Menu
2019-05-30T06:15:49+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercado tenta manter otimismo em dia de PIB

Investidor já espera uma queda da economia brasileira no início deste ano e uma desaceleração da atividade nos EUA, o que tende a manter a busca por segurança

30 de maio de 2019
5:34 - atualizado às 6:15
otimismoPIB
Disputa entre EUA e China tende a agravar cenário de desaceleração global

O cenário (geo)político afasta-se do radar do mercado financeiro, neste dia de divulgação de dados de atividade aqui e no exterior. O destaque fica com os números do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil (9h) e dos Estados Unidos (9h30) no início deste ano, pela manhã. No fim do dia, a China anuncia o desempenho da indústria e do setor de serviços em maio.

A depender dos resultados, os indicadores tendem a lançar luz sobre a perda de tração da economia global, principalmente nos países emergentes. Os EUA devem continuar sendo uma exceção a esse cenário de desaceleração. Afinal, o PIB norte-americano deve ter crescido 3,0% no primeiro trimestre, na leitura revisada, ante estimativa original de +3,2%.

Porém, os efeitos transitórios para essa expansão robusta entre janeiro e março - relacionados aos estoques e aos gastos de governos locais - não devem se repetir nos meses à frente. Além disso, houve uma piora na guerra comercial contra a China em maio. Portanto, não seria surpreendente um PIB dos EUA próximo a zero no segundo trimestre.

Aliás, o movimento de fuga para ativos mais seguros observado no exterior fez com que a curva implícita de juros nos EUA voltasse a ficar invertida, com a diferença de rendimento (yield) entre o título norte-americano de três meses e o de 10 anos (T-note) sendo a mais baixa desde 2007.

Trata-se de um indicador antecedente de ciclo econômico, que leva a crer que o atual estágio já está em nível avançado, sendo que a guerra comercial pode acelerar o movimento de chegada no fim do ciclo. Não se trata, necessariamente, de um risco de recessão nos EUA, mas a indefinição na disputa comercial com a China torna essa possibilidade mais latente.

Com isso, o investidor tende a manter a busca por segurança (fly to quality), em meio à percepção de que será difícil reverter a trajetória de desaceleração da economia global com estímulos de curto prazo. Ainda mais com a disputa entre EUA e China nas esferas comercial, tecnológica e geopolítica podendo agravar a situação, afetando o lucro das empresas.

Marcha ré

No Brasil, a economia já deve ter começado 2019 em marcha ré. A previsão é de que o PIB doméstico tenha interrompido uma sequência de dois anos (oito trimestres) seguidos de resultados positivos, caindo 0,2% nos três primeiros meses deste ano, em relação aos últimos três meses de 2018.

Já na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB do país deve ter crescido pela nona vez seguida, em +0,5%, porém, em um ritmo bem mais lento que o observado no confronto anterior (+1,1%). Se confirmados, os números tendem a mostrar a perda de tração da atividade nacional na virada do ano, com a retomada ficando aquém do esperado.

Com isso, é crescente a expectativa no mercado financeiro de que o Banco Central lançará mão de uma nova rodada de estímulos à economia, reduzindo a taxa básica de juros um pouco mais. Porém, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, descartou qualquer movimento na Selic, indicando que não irá tolerar inflação maior para estimular a atividade.

Mercados sem rumo

Os mercados internacionais amanheceram sem um rumo definido. Enquanto a sessão na Ásia ainda foi afetada pelas perdas em Wall Street na véspera, com Xangai e Tóquio caindo 0,3%, cada, os índices futuros das bolsas de Nova York sinalizam um pregão de recuperação hoje, à espera dos dados do PIB dos EUA.

Ainda assim, faltando poucos dias para o fim do mês de maio, o índice acionário norte-americano S&P 500 caminha para perdas ao redor de 5%, no pior desempenho mensal desde dezembro. Na Europa, as principais bolsas abriram em alta, beneficiadas também pelo avanço do petróleo, que tenta voltar à faixa de US$ 60.

Entre os metais básicos, o minério de ferro caiu ao menor nível em uma semana. Nas moedas, o dólar mede forças em relação às moedas rivais e correlacionadas às commodities. O euro, a libra e o iene estão estáveis, enquanto o dólar australiano ensaia alta. Entre os bônus, o yield da T-note segue no nível mais baixo desde 2017.

Agenda cheia

Além do PIB brasileiro, a agenda econômica doméstica traz também o IGP-M (8h), que deve seguir em desaceleração em maio. Nos EUA, saem também os pedidos semanais de auxílio-desemprego (9h30), as vendas pendentes de imóveis residenciais em abril (11h) e os estoques semanais de petróleo bruto e derivados (11h30).

Entre os eventos de relevo, merece atenção a pauta de julgamentos na Suprema Corte. O STF irá decidir sobre a manutenção da liminar de Ricardo Lewandowski que determina que o governo não pode vender empresas estatais sem o aval do Congresso e também sobre a liminar de Edson Fachin, que suspende a venda da TAG, subsidiária da Petrobras.

No Legislativo, o Senado deve apreciar hoje a Medida Provisória (MP) que cria programas de combate a fraudes na Previdência Social. A MP foi aprovada na Câmara dos Deputados durante a madrugada e pode perder a validade na próxima semana. A expectativa é de que a medida seja votada a tempo de não caducar.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Buscando oxigênio

Plano de recuperação do RS apresentado a Guedes tem impacto fiscal de R$ 60 bilhões em 6 anos

A expectativa do governador Eduardo Leite é de que o Estado possa aderir ao regime de recuperação fiscal ainda em 2019

Mudanças no órgão

Relator diz que nome do Coaf será mantido e haverá indicação apenas de servidores

Deputado Reinhold Stephanes Junior iniciou a leitura de seu relatório sobre a Medida Provisória nº 893, que trata do “novo Coaf”

Investindo em energia

BNDES aprova empréstimo de R$ 1,26 bilhão para complexo eólico da Engie na Bahia

Investimento total no complexo é de R$ 1,6 bilhão, incluindo as linhas de transmissão associadas

Mais um passo

Comissão especial da Câmara aprova texto principal da reforma da Previdência dos militares

Votação é terminativa, mas o projeto pode ir ao plenário da Casa se for apresentado um requerimento com 51 assinaturas

Falando de mercado imobiliário

Preço dos imóveis residenciais no país cresce 0,32% em setembro, diz Abecip

No acumulado dos últimos 12 meses, o preço dos imóveis teve aceleração, chegando a 2,55% em setembro ante 2,33% em agosto

QUINTA-FEIRA, ÀS 11H

Os 90 anos da crise de 1929: uma conversa ao vivo com Ivan Sant’Anna

Ivan Sant’Anna e a equipe do Seu Dinheiro farão uma transmissão ao vivo nesta quinta-feira (24), às 11h00, para discutir o crash da bolsa de Nova York — evento que está completando 90 anos

This time is different?

Dólar alto e juro baixo? Para Verde Asset essa é uma equação possível

Em artigo, gestora do renomado Luis Stuhlberger detalha o que poderia ser o novo normal da economia brasileira

E a crise continua...

Major Olimpio pedirá destituição do diretório comandado por Eduardo Bolsonaro

Episódio é mais um capítulo da disputa travada por bolsonaristas e o grupo do deputado federal Luciano Bivar, presidente da sigla, pelo comando do partido

No entra e sai de dólares

Fluxo cambial total em outubro até dia 18 é negativo em US$ 6,224 bilhões

Já o fluxo cambial do ano até 18 de outubro ficou negativo em US$ 19,195 bilhões

Agendado

Tasso Jereissati diz que votação da PEC paralela da reforma da Previdência na CCJ do Senado será em 6 de novembro

Projeto prevê a possibilidade de Estados e municípios aderirem às novas regras de aposentadoria e pensão no País

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements