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2019-06-17T08:01:43-03:00
ANÁLISE

‘Chicago Boy’, Levy transitou no petismo e no Bolsonarismo – e foi alvo dos dois

Assim como o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Joaquim Levy é um nome conhecido do mercado; estopim da demissão foi a nomeação de advogado

16 de junho de 2019
14:39 - atualizado às 8:01
joaquim-levy
Joaquim Levy: conhecido como “mãos de tesoura” - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após o presidente Jair Bolsonaro declarar que estava “por aqui” com Joaquim Levy, o economista pediu demissão da presidência Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) depois de cinco meses no cargo. Na administração pública, ele já havia ocupado postos-chave nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff.

Um “Chicago boy” assim como o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Levy é um nome conhecido do mercado - ele já foi diretor geral e financeiro do Banco Mundial entre 2016 e 2018 e diretor superintendente do Bradesco entre 2010 e 2014.

Economista ortodoxo, ele possui doutorado pela Universidade de Chicago, considerado centro do pensamento liberal. No governo de Bolsonaro, sua nomeação foi tida como um sinal de vitória dessa visão econômica sobre o pensamento um pouco mais estatizante do núcleo militar.

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O estopim da demissão de Levy foi a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES.

Barbosa Pinto trabalhou como assessor do banco de fomento durante o governo petista, de 2005 a 2007, o que irritou Bolsonaro. No entanto, o próprio Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff em 2015, e também trabalhou no governo de Lula entre 2003 e 2006.

A presidente cassada Dilma anunciou Levy para o ministério da Fazenda em novembro de 2014, parte de uma equipe econômica montada para fazer um aceno ao mercado.

O economista ortodoxo assumiu o posto com um plano austero de ajuste fiscal. No entanto, ele ficaria menos de um ano no cargo: foi demitido em dezembro de 2015 após enfrentar resistência do PT e o fogo amigo do governo. A saída de Levy já tinha sido acertada com Dilma mais de uma vez.

O ex-ministro da Fazenda já tinha ficado conhecido como “mãos de tesoura” em sua primeira passagem em um governo petista, entre 2003 e 2006, quando foi secretário do Tesouro Nacional na equipe de Antônio Palocci e teve como missão em ordem as contas do governo.

Com a entrada de Guido Mantega na Fazenda, Levy deixou o ministério para assumir a vice-presidência de Finanças e Administração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cargo que ocupou em 2006.

Em 2007, ele aceitou o convite do então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, para assumir a Secretaria de Fazenda do Estado. Levy ocupou o posto até 2010, quando assumiu a diretoria de gestão estratégica da Bradesco Asset Management (Bram).

Sua primeira passagem por um governo foi em 2000, quando foi economista-chefe da Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento de Fernando Henrique Cardoso. Ele foi mantido no processo de transição entre o governo FHC e Lula.

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