Menu
2019-05-15T15:19:15+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
A política como ela é

Desarticulação na política e economia capenga fortalecem Rodrigo Maia

Desgaste envolvendo Ministério da Educação é pano de fundo para demonstrar insatisfação com governo, mas reformas devem acontecer

15 de maio de 2019
15:19
Rodrigo Maia
Presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O pano de fundo é o contingenciamento de orçamento para a Educação, mas o quadro que se desenhou nesses três dias da “semana do tsunami” é de uma grande desarticulação política em um momento em que ficou mais claro ainda que estamos “no fundo do poço” em termos de atividade econômica.

Começando pela política, a semana traria a importante votação da medida provisória que faz a reestruturação administrativa do governo. Desde a semana passada, o clima já tinha azedado com a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do ministro  Sergio Moro.

O movimento foi visto como uma derrota do governo, mas atiçou as redes sociais e a base mais fiel de Jair Bolsonaro em defesa de Moro, que no domingo foi “agraciado” com uma indicação antecipada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto se digeria esse noticiário, entra a campo a estratégia de falar que há tempo para votação e que a semana seria dedicada à apreciação de outras medidas que também têm prazo de validade para passar pelo Congresso. Só faltou combinar com os russos, como veremos mais adiante.

No meio tempo, a celeuma envolvendo o orçamento da Educação ganha novos contornos, enquanto o ministro tenta explicar que são 3,5% e não 30% e que contingenciamento é diferente de corte, o Congresso vai lá e empurra uma convocação para Abraham Weintraub prestar esclarecimentos no dia que o governo enfrenta a mobilização das ruas (ou parte delas).

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Para piorar, deputados saem de reunião com Bolsonaro falando que o contingenciamento seria revertido. Prontamente, saem notas desmentindo os parlamentares. Do ministério da Economia, veio a seguinte nota: “O ministério da Economia esclarece que não houve nenhum pedido por parte da Presidência da República para que seja revisto contingenciamento de qualquer ministério.”

Nada pior do que bulir com a vaidade parlamentar. Manifestações de revolta e insatisfação com o governo e sua articulação política.

No meio do fogo cruzado, aparece o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e diz ao “G1” que houve confusão sobre essa revisão de contingenciamento, que o desmentido foi feito rápido para o dólar não acordar a R$ 4 (não adiantou muito) e, de quebra, rifa o líder do governo no Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO).

Segundo Onyx, a convocação do ministro foi uma reação dos parlamentares não ao caso envolvendo o Ministério da Educação, mas sim uma reação a um vídeo de Vitor Hugo dizendo que a Casa votaria medidas provisórias nesta semana, “sem combinar com a cúpula da Câmara”, ou seja, com os russos.

Bom, todo esse introito para dizer que quem deve estar rindo à toa lá de Nova York é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, único personagem que se fortalece em meio a essa desarticulação, mesmo sendo atingido pela delação de Henrique Constantino da Gol.

A confiança dos parlamentares no presidente da Casa é “inabalável”, segundo me contou um consultor político. E a notícia interessante em termos de investimento é que os parlamentares acreditam que Maia conseguirá levar adiante a reforma da Previdência.

Esse apoio que Maia tem será algo importante para que essa situação não se agrave. Ele tem condição de pacificar a relação política.

É a expressão máxima do que se diz abertamente pelos corredores do Congresso, de que as reformas, não só da Previdência, mas também a tributária e outros temas, devem avançar apesar do governo. A oposição não gera preocupação para ninguém, pois a avaliação é de que nem eles sabem o que querem ou que são.

Note que a deterioração de relação foi muito rápida, pois poucas semanas atrás vimos Bolsonaro fazer diversos gestos aos congressistas, como ter mais reuniões, falar publicamente na sua confiança no Congresso e ceder na recriação de ministérios.

A preocupação de parte do parlamento, agora, é que o núcleo familiar de Bolsonaro utilize as novas denúncias para atacar Rodrigo Maia, retomando a estratégia de colocar as redes contra a “velha política”, termo que aliás saiu do vocabulário do presidente depois dos desentendimentos de março.

Na economia...

Enquanto isso, no lado econômico, vem a confirmação de que estamos andando para trás. Revisões e mais revisões para baixo no crescimento, inclusive do próprio governo e mais bancos e consultorias falando em Produto Interno Bruto (PIB) negativo no primeiro trimestre.

Na manhã desta quarta-feira, vem um indicador palpável, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que aponta variação negativa de 0,68% no primeiro trimestre ante o quarto.

No começo de março, escrevi que para a reforma da Previdência ser a “salvação da lavoura” em termos de atividade econômica ela teria de ter um tempo de tramitação muito mais rápido do que os mais otimistas previam. No quadro que se desenhava, de trâmites legislativos até o terceiro trimestre, já teríamos passado por um “choque de realidade”, com os dados de atividade, decepcionando até meados do ano, ou mesmo antes disso.

O choque de realidade chegou e o risco é vermos ações desesperadas do governo para fazer alguma coisa que dê resposta rápida na atividade. Isso pode colocar em confronto direto a ala política com a equipe econômica, desgastando o ministro Paulo Guedes.

Não por acaso, já lemos algumas vezes que o governo prepara pacote de medidas para destravar o crédito para empresas, fazer nova liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e adotar algum programa para limpeza do nome de endividados (o SPCiro das eleições, lembram?).

Também cresce a pressão para que o Banco Central (BC) retome os cortes da Selic, mesmo que uma redução de 0,25 ponto ou meio ponto tenha impacto apenas marginal na propensão marginal do consumo/investimento. Para o BC, é a incerteza que ronda a política local e a guerra comercial que impedem a tomada de decisões.

Estamos soterrados por anos e anos de questões estruturais não resolvidas e governo e equipe econômica precisam de algo que o dinheiro não compra: tempo.

Enquanto isso pedem calma e alguma compreensão de todos, pois estão chegando agora, faz quatro meses que estão no poder. O que não deixa de ser verdade, mas outro artigo que também está em falta é paciência.

Passados os tsunamis da semana, e ainda estamos na quarta-feira, o governo terá de repensar estratégias políticas e tentar comprar tempo no lado da economia.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Nas ruas do país

Atos pró-Bolsonaro chegam a 93 municípios de 25 Estados e DF

Em São Paulo, a manifestação a favor do governo ocorre na Avenida Paulista e os participantes estão distribuídos por sete quarteirões

Entrevista

“Reforma tem boa chance de passar. Talvez não no prazo ideal”, diz Pedro Parente

Ex-ministro e atual presidente da BRF, Parente vê com naturalidade a atual desarticulação entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso

Dia de manifestações

Bolsonaro posta no Twitter vídeos de atos pró-governo

A conta do presidente na rede social trouxe três vídeos de manifestantes nas cidades do Rio de Janeiro, em São Luís, no Maranhão, e em Juiz de Fora, no interior de Minas

Trabalho para os liberais

Kleber Bambam e o twitter de Bolsonaro: por que a economia não sai do paredão?

Para Adolfo Sachsida, secretário de política econômica do Ministério da Economia e fã do Big Brother Brasil, problema está no desajuste fiscal herdado das gestões petistas, e não nas polêmicas do Twitter

Das redes ao asfalto

Manifestações nas ruas testam apoio a Bolsonaro

Receio da equipe de Bolsonaro é de que, se não houver uma adesão de peso às manifestações, isso seja interpretado como um sinal de perda de popularidade

Armas

Novo decreto de Bolsonaro mantém brecha para compra de fuzis

Governo mudou texto para evitar venda de fuzis a civis, que fez as ações da Taurus dispararem na semana passada. Mas Procuradoria diz que novo decreto mantém essa possibilidade

Cannabusiness

O dia não tão distante em que os supermercados americanos venderão produtos feitos com planta de maconha

Todos querem sua fatia de uma indústria que deve ultrapassar os US$ 2 bilhões nos EUA até o próximo ano, uma vez que pesquisas vêm mostrando que os consumidores estão dispostos a pagar preços mais altos pelos produtos

Reduzindo os gargalos

Judiciário prepara pacote de medidas para acelerar recuperações judiciais

Em média, em São Paulo, são 567 dias (cerca de um ano e meio) entre a Justiça aceitar o pedido de recuperação de uma empresa e apreciar o plano de reestruturação

Seu Dinheiro no sábado

MAIS LIDAS: Esse filme eu já vi

Na semana em que o futuro pareceu repetir o passado, o assunto mais comentado não podia ser outro: o tsumani político que varreu Brasília. O enredo que incluiu derrotas do governo no Congresso, investigações do Ministério Público, manifestações de rua e investidores à beira de um ataque de nervos de fato me trouxe recordações recentes, […]

Pague pelo celular

Após avanço do Itaú, Mercado Pago amplia parcerias com lojas para pagamentos instantâneos

Empresa do site Mercado Livre fecha parceria com redes de farmácia e de alimentos para aceitar pagamentos pelo sistema de “QR Code”, que agora entrou na mira do Itaú

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements