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O Ibovespa teve a segunda baixa consecutiva, refletindo o clima de cautela que tomou conta dos ativos globais nesta terça-feira. Lá fora, os mercados ficaram de olho nas movimentações da guerra comercial — e, ao menos por enquanto, não há nada definido entre EUA e China
O Ibovespa e os demais mercados acionários do mundo estão acompanhando uma partida particularmente nervosa. À mesa, estão dois jogadores com cacifes elevados: de um lado, Estados Unidos; do outro, China. E, com tantas fichas em jogo, nenhum deles quer fazer um movimento em falso — a menor hesitação pode ser definitiva no pôquer da guerra comercial.
A tensão apenas cresce com o passar do tempo. Afinal, a partida tem um tempo-limite: no próximo domingo, dia 15, as disputas entre americanos e chineses entrarão numa fase ainda mais crítica. Assim, se quiserem evitar essa etapa, os jogadores terão que tomar uma decisão em breve.
Pois bem: nesta terça-feira (10), parecia que o jogo caminharia para um desfecho: lá fora, a imprensa internacional chegou a noticiar que os governos de Pequim e Washington estavam próximos de chegar a um acordo comercial — e que esse acerto adiaria a imposição, pelo governo dos EUA, de novas tarifas sobre as importações chinesas, a partir do dia 15.
Por um breve momento, os agentes financeiros que estavam na arquibancada chegou a comemorar: as cartas finalmente seriam abertas e os dois jogadores apertariam as mãos, encerrando a disputa — ao menos, por enquanto. Só que não foi bem isso o que aconteceu.
"A verdade é que as tarifas ainda estão na mesa", disse Larry Kudlow,
diretor do Conselho Econômico dos Estados Unidos, numa conferência promovida pelo Wall Street Journal. Ou seja: o jogo ainda não acabou — e, consequentemente, a tensão continua elevada.
E, em função do nervosismo dessa partida — e da proximidade da data-limite —, os mercados globais tiveram um dia de maior estresse. No Brasil, o Ibovespa, fechou em baixa de 0,28%, aos 110.672,01 pontos; nos Estados Unidos, o Dow Jones (-0,10%), o S&P 500 (-0,11%) e o Nasdaq (-0,07%) também recuaram.
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Desde o início da sessão desta terça-feira (10), o Ibovespa andou em linha com os demais mercados do mundo. Logo após a abertura, o índice brasileiro recuava, acompanhando as bolsas globais. Minutos depois, a bolsa local ganhou força e afastou-se das mínimas, num movimento também em paralelo com o exterior.
Mas esse impulso teve fôlego curto: já no início de tarde, o Ibovespa voltou a aparecer no campo negativo, de onde não saiu mais. Tudo por causa do vaivém no noticiário referente à guerra comercial entre EUA e China.
As negociações entre americanos e chineses têm sido o principal fator de influência para os mercados nos últimos dias. Em linhas gerais, os agentes financeiros mostram-se otimistas quanto ao desfecho das conversas, apostando num consenso que viabilize a postergação de uma nova rodada de tarifas de importação a serem aplicadas por Washington.
Esse otimismo foi responsável pelo rali da semana passada nas bolsas globais — e que levou o Ibovespa às máximas. No entanto, a falta de avanços concretos no diálogo entre as potências começou a trazer algum desconforto aos investidores: como foi dito lá em cima, a data-limite para a aplicação das sobretaxas é o próximo domingo, dia 15.
E é aí que chegamos à sessão de hoje. No início do dia, o panorama seguia o mesmo, com os mercados otimistas, mas apreensivos em relação ao impasse comercial — o que colocava as bolsas no campo negativo.
Mas, ainda durante a manhã, relatos de que americanos e chineses estariam próximos de um consenso para adiar a implantação de tarifas adicionais dos EUA sobre as importações do país asiático deram força aos mercados: os futuros de Nova York viraram ao campo positivo, levando o Ibovespa de carona.
Só que, por mais que os relatos da imprensa internacional sejam animadores, fontes oficiais ainda não confirmam um avanço significativo nas conversas. Pelo contrário: as cartas "ainda estão na mesa", como disse Kudlow. Assim, a cautela voltou a tomar conta dos agentes financeiros.
Vale lembrar que o Ibovespa acumulou cinco altas consecutivas na semana passada, o que facilitou os movimentos de correção e realização de lucro. Assim, por mais que os mercados dos EUA tenham tido perdas pouco intensas, o índice brasileiro acabou assumindo uma postura mais defensiva.
Veja as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça-feira:
Confira também as maiores quedas do índice no pregão de hoje:
Você pode ver a cobertura completa dos destaques do Ibovespa nesta terça-feira em nossa matéria especial.
E o mercado de câmbio? Bem, o dólar também passou por um certo alívio: logo depois da abertura, a moeda americana chegou a subir 0,54%, a R$ 4,1515. Mas, no fechamento, a divisa teve alta de 0,47%, a R$ 4,1488.
Lá fora, o dólar também perdeu parte da força exibida durante a manhã, embora tenha continuado avançando em relação a maior parte das divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano. O real, assim, acompanhou a tendência dos pares.
Em meio às incertezas relacionadas à guerra comercial, o mercado opta por uma estratégica clássica: parte para a segurança do dólar, rejeitando ativos mais arriscados, como as moedas de países emergentes — e, considerando que a divisa americana caiu nas últimas seis sessões por aqui, é normal ver um certo ajuste positivo no câmbio.
Além das idas e vindas da guerra comercial, os mercados seguem esperando as decisões de juros nos EUA e no Brasil, nesta quarta-feira (11). Em ambos os casos, o cenário-base é bastante nítido: estabilidade nas taxas americanas e corte de 0,5 ponto na Selic por aqui.
Assim, a expectativa recai sobre os comunicados oficiais dos bancos centrais dos dois países, apontando para os próximos passos.
Nesse contexto, as curvas de juros acompanharam o comportamento do dólar à vista e fecharam em alta, mas sem mostrar movimentações muito expressivas. Veja abaixo como ficaram os DIs nesta terça-feira:
Entrada recorde de capital estrangeiro, rotação global de dólares para emergentes e alta de Petrobras e Vale impulsionaram o índice, em meio a ruídos geopolíticos nos Estados Unidos e com eleições brasileiras no radar dos investidores
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