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Eu e a colunista Luciana Seabra (que também é CFP®) batemos um papo com Jan Karsten, presidente da Planejar, responsável pela certificação de planejadores financeiros no Brasil. Ele nos contou sobre as vantagens de ser assessorado por um CFP®
Se você já é investidor, talvez já tenha se deparado com algum profissional da área financeira cuja assinatura venha seguida da sigla CFP®. Mas você sabe o que ela significa?
O CFP®, ou Certified Financial Planner, nada mais é que o planejador financeiro certificado, um profissional que passou por várias etapas de estudos, provas, experiência profissional e adesão a uma série de boas práticas e um código de ética para cuidar da vida financeira de pessoas físicas.
Diferentemente de outras certificações do mercado financeiro, o selo CFP® não é obrigatório para o exercício da função de planejador, consultor ou assessor financeiro. Funciona mais como um atestado de qualidade.
O trabalho do CFP® não se restringe aos investimentos. Dependendo da necessidade do cliente, aliás, pode nem ser o caso. Este profissional analisa toda a vida financeira do cliente, incluindo aspectos mais pessoais, para indicar os melhores caminhos no planejamento financeiro.
Isso pode envolver diversas funções, como ajudar o cliente a se livrar das dívidas, aprender a poupar, escolher os melhores investimentos, otimizar o pagamento de impostos, escolher as coberturas de seguro mais adequadas e fazer planejamento sucessório, que é a transmissão dos bens aos futuros herdeiros da forma mais econômica e eficiente possível.
Eu e a colunista do Seu Dinheiro Luciana Seabra - que, por sinal, é CFP® - fomos entrevistar o Jan Karsten, presidente da Planejar, a Associação Brasileira dos Planejadores Financeiros.
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Ele nos falou sobre as funções e os diferenciais do profissional de planejamento financeiro, a importância de nós, investidores, buscarmos profissionais certificados, e sobre os planos da Planejar para o futuro.
A seguir, você confere os melhores trechos da entrevista e fica sabendo de tudo sobre a função de planejador financeiro certificado no Brasil.
O CFP® é uma certificação internacional criada nos Estados Unidos, sem caráter obrigatório, regulatório ou de licença. É, portanto, um selo de distinção.
“O CFP® é um selo de qualidade do profissional que traz os quatro Es: experiência, educação, exame e adesão ao código de ética. É um profissional que passou por um crivo demorado, de dedicação, tempo, energia e estudo”, começou Jan Karsten.
Para tirar a certificação, o profissional precisa preencher uma série de requisitos:
A certificação é voluntária. Eu ainda não tirei CFP® (pretendo fazê-lo num futuro não muito distante), mas meus colegas que já passaram pelo processo garantem que a prova não é fácil!
“Não temos meta de quantidade de CFP® no Brasil porque temos medo que o nível dos profissionais caia. Não queremos deixar a prova mais fácil. Pelo contrário, a taxa de aprovação vem caindo, justamente porque tem mais gente indo despreparada para a prova”, contou Karsten.
A Planejar é a responsável por aplicar o exame, conceder o selo CFP® no Brasil, controlar a atividade de planejador financeiro pessoal e representar os profissionais certificados. Hoje, são 4 mil profissionais com CFP® no país.
A associação é uma entidade de autorregulação, não governamental e sem fins lucrativos, e única afiliada brasileira ao Financial Planning Standards Board (FPSB), responsável pela divulgação, gerenciamento e controle do uso das marcas CFP® fora dos Estados Unidos.
“O profissional associado paga uma anuidade, e uma parte dela é revertida para o FPSB, que é responsável por manter uma certa unicidade do que é ser CFP® ao redor do mundo”, diz o presidente da Planejar.
A atuação de um CFP® deve seguir etapas e abranger áreas pré-definidas, que seguem padrões internacionais.
Basicamente, e escopo de conhecimento do planejador financeiro certificado abrange seis áreas: planejamento financeiro e ética; gestão de investimentos; planejamento da aposentadoria; gestão de riscos e seguros; planejamento fiscal; e planejamento sucessório.
Portanto, não necessariamente o CFP® será um profissional focado em investimentos. Tanto que não há limitação para a formação e área de atuação do candidato à certificação, desde que ele comprove a experiência e o conhecimento necessário.
Há profissionais mais focados em investimentos, outros em informação, planejamento financeiro, planejamento sucessório, contabilidade, direito e por aí vai.
“Não é uma licença, então tanto faz se o profissional é agente autônomo, consultor, gestor de carteira ou distribuidor de fundos, por exemplo”, diz o presidente da Planejar.
Um dos serviços oferecidos pelo planejador financeiro certificado é o diagnóstico, a primeira consulta, que costuma durar algo entre uma hora e meia e duas horas.
“Tem quem cobre de R$ 500 a R$ 2 mil por esse encontro. Quem passa por uma reunião dessas já aprende os principais pontos do processo. Se for mais ou menos disciplinado consegue se cuidar dali em diante”, diz Karsten.
O processo começa com o fluxo de caixa. O cliente precisa informar a renda e levar todas as contas. “As pessoas acham que essa coisa de fazer fluxo de caixa é bobagem, mas se você não puser na ponta do lápis, você não sabe exatamente quanto você gasta”, completa.
Os profissionais com CFP® são mais comuns nas áreas de private dos bancos, atendendo aos clientes de altíssima renda, até porque neste segmento há metas de percentual de profissionais certificados.
Entre os gestores de patrimônio também há uma meta de ter pelo menos 75% dos profissionais certificados até o final de 2021.
Para os investidores de varejo alta renda também há oferta de profissionais certificados, tanto nos bancos como em corretoras e distribuidoras de valores.
Agentes autônomos também podem ser certificados, apesar de não poderem recomendar investimentos específicos para os clientes. “Eu acho bom o agente autônomo ter CFP®, até para ele saber fazer as perguntas. Para entender e saber diagnosticar o cliente”, diz Karsten.
Finalmente, há os consultores independentes, remunerados diretamente pelo cliente e sem vínculo com alguma instituição financeira específica. Hoje, 30% dos CFP® são independentes. Os demais 70% são ligados a instituições financeiras, sendo que 40% deles estão no segmento de private banking.
Jan Karsten diz que a Planejar não tem foco específico em tipo de profissional ou de instituição financeira à qual ele seja ligado.
Mas o trabalho do CFP® não é só para quem tem muito dinheiro para investir. Mesmo o pessoal do varejo tradicional e aqueles que têm dívidas podem se utilizar dos serviços de um planejador financeiro para se livrar do endividamento e aprender a poupar.
“O trabalho que a Planejar faz dentro da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) é 100% voltado para as pessoas que não conseguem poupar. Analisar seu fluxo de caixa, quanto elas ganham e gastam, as dívidas etc. E é de graça”, explica Karsten.
Se você quiser procurar um planejador financeiro certificado, a orientação do presidente da Planejar é entrar no site da entidade, onde há uma lista com todos os profissionais. Lá, você consegue o profissional por especialidade, tipo de atendimento (se presencial ou à distância) e localidade.
Mas Karsten assegura que, neste mercado, o marketing boca a boca é predominante. “É impressionante, porque é transformacional”, diz.
Segundo o presidente da Planejar, o profissional certificado tem basicamente dois diferenciais.
O primeiro é que o CFP® precisa seguir as seis etapas do planejamento financeiro estabelecidas para tirar a certificação:
“É como uma receita de bolo. O cliente tem a garantia de que o profissional foi treinado e vai seguir à risca esse processo. É uma arte, não é uma ciência. Cada caso é um caso. Mas o esperado é que o resultado de um CFP® seja melhor do que o de um profissional sem a certificação”, diz Karsten.
O segundo é a adesão a um código de ética. Segundo Karsten, se o CFP® não estiver seguindo as regras do ponto de vista ético, o cliente pode entrar em contato com a Planejar.
“É uma proteção, quase uma ouvidoria. Não é um papel de regulador, mas sim de uma instituição que está preocupada que 4 mil profissionais carreguem o CFP® dentro de um certo padrão”, diz.
Segundo o presidente da Planejar, um problema que pode acontecer quando o profissional não é certificado e que o selo CFP® evita é a recomendação unicamente com base no questionário de suitability, sem que o profissional conheça mais a fundo o ciente.
“Há perguntas pessoais que não são relevantes para o suitability, mas que são importantes para as recomendações. Por exemplo, pensando no poupador: quanto você gera de renda por ano? Você continua poupando, ou esse patrimônio é tudo que você tem? Qual o objetivo desse dinheiro? Pergunta-se o retorno, mas é o contrário, o retorno é função do objetivo. Um cliente que queira morar fora do Brasil dentro de dez anos é totalmente diferente de um que queira comprar um carro e se aposentar daqui a 15 anos.”
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O CFP® pode ser remunerado diretamente pelo cliente ou, caso ligado a instituições financeiras, por comissão pelos produtos e serviços que oferece.
Para Karsten, não há problema em ser ligado a instituições financeiras, nem seria necessário que o cliente consultasse mais de um profissional na hora de escolher produtos financeiros, desde que haja transparência.
“O que eu acho mais difícil é, no caso do profissional ligado a banco, em relação a produtos de crédito. Nesse ponto eu acho que seria necessário sim consultar um profissional independente. Por exemplo, trocar uma dívida cara de cartão de crédito por dívidas mais baratas ou colocar um imóvel quitado como garantia de um empréstimo para pagar juros menores”, diz.
Karsten nos contou que, nos Estados Unidos, os consultores enviam para os clientes por e-mail a confirmação da transação realizada e o valor que o profissional está recebendo de comissão, independentemente do produto. “Acho que vamos acabar caminhando nessa direção, estamos trabalhando para isso”, diz.
“O Japão e os Estados Unidos provavelmente são os países mais avançados nesse sentido. Quem está crescendo absurdamente é a China, um negócio incrível. Índia também”, diz o presidente da Planejar.
Ele conta que a remuneração direta pelo cliente tem ficado mais comum, até porque, em países desenvolvidos, como Japão e EUA, os juros andam baixos há bastante tempo. Fora o imposto sobre heranças, que tem uma alíquota enorme. “Nos Estados Unidos você deixa quase metade do seu patrimônio para o Estado, se não se planejar”, observa.
Para este ano, a Planejar tem dois grandes projetos. Um é a confecção de uma cartilha para os CFP® distribuírem para os clientes, a fim de esclarecer os principais pontos do planejamento financeiro.
O outro é a confecção de uma espécie de manual para os profissionais certificados que desejem montar seu próprio negócio, como agente autônomo ou planejador financeiro independente.
“Que modelo de contrato esse profissional pode ter com o cliente? Quanto e como cobrar? Qual a constituição da empresa? Quais licenças são necessárias? Como eu apresento os resultados para o cliente? Seria realmente um kit ‘monte o seu negócio’”, explica o presidente da Planejar.
No lado da educação financeira, o plano é incrementar o atual curso à distância da entidade com novos casos e mais módulos. “A gente quer ampliar a gama de ofertas, não só para os profissionais, mas também para o público final”, diz.
Embora descarte a possibilidade de colocar metas de profissionais certificados para a entidade, Karsten gostaria que, num futuro mais distante, houvesse algum tipo de meta para o trabalho da Planejar.
A ideia seria medir, por meio de pesquisas, o quanto os brasileiros conhecem o trabalho do CFP® e ir aumentando esse percentual.
“Nosso trabalho é educar e mostrar para o brasileiro poupador que a certificação é importante na hora em que você escolhe alguém para te assessorar”, diz.
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