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Investimentos

Mercados emergentes são o futuro, segundo uma das lendas do mercado

Fundador da GMO, Jeremy Grantham, recomenda ficar longe do mercado americano pelas próximas décadas

Fundador da GMO, Jeremy Grantham, em entrevista à CNBC. - Imagem: Print CNBC

Em uma rara entrevista à rede “CNBC”, o fundador da GMO, Jeremy Grantham, fez uma avaliação clara sobre o que fazer. Fique longe do mercado americano e busque retorno para seus investimentos nos mercados emergentes.

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Grantham está na lista dos poucos gestores que conseguiram antever não só a crise de 2008, mas também a crise das “ponto com” dos anos 2000. Para o especialista, não devemos ver um clássico estouro de bolha nos preços dos ativos americanos, como em episódios passados, mas sim um movimento gradual e nem sempre retilíneo de contração do mercado.

Mesmo com o Federal Reserve (Fed), banco central americano, mudando seu discurso, Grantham afirma que “não é possível tirar sague de pedra”, quando comenta o atual preço dos ativos americanos.

Para o especialista, é uma questão de “valuation” muito esticado aliado a um ciclo econômico que não está mais “a nosso favor”, pois claramente os EUA não têm condição de crescer a taxas de 2,5% a 2,8% ao ano como vimos nos últimos dez anos. A tendência de crescimento de longo prazo dos EUA é de 1,5%, na visão do especialista.

Dentro da GMO, disse o gestor, os otimistas (bulls), os pessimistas (bears) e todos no meio desses dois extremos concordam que dentro dos próximos 20 anos, o mercado americano vai produzir um retorno anual real (descontado da inflação) na casa de 2% a 3%. Nos últimos 100, disse, o retorno real ficou na casa dos 6% ao ano.

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Segundo Grantham, isso não é o fim do mundo, “mas vai quebrar muitos corações quando estivermos certos”.

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Por isso, o conselho é  ficar longe dos EUA e olhar para os emergentes, onde a taxa de retorno real pode ser de 6%, ou talvez até mais, na casa de 7% ou 8%.

Muito da tese do gestor passa pela questão populacional. Os mercados desenvolvidos estão cada vez com menos gente para trabalhar e consumir. Nos EUA, boa parte do crescimento dos últimos 10 anos decorreu da incorporação de pessoas no mercado de trabalho, mas esse movimento já estaria esgotado ou próximo de se esgotar.

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Assim, entre os emergentes, sua aposta predileta é a China, pois “eles tem gente, rápido crescimento e estão direcionando seus esforços de forma muito inteligente”.

Grantham lembrou que a China está elevando de forma consistente o número de pessoas formadas em engenharia e outras “ciências duras”. Com essa qualificação e volume de pessoas é muito difícil que o país não tome a liderança em uma área científica após a outra.

A visão externada por Grantham está bastante alinhada com a de outro gigante dos investimentos, a BlackRock. Nesta semana, segundo a “Bloomberg”, o diretor-gerente da companhia, Amer Bisat, disse que os emergentes “podem ser o negócio da década”, conforme as economias apresentam um crescimento mais rápido que a dos pares desenvolvidos.

Para Bisat, a China deve apresentar um crescimento mais acelerado no segundo semestre de 2019, impulsionado os ativos de risco.

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Mas e o Brasil?

O Brasil também teve menção por parte de Bisat, que disse esperar “surpresas positivas”. Mas tudo condicionado à capacidade de o governo Bolsonaro entregar a reforma da Previdência. A direção do país, segundo o diretor da BlackRock, é “muito promissora”.

Grantham também falou no Brasil em sua entrevista, mas apenas para utilizar o país como exemplo de desigualdade de renda, quando comentava o tema sobre os EUA e sua visão favorável sobre maior tributação para os endinheirados.

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