidade da taxa básica de juros, a Selic em 6,5% ao ano. A inflação continua surpreendendo para baixo agora em 2018, deixando uma herança positiva para 2019. A questão, mesmo, está com Paulo Guedes e sua agenda de reformas fiscais.
Para o nosso bolso, isso quer dizer que o cenário está e deve continuar favorável aos ativos de risco como bolsa de valores e fundos imobiliários. No mercado de títulos ganham atratividade os prefixados longos que ainda têm taxas próximas a 10% e as Notas do Tesouro Nacional Série-B mais longas, que encontramos no Tesouro Direto.
De volta aos números, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro apontou deflação de 0,21%, mais intensa que a mediana de deflação de 0,10% prevista da “Projeções Broadcast”, e menor que o 0,28% de igual mês do ano passado. Assim, medido em 12 meses, o índice oficial de inflação caiu de 4,56% para 4,05%.
Os núcleos de preços, que captam a tendência da inflação, também apresentaram queda em todas as suas diferentes medidas, com a média recuando de 3% em 12 meses até outubro para 2,87%, nos cálculos da CM Capital Markerts.
Além disso, o índice de difusão voltou a recuar, de 60,3% para 54,6%, mostrando menos itens da cesta com aumento de preço. Breve alta apenas para a inflação de serviços, mas nada que demande resposta do BC.
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Copom
Na quarta-feira, dia 12, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem sua última reunião de 2018. O consenso é de estabilidade do juro básico e também não devemos ver grande mudança na comunicação do BC.
O ponto principal do balanço de riscos, que está levemente assimétrico, continua sendo “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira”, algo que pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O cenário externo também faz parte dos eventos que podem tirar a inflação das metas.
No entanto, esses dois vetores fogem do escopo de atuação do BC. Com 2018 “na conta”, o que importa, agora, é o comportamento das projeções e expectativas para 2019 e 2020. Uma leitura detalhada disso será conhecida no Relatório de Inflação de 20 de dezembro.
O BC deve manter em sua comunicação, o parágrafo no qual fala em eventual retirada de estímulo “caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”.
O trabalho está com Paulo Guedes e o “pacote” aqui inclui a capacidade de articulação do governo com o Congresso, pois sem avanço das reformas fiscais ao longo de 2019, certamente as expectativas deixarão de ficar nas metas de 4,25% para o próximo ano, 4% para 2020 e 3,75% para 2021.
Se o governo for vitorioso na agenda de reformas uma nova discussão se abre envolvendo a redução da taxa neutra ou estrutural da economia. Essa é a taxa de juros que permite o máximo de crescimento com inflação nas metas. Ela é uma variável não observável, mas estimativas sugerem que ela está entre 4% a 4,5% em termos reais (juro nominal descontado da inflação). Atualmente nosso juro real está ao redor de 3%, por isso o BC fala que a política monetária está estimulativa, ou seja, juro real abaixo do estrutural.
Com reformas aprovadas esse juro estrutural tenderia a cair, abrindo espaço para Selic em 6,5% por ainda mais tempo ou até eventual redução da taxa básica.
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