Menu
Alexandre Mastrocinque
Que Bolsa é essa?
Alexandre Mastrocinque
É economista, contador e especialista em investimento em ações
2019-05-19T13:09:01+00:00
QUE BOLSA É ESSA?

O gigante Itaú, definitivamente, não está adormecido

O retorno sobre patrimônio líquido anualizado (ROE, da sigla em inglês) ficou em 23,6% – nada mau para um gigante que vem sendo atacado por todos os lados… Mas boa parte das fintechs moderninhas ainda não gera resultado, quanto mais caixa

19 de maio de 2019
6:29 - atualizado às 13:09
Montagem mostra Gorila com a capa do Itaú em cima do prédio do Empire State, uma referência ao filme King Kong
Imagem: Montagem Victor Matheus - Imagem original: Sthutterstock

Em novembro de 2017, assisti a uma palestra de Mark Yusko, fundador e gestor da Morgan Creek Capital Management. Por cerca de 40 minutos, Mark falou sem parar enquanto passava voando pelos slides da apresentação.

O cara é muito cativante e mudou a forma como enxergo a China – nada daquela imagem de ilhas de poluição, o ar sujo e pesado nas Olímpiadas de Pequim e o trabalho semiescravo em indústrias pesadas.

A China é, hoje, um dos principais polos tecnológicos do mundo e, não duvide, está no caminho para assumir papel de liderança econômica e cultural em pouco tempo.

Foi Mark quem me falou sobre o WeChat pela primeira vez: o “WhatsApp chinês” que conta com mais de um bilhão de usuários (China!) e já é uma das principais plataformas de pagamento no país. Mesmo sem acesso ao sistema bancário, qualquer chinês pode instalar o app no seu Xiaomi, fazer um depósito e sair pagando compras e transferindo dinheiro.

O WeChat é da gigante Tencent que, talvez, você conheça mais pelo braço de games – é muito provável que seu filho jogue Fortnite por horas e já tenha te pedido dinheiro para comprar uma picareta nova ou uma roupa escalafobética que não parece fazer muito sentido (adolescentes!).

Outro fenômeno chinês é o Alibaba, o Mercado Livre deles, que conta com diversas funcionalidades e, hoje, é responsável pelo maior fundo de investimento de curto prazo (Money Market fund) do mundo: o Yu’o Bao, da Ant Financial, tem quase U$ 300 bilhões sob gestão – basicamente, o fundo gere os valores de usuários da Alibaba que preferem deixar o dinheiro por lá do que mandar para suas contas correntes.

Com essa história de aplicativos, smartphones e avanços tecnológicos nos meios de pagamento, armazenar e movimentar recursos financeiros nunca mais vai ser igual. Prazos e custos vão cair e os incumbentes terão que defender o império com unhas e dentes.

É no meio dessa história toda que muita gente tem abandonado o barco dos bancões brasileiros. O medo da “disrupção” e da linguagem moderna do Nubank, Banco Inter, Stone e qualquer outra fintech do momento fez muita gente decretar a morte do Itaú.

Por enquanto, não parece ser o caso: mesmo que os resultados do segmento de adquirência (as maquininhas da Rede) tenham sofrido, o primeiro trimestre do Itaú veio forte.

A carteira de crédito continua crescendo a um ritmo acelerado – fechou o trimestre com R$ 647 bilhões, 7,7% a mais do que no primeiro trimestre de 2019 – e com qualidade: a inadimplência continua caindo enquanto o índice de cobertura (razão entre as provisões e os empréstimos em atraso há mais de 90 dias) segue acima de 200%.

Se as linhas de serviço (que incluem as operações da Rede) sofreram, bem como as operações com o mercado (Tesouraria), a principal linha de negócios (ganho com diferencial de juros em empréstimos para clientes) voou e mais do que compensou todo o resto. Com isso, o resultado recorrente subiu e chegou a impressionantes R$ 6,9 bilhões nos primeiros três meses do ano. É verdade que rolou uma forcinha da queda da alíquota da Contribuição Social mas, mesmo assim, o Lucro Antes de Impostos (LAIR) cresceu em torno de 3%.

Com isso, o retorno sobre patrimônio líquido anualizado (ROE, da sigla em inglês) ficou em 23,6% – nada mau para um gigante que vem sendo atacado por todos os lados...

É claro que a preocupação dos detratores está muito mais no futuro do que no presente. Mas, cá entre nós, eu sinceramente acho que não há motivos para se preocupar.

Boa parte das fintechs moderninhas ainda não gera resultado, quanto mais caixa – o Nubank, por exemplo, é incrível, tem um baita serviço, app funciona redondinho, tem identificação forte de marca (quem não conhece o cartão roxo?) e, mesmo com mais de 3 milhões de cartões emitidos, o mais novo unicórnio do mercado brasileiro ainda luta para sair do vermelho.

Além disso, o mercado bancário brasileiro não é concentrado à toa: os fortes controles do Banco Central tornaram o sistema bastante robusto e confiável, mas também dificultam, e muito, a entrada de novos participantes. Por uma série de motivos, é difícil montar a lojinha, operar e ganhar dinheiro no Brasil.

Muito banco gringo veio para cá e quebrou a cara: sem pensar muito, posso citar o Boston, Citi e HSBC. Quem conseguiu se dar bem foi o Santander (baita execução do Rial), mas o sucesso só rolou porque o espanhol tirou o Banco Real das mãos do ABN.

Os bancos brasileiros ficaram tão grandes e o domínio é tão estabelecido que podem comprar qualquer ameaça que surgir no meio do caminho (Itaú gastou menos do que o lucro deste trimestre para levar 49,9% da XP).

Se não conseguir comprar, pode gastar um caminhão de dinheiro para desenvolver uma solução dentro de casa: lembra do WeChat, de seus 1 bilhão de usuários e do pagamento via QR Code?

O Itaú acabou de anunciar o lançamento do iti que, apesar de nome de palhaço demoníaco, tem tudo para resolver a vida de muita gente, inclusive no varejo.

Se há uma guerra das maquininhas, o Itaú resolveu quebrar a porra toda e acabar não só com a guerra, mas com o próprio mercado. Qualquer pessoa, de bem ou de mal, vai poder baixar o aplicativo, fazer um depósito (ou pagar um boleto) e sair por aí escanenado códigos e pagando suas contas.

O iti vai cobrar apenas 1% do lojista (a Rede, por exemplo, cobra mais de 3%) e promete fazer a transferência na hora. Você vai poder, também, mandar dinheiro pro amiguinho, filho, funcionário e até para a amante sem pagar nada.

Não precisa ter conta em NENHUM banco. Só um smartphone, um pouco de dinheiro e vontade de gastar.

E, olha que legal, sabe o dinheiro que você mandou para o aplicativo, mas ainda não usou par pagar nada? Bem, ainda não temos informações detalhadas sobre isso, mas nada impede que o banco aplique esses recursos! Da mesma forma que as seguradoras fazem a festa com os prêmios dos seguros, o Itaú vai ter esse dinheiro nas mãos, sem custo algum, para aplicar como melhor entender.

Genial.

Banco, por natureza, é um negócio arriscado. Pode ser grande, pode ser bem tocado, pode ser oligopólio e pode ser dominante. Um passo em falso e o sonho pode acabar da noite para o dia. Pergunte aos acionistas do Barings, Lehman Brothers e até mesmo do Unibanco.

Não têm ativos reais, são extremamente alavancados e, se acabar a confiança, acabou a marca e o negócio.

Mas, se o seu medo de investir no Itaú for por causa do Mercado Pago ou do Linx Pay, pode dormir tranquilo, o Itaú tem muito café no bule e, desse mal, não há de morrer.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

avanços no diálogo

G-7: EUA e Japão fecham acordo; Japão vai comprar excedente de milho americano

No entanto, segundo Trump, tarifas de automóveis dos EUA, que as autoridades japonesas queriam ver reduzidas, permanecerão onde estão

libra

Projeto de criptomoeda do Facebook pode sofrer baixa com parceiros

Segundo o Financial Times, são dois os parceiros da empreitada de criptomoeda que disseram ao jornal estar considerando abandonar a moeda digital

crise do clima

G7 quer ajudar o mais rápido possível nos incêndios da Amazônia, diz Macron

Segundo o presidente da França, “tudo depende dos países da Amazônia”, que compreensivelmente defendem sua soberania

roupa remendada

Tasso terá de dar parecer para 130 emendas à reforma

Cabe ao senador, que deve entregar seu relatório na semana que vem, decidir se acata ou não as sugestões de alterações

economia que patina

País deve andar em passo lento, mesmo com reformas

Destruição provocada pela recessão, com empresas indo à falência e milhões de trabalhadores saindo do mercado, forma cenário adverso para o Brasil

seu dinheiro no domingo

Rota do Bilhão: 9 semelhanças dos 10 mais ricos do mundo

Apesar de histórias de vida e negócios diferentes, há pontos em comum entre os maiores bilionários do mundo – são pistas do que pode ter feito a diferença

clima tenso

Europeus se dividem sobre risco ao Mercosul

Decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de obstruir um acordo comercial entre a União Europeia e o grupo Mercosul divide opiniões entre líderes mundiais

no g7

Acordo comercial com os EUA não será fácil, diz primeiro-ministro britânico

Boris Johnson citou carnes bovina e de cordeiro, travesseiros e fitas métricas como alguns dos produtos britânicos que têm entrada dificultada nos mercados dos EUA

um unicórnio entre os jovens

Tiktok: o app que faz sucesso entre a geração Z e fez da sua dona a startup mais valiosa do mundo

ByteDance é considerada a startup com o maior valor de mercado do mundo – são US$ 75 bilhões; estratégia se divide em diversas frentes, incluindo um app que ganha cada vez mais força entre jovens nascidos em meados dos anos 90 para cá

guerra comercial não para

Trump ameaça usar autoridade de emergência contra a China

Anúncio chinês de elevar as tarifas sobre US$ 75 bilhões em importações norte-americanas deixou o presidente dos EUA enfurecido

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements