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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances "O Roteirista", "Abandonado" e "Os Jogadores"

Fintech

Por que o Nubank cresce, mas ainda dá prejuízo?

Com mais de seis milhões de usuários de seu inconfundível cartão de crédito na cor roxa, o Nubank jamais deu lucro. Mas as outras linhas do balanço mostram que essa tendência pode se reverter

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
31 de março de 2019
12:30 - atualizado às 17:15
Cartão nubank
Imagem: shutterstock

Com mais de seis milhões de usuários de seu inconfundível cartão de crédito na cor roxa, o Nubank é de longe o maior caso de sucesso no país entre as novas empresas de tecnologia financeira, as chamadas “fintechs”. Mas desde que entrou em operação há cinco anos, a emissora de cartões e banco digital jamais deu lucro. O que acontece?

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Quando eu comecei a cobrir o setor financeiro como repórter, há mais de uma década, um experiente analista do setor me ensinou uma regra de ouro: banco não pode dar prejuízo.

Com base nessa avaliação, os números do Nubank deveriam preocupar. Em 2018, registrou um resultado negativo de R$ 100,3 milhões. Um pouco melhor que a perda de R$ 117 milhões do ano anterior, é verdade. Mas os prejuízos acumulados desde a criação da fintech que tem apenas cinco anos de vida já somam quase R$ 380 milhões.

De todo modo, o Nubank não pode ser avaliado como um banco qualquer, e sim como uma empresa de tecnologia. Até aqui, os sucessivos prejuízos vêm sendo bancados com aportes de grandes fundos internacionais, que já investiram mais de US$ 700 milhões. Na última rodada, a fintech foi avaliada em quase US$ 3,9 bilhões (mais de R$ 15 bilhões, nas cotações atuais).

Fase de crescimento

Ao investir no Nubank, os fundos miram não a última linha do resultado, que traz o lucro ou prejuízo, mas nas outras linhas do balanço. A grande aposta é que a empresa vai liderar o processo de “disrupção” na oferta de serviços financeiros no Brasil. Isso, aliás, já está acontecendo.

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Com seu cartão de crédito sem a cobrança de anuidade, aliado a um aplicativo de celular intuitivo, o Nubank caiu no gosto dos clientes, em particular os jovens da geração “millennial”, que não eram bem atendidos pelos bancos tradicionais.

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O Nubank encerrou o ano passado com um total R$ 10,7 bilhões em ativos, um aumento de 128% em relação a dezembro de 2017 e quase o dobro do Banco Inter, outra fintech que também está em crescimento acelerado.

Mas como o Nubank ganha dinheiro se não cobra a anuidade do cartão? As receitas hoje vêm de duas principais fontes: as taxas de intercâmbio, um percentual cobrado dos estabelecimentos comerciais a cada compra feita no cartão, e com os juros nas compras feitas no rotativo ou parcelamento.

Em 2018, a receita total da fintech mais que dobrou e alcançou R$ 1,233 bilhão. Mas ainda não é suficiente para cobrir as despesas operacionais e com provisões para calotes, por isso a empresa ainda opera no vermelho.

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Eu ouvi uma vez do Nubank que uma das fontes do prejuízo vem justamente do crescimento acelerado. Isso porque cada novo cliente traz um custo inicial com a emissão do cartão e as inevitáveis fraudes que acontecem no meio do processo.

A boa notícia é que o crescimento das despesas no ano passado foi menor que o aumento das receitas, um sinal de que a proporção entre novos clientes e os "maduros" começa a ser favorável para a empresa.

Vem IPO por aí?

A grande expectativa do mercado é que o Nubank venha em breve, provavelmente ainda neste ano, para a bolsa e faça uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Para isso, o grande desafio do Nubank será mostrar aos investidores que, além de ser bom para o cliente, também pode ser rentável para o acionista.

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Os críticos desse modelo argumentam que o negócio de cartões não para em pé da forma como está hoje, já que boa parte da receita de intercâmbio não fica com a empresa, mas com a bandeira (Mastercard).

O maior receio é que a fintech repita a trajetória de empresas como a Netshoes, que conseguiu abrir o capital na bolsa de Nova York, mas não foi capaz de entregar resultados aos acionistas.

Ampliando o portfólio

O Nubank já deu a resposta mostrando que vai muito além das operações com cartões. A empresa lançou em 2017 a NuConta, com a qual ampliou a gama de serviços (e potenciais fontes de receita) e já ultrapassou a marca de 4 milhões de clientes.

Recentemente, também obteve autorização para abrir uma financeira, com a qual passou a oferecer empréstimos pessoais e também poderá emitir letras de câmbio, ampliando as fontes de captação e diminuindo os custos de funding.

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E você, o que acha do Nubank? A empresa conseguirá ser lucrativa mantendo a qualidade dos serviços? Deixe seu comentário logo abaixo ou lá no meu Twitter.

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