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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Investimentos

Black Friday das corretoras: as promoções que valem a pena para o investidor

As instituições financeiras também aderiram à onda das promoções de novembro e oferecem investimentos com rentabilidades maiores e descontos em taxas e valores de aplicação; mas será que tudo é o que parece? O que é de fato vantajoso?

23 de novembro de 2018
5:30 - atualizado às 9:21
Promoções de Black Friday não devem ser determinantes para investir em um produto ou instituição financeira - Imagem: Alex Silva/Estadão Conteúdo

A Black Friday caiu no gosto do brasileiro, e de fato faz bem para o bolso comprar com desconto algo que você já queria. Mas se você é como eu, que nunca tem nada para comprar nessas datas, nem liga muito para orgias de consumo, talvez prefira aquela máxima que diz que, se você simplesmente não comprar nada, terá 100% de desconto.

É brincadeira, mas é claro que é melhor não gastar nada do que comprar por impulso algo que você nem queria ou precisava. Melhor ainda se você puder investir o dinheiro que economizou.

Seguindo essa linha de raciocínio, os departamentos de marketing das corretoras de valores, bancos e plataformas de investimento resolveram aderir à onda da Black Friday (ou Black Week, ou Black November) para oferecer investimentos supostamente mais rentáveis que o normal, descontos em aportes iniciais de fundos, isenções de taxas, entre outras promoções para quem prefere investir em vez de gastar.

Mas a dúvida que fica é: será que as promoções das instituições financeiras valem mesmo a pena, ou é puro marketing? Será que ocorre Black Fraude nos investimentos, assim como tantas vezes acontece no e-commerce?

Bem, eu já trabalhei em corretora e sei que promoções, como redução temporária no aporte inicial de fundos de investimento, são recorrentes e não acontecem apenas na Black Friday ou no mês de novembro.

Volta e meia tem fundo reduzindo o valor mínimo de aplicação, oferta de títulos de renda fixa com rentabilidade acima da média ou cortes temporários de taxas de corretagem ou administração para atrair mais investimentos.

A Black Friday acaba sendo simplesmente um evento que concentra as promoções e dá a elas mais visibilidade. Isso não é ruim, e de fato rolam algumas boas ofertas. O problema é que algo como a Black Friday muitas vezes cria um senso de urgência que não existe.

No que ficar ligado na Black Friday dos investimentos

Eu levantei algumas promoções de corretoras, bancos e plataformas de investimento e percebi que algumas das ofertas, embora genuínas, já estavam rolando antes de novembro e só foram reempacotadas para serem anunciadas como desconto de Black Friday.

É o caso das reduções de valor de aporte mínimo inicial de alguns fundos de investimento. Ou seja, não só os valores de aplicação já haviam sido reduzidos antes de novembro, como não é nada improvável que eles permaneçam baixos mesmo depois que a temporada de promoções passar. Isso pode ocorrer até mesmo naqueles casos em que a instituição financeira diz que é só até hoje ou, no máximo, dia 30. Acredite, eu já vi acontecer.

No caso dos títulos de renda fixa, de fato há algumas ofertas de ótima rentabilidade e com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Podem ser rentabilidades difíceis de encontrar para os prazos e valores de aporte mínimo oferecidos. Mas isso também não significa que títulos interessantes assim só apareçam nos meses de novembro.

Apenas atente para o fato de que, no caso da renda fixa, o senso de urgência pode realmente existir, e não é por causa da Black Friday. É que muitos desses títulos têm estoques limitados, então eles de fato podem acabar.

Tanto que as ofertas de CDB, LCI, LCA e LC nas instituições financeiras pesquisadas têm mudado ao longo do mês.

Finalmente, promoções muito pontuais, como isenção de taxa de corretagem por uma semana e coisas do tipo, me parecem fazer sentido apenas para quem já é cliente da instituição. Não deveriam, sozinhas, motivar alguém a se tornar cliente.

Independentemente da época, porém, aproveitar a redução de aplicação mínima inicial para investir em um bom fundo ou abocanhar um título de renda fixa com garantia do FGC e boa rentabilidade não é de forma alguma um mau negócio.

Apenas não se afobe e informe-se sobre o produto financeiro que te chamou atenção para não cair em armadilhas. Alguns produtos muito rentáveis podem ter uma liquidez menor ou um risco maior do que você gostaria.

Procure saber também se é mesmo necessário correr tanto. Às vezes, se você perguntar, a instituição financeira já te informa de antemão se a tal “promoção” será mantida.

A seguir, eu avalio as ofertas de Black Friday, Black Week e Black November que levantei, com base em anúncios públicos feitos pelas corretoras:

Renda fixa

Na esteira da Black Friday, corretoras e plataformas de investimento oferecem títulos de renda fixa com rentabilidade supostamente mais alta que o normal.

De fato, os retornos oferecidos nas promoções, para os prazos e valores de aplicação inicial estabelecidos, estão bastante atrativos.

Mas não é impossível encontrar condições similares fora das promoções de Black November, como eu observei anteriormente.

Além disso, não podemos esquecer que retornos tão altos em papéis de renda fixa de baixo risco e com baixo valor de aporte inicial, como é o caso dessas promoções, geralmente estão condicionados a deixar o dinheiro aplicado por três, quatro, cinco anos.

Mesmo assim, para quem gosta de renda fixa e busca retornos bastante superiores ao CDI, vale a pena dar uma olhada.

Diversas casas oferecem opções de Certificados de Depósitos Bancários (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras de Câmbio (LC), todos títulos com cobertura do FGC para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira emissora. O limite global garantido pelo fundo, somando todas as aplicações cobertas, é de R$ 1 milhão por CPF.

Essa proteção reduz bastante o risco de se investir em papéis emitidos por bancos e financeiras de pequeno porte, que são normalmente os que oferecem rentabilidades tão altas.

Eu avaliei as ofertas anunciadas pelas corretoras e plataformas de investimento como promoções da Black Friday após utilizar o comparador de aplicações financeiras Yubb. Selecionei apenas as que aparecem como as mais rentáveis para as suas condições de prazo e aplicação mínima.

CDB

A corretora Nova Futura oferece um CDB com prazo de quatro anos da Barigui Financeira, que paga 122% no vencimento para quem investe pelo menos R$ 10 mil.

LCI e LCA

As LCI são queridinhas dos investidores por serem isentas de imposto de renda, mas no meu levantamento não encontrei muitas ofertas deste papel como parte de promoções de Black Friday.

A única oferta que aparece como a mais rentável para as suas condições é a da Barigui Financeira distribuída pela Nova Futura, que paga 100% do CDI no vencimento para quem investir a partir de R$ 10 mil por quatro anos.

Letras de Câmbio

As Letras de Câmbio (LC) estão entre os principais produtos oferecidos pelas corretoras e plataformas de investimento em suas promoções de Black Friday.

De fato, a maior parte dos papéis anunciados como promocionais oferecem as rentabilidades mais altas para a sua faixa de aplicação inicial e prazo, segundo o Yubb.

Esses títulos de renda fixa são emitidos por sociedades de crédito, investimento e financiamento, popularmente conhecidas como financeiras, a fim de captar recursos. É como se fossem os “CDBs das financeiras”.

LC geralmente não têm liquidez diária, mas a corretora Nova Futura oferece uma da BRK Financeira com rentabilidade de 103% do CDI e aplicação mínima de R$ 1.000.

Para o prazo de um ano, a Órama oferece uma LC que rende 120% do CDI para quem investe a partir de R$ 1.000.

Para dois anos, a LC da Senff oferecida pela Rico paga 121% do CDI para uma aplicação mínima de R$ 1.000.

As corretoras que oferecem LC com prazo de três anos também batem as outras opções do mercado para as mesmas condições.

A Easynvest oferece uma LC que paga 127% do CDI com aplicação mínima de R$ 1.000. Já a Órama oferece uma de 128,5% do CDI com aplicação mínima de R$ 3.016 para um prazo um pouco menor, de 1.060 dias.

A Órama tem ainda uma opção prefixada, que paga 10,50% ao ano para quem investe a partir de R$ 1.000.

Para um prazo de quatro anos, a Rico oferece uma LC que paga 128% do CDI para uma aplicação mínima de R$ 1.000. Pelo mesmo valor, a Órama oferece uma opção prefixada que rende 11% ao ano.

Finalmente, para cinco anos, a maior rentabilidade encontrada foi de 130% do CDI, também na Rico (aplicação mínima de R$ 1.000) e na Órama (aplicação mínima de R$ 3 mil).

Redução de aplicação inicial em fundos

Alguns fundos de investimento baixaram o valor de sua aplicação inicial em novembro, e certas corretoras estão anunciando esse desconto como promoção de Black Friday ou Black November.

Mas nem sempre esses novos valores de aporte são exclusivos das corretoras que os estão anunciando. Às vezes a redução da aplicação inicial também está disponível em outras casas.

Renda fixa conservadora

Todos os três fundos a seguir são de renda fixa conservadora, mas têm como objetivo superar, e não apenas seguir, o CDI.

A redução da aplicação inicial do AZ Quest Luce de R$ 5 mil para R$ 500 é anunciada pela Mirae Asset, mas é possível investir neste fundo por este valor também em casas como Guide, Ativa, Órama, XP, BTG Pactual Digital e Genial. Desde seu início em 2015, o Luce rendeu 36%, contra 33% do CDI.

Já a redução do aporte inicial do Devant Solidus Cash de R$ 1.000 para R$ 100 é anunciada como promoção de Black Friday por Easynvest e Ativa Investimentos, mas também é possível investir nele pelo mesmo valor de aporte em casas como Órama e Terra Investimentos. Desde seu início em 2016, o fundo rendeu 110% do CDI.

Também anunciada pela Easynvest foi a redução de aporte inicial do DLM Premium 30 FIRF CP de R$ 3 mil para R$ 1.000. O mesmo valor de aplicação inicial você encontra também na Guide, Órama, Genial, BTG Pactual Digital e XP, por exemplo.

Diferentemente dos outros dois fundos, que têm liquidez diária, o fundo da DLM leva 30 dias a partir do resgate para pagar o cotista. Também é o único dos três que cobra taxa de performance de 20% sobre o que exceder o CDI.

O Banco do Brasil reduziu os valores de aporte inicial de dois de seus fundos mais conservadores. Mas, segundo o site da instituição, é apenas até esta sexta-feira.

O BB Renda Fixa Referenciado DI LP 200 mil baixou a aplicação inicial de R$ 200 mil para R$ 1.000 na Black Friday, o que é uma senhora redução. Trata-se, inclusive, de um fundo barato para um grande banco, com taxa de administração de apenas 0,5% ao ano. Porém, a rentabilidade acumulada nos últimos cinco anos ficou abaixo do CDI (63,78% contra 65,71% do índice e referência).

Já o BB Renda Fixa LP High Estilo, voltado apenas para os clientes do segmento Estilo, reduziu seu aporte inicial de R$ 500 mil para apenas R$ 5 mil. O fundo começou em janeiro deste ano e, com taxa de 0,35% ao ano, consegue superar o CDI desde o seu início (4,98% contra 4,87% do índice de referência).

Renda fixa moderada

O fundo Devant Debêntures Incentivadas, distribuído pela Ativa, cortou seu aporte inicial de R$ 1.000 para R$ 100 em novembro. Por se tratar de um fundo com menos de um ano de duração, ele ainda não dispõe de histórico de rentabilidade, mas sua meta é render na faixa de 110% do CDI.

O fundo investe em debêntures incentivadas, papéis emitidos por empresas para captar recursos na forma de empréstimos, a fim de investir em projetos de infraestrutura. Em razão disso, esses títulos, bem como o fundo em si, são isentos de imposto de renda para a pessoa física.

Já a Mirae Asset oferece um desconto no valor de aporte inicial do seu fundo de inflação, que investe em títulos de renda fixa atrelados ao IPCA. O Mirae Asset IMA-B Renda Fixa FI tem aplicação inicial de R$ 5 mil, mas baixou o valor para R$ 100 nesta Black Friday.

Desde o seu início em 2011, porém, a rentabilidade acumulada do fundo não supera seu índice de referência. O fundo rendeu 144,88% contra 147,19% do IMA-B.

Multimercados

A corretora Nova Futura anuncia a redução da aplicação inicial do fundo Visia Zarathustra de R$ 50 mil para R$ 10 mil em novembro. Mas este valor de aporte inicial para este fundo também está disponível em casas como BTG Pactual Digital, XP e Órama. O multimercado rendeu 235% do CDI desde o seu início em 2012.

Na Mirae Asset, clientes podem investir no Mirae Asset Macro Strategy FIM com aplicação inicial de R$ 100, quando o aporte inicial normalmente é de R$ 5 mil. A rentabilidade acumulada do fundo supera o CDI desde o seu início, em 2013, com rentabilidade de 78,25% contra variação de 67,02% do índice de referência.

Ações

Ainda na Mirae, o aporte inicial do Mirae Asset Discovery Ações Dividendos FI caiu de R$ 5 mil para R$ 100 pela Black Friday. Desde o início, em 2008, o fundo rende 345,65%, contra 118,46% do Ibovespa.

Já a Nova Futura oferece o fundo Forpus Ações FIC FIA por aporte inicial de R$ 5 mil reais em novembro, quando a aplicação inicial normalmente é de R$ 10 mil. Desde seu início em março de 2015, o fundo rendeu 200,08% contra 81,03% do Ibovespa.

A Easynvest reduziu a aplicação inicial do fundo Alaska Black Institucional FIA de R$ 25 mil para R$ 1.000. No entanto, ele já é oferecido por esse valor de aporte inicial em outras casas, como a Modalmais, a XP, a Órama e a Ativa.

O fundo, de uma das gestoras mais renomadas do momento, rendeu 105,51% desde o seu início em 2017, contra 26,61% do Ibovespa no período.

Previdência privada

Até esta sexta, a XP Investimentos oferece redução de valor de aporte inicial para dois de seus fundos de previdência em parceria com a Icatu: o XP Icatu Horizonte Previdenciário FIC FIRF e o XP Icatu Horizonte Macro Previdenciário FIM. Ambos tiveram a aplicação mínima reduzida de R$ 5 mil para R$ 1.000.

O primeiro é um fundo de renda fixa, que rendeu 105% do CDI desde a sua estreia em 2013. Já o segundo, um multimercado, rendeu 114% do CDI desde o seu início, também em 2013. Ambos são oferecidos nas modalidades PGBL e VGBL.

Isenções e descontos de taxa

Entre as ofertas de desconto e isenções de taxas, a maioria só vale mesmo a pena para quem já é cliente da instituição financeira e tem intenção de fazer um investimento por agora, pois só são válidas para esta semana ou para o mês de novembro.

Antes de abrir conta em uma corretora ou plataforma de investimentos, convém analisar quais são os custos normais das transações, como taxas de corretagem, custódia e assessoria de investimentos, se houver.

Das promoções que eu levantei, a que mais vale a pena para novos clientes é a da Magnetis, que isenta sua consultoria de investimentos de taxa por um período de seis meses para quem investir até R$ 25 mil reais. Normalmente, a isenção só vale para quem investe até R$ 5 mil.

Magnetis

Clientes que aderirem à plataforma Magnetis até o dia 30 de novembro ficam isentos de taxa de consultoria durante seis meses para aplicações de até R$ 25 mil. Normalmente, só há isenção para os primeiros R$ 5 mil investidos.

Acima da faixa de isenção, a taxa cobrada pela Magnetis é de 0,4% ao ano, além das taxas de administração dos fundos de investimento que compõem a carteira do cliente.

A Magnetis é uma plataforma de investimentos do tipo robô advisor, que recomenda aplicações financeiras de acordo com o perfil do cliente, com base em algoritmos.

Easynvest

Investimentos em ETF (fundos de índice) e FII (fundos de investimento imobiliário) até esta sexta ficam isentos de taxa de corretagem na Easynvest. Normalmente, é cobrada uma taxa de R$ 10 por operação.

Rico

Nos dias 22 e 23 de novembro, clientes da corretora Rico podem realizar até duas TEDs para sua conta com direito a reembolso de R$ 10 por transferência. A devolução do valor leva até um dia útil para ser liquidado.

Ativa

A corretora oferece até 47% de desconto na taxa de corretagem para investir em ações até o dia 30 de novembro. É possível também aderir aos planos de corretagem com desconto, válido para o primeiro mês:

Tabela com a promoção de Black Friday das taxas de corretagem da Ativa Investimentos em 2018

O pacote de corretagem no home broker A-trader, durante este mês, pode ser assinado por R$ 49,90, em vez dos R$ 60 habituais. A promoção é válida apenas para o primeiro mês de assinatura.

MyCap

Quem operar na bolsa pelo app MyCap Trader até esta sexta (23) não paga corretagem em nenhuma operação. A promoção não contempla a taxa de custódia, mas clientes que operam ao menos uma vez por mês já ficam isentos desta taxa.

A corretagem na MyCap varia de R$ 5 a R$ 20 por ordem, dependendo do plano escolhido. A taxa custódia é de R$ 10.

Mirae

Na corretora Mirae, quem abrir conta até esta sexta-feira pode testar gratuitamente as plataformas de home broker ProfitChart RT ou a ProfitChart Lite por até 60 dias. Normalmente, a plataforma ProfitChart RT custa R$ 201,25 por mês.

A corretora também está isentando de corretagem as operações com o ETF de Renda Fixa da Mirae Asset durante toda esta semana. A corretagem na Mirae é de R$ 1,14 por ordem, incluindo impostos.

Nesta sexta, ficam isentas de taxa também as operações no segmento BM&F, que normalmente custam a partir de 26 centavos por minicontrato futuro, já com impostos.

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